Debate destaca
papel das mulheres na segurança pública
sábado, 7 março, 2009 19:05
“Somente uma mulher é
capaz de lidar com um tema tão árido quanto
a Segurança Pública com leveza e competência”.
Com estas palavras, o secretário de Estado de Defesa
Social, Maurício Campos Júnior, resumiu o
debate “Estado, Mulheres e Segurança”,
que reuniu importantes figuras femininas das áreas
de Defesa Social e Justiça, na tarde desta sexta-feira
(6), no auditório da Secretaria de Estado de Saúde
(SES), em Belo Horizonte. “A idéia desse debate
foi muito oportuna por ocasião do Dia Internacional
da Mulher. Foi-se o tempo em que a segurança era
legada à truculência. A mulher é agente
segurança e também sujeito e destinatária.
Atualmente, com a intervenção delas, a segurança
tornou-se mais humanizada”, acrescentou o secretário.
Organizado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds)
e mediado pela jornalista Adriana Spinelli, o programa abordou
três temas principais, divididos em blocos: “Mulheres
que cuidam da segurança”, sobre a atuação
do sexo feminino no sistema de segurança pública;
“A mulher e a família”, com enfoque na
importância dela na agregação familiar;
e “Mulher como fator prevenção”,
que abordou as políticas públicas de prevenção
à criminalidade.
A questão da integração dos órgãos
de Defesa Social e destes com o Judiciário e o Ministério
Público, além das comunidades, foi discutida
largamente pelas participantes, que consideraram esta política
pública indispensável para a obtenção
de bons resultados: “todos os órgãos
comungam de um mesmo objetivo, fazer com que sociedade sinta-se
segura”, disse a superintendente de Integração
da Seds, Geórgia Ribeiro. A participação
da comunidade também mereceu destaque: “A segurança
não é só problema das polícias.
É preciso que a população também
seja responsável por isso”, opinou a vice-presidente
do Conselho Comunitário de Segurança Pública
(Consep), Marilda Lara. A superintendente de Prevenção
à Criminalidade da Seds, Fabiana Leite, lembrou,
ainda, da importância de não se fazer um trabalho
meramente repressivo: “é preciso pensarmos
que, além da repressão, há muitos investimentos
por parte do Governo do Estado em ações de
prevenção à criminalidade e aos fatores
causadores de violências”.
Em relação ao imprescindível papel
da mulher na família, a defensora pública
Marina Lage deu o seu recado, ressaltando a figura feminina
privada de liberdade: “Políticas públicas
em relação à mulher encarcerada são
fundamentais para que se mantenham os vínculos com
os filhos, com a família, com o companheiro e com
a sociedade. É ela a responsável por incutir
limites e amor dentro de casa”. Como exemplo, foi
exibido vídeo sobre o Centro de Referência
da Gestante Privada de Liberdade, iniciativa da Seds inédita
no país. Com 4 mil metros quadrados, a unidade não
possui grades, um ambiente mais propício às
crianças, com paredes decoradas, quartos com camas
e berços. O objetivo é a ressocialização,
com a oferta de trabalho. Todas as agentes penitenciárias
são técnicas em enfermagem e foram capacitadas
para o trabalho de segurança.
A juíza da Vara da Infância e da Juventude
de Belo Horizonte, Valéria Rodrigues da Silva, falou
do avanço da política pública de atendimento
às medidas socioeducativas, ressaltando a iniciativa
do Governo de Minas em implantar o Centro Integrado de Atendimento
ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA-BH). O CIA
reúne, num mesmo espaço físico todas
as instituições que lidam com a questão
do jovem em conflito com a lei. Outros vídeos também
foram exibidos ao longo do debate, e revelaram as múltiplas
facetas das mulheres na defesa social. O Grupo de Intervenção
Tática Feminina, da Subsecretaria de Administração
Prisional (Suapi), da Seds, e o trabalho de mulheres bombeiros,
policiais civis e militares sob treinamento e capacitação
tiveram seu espaço.
Cinqüenta detentas da Penitenciária Feminina
Estevão Pinto e Centro de Referência da Gestante
Privada de liberdade trabalharam durante vinte dias na confecção
de alegorias, adereços e fantasias para a escola
de samba Chama-Chame, no bairro Salgado Filho, na capital.
Elas receberam cerca de R$ 800 pelo trabalho realizado,
dividido da seguinte forma: 50% vai para elas, 25% para
o pecúlio (conta em banco resgatada quando a presa
obtiver a liberdade), e 25% para o Estado a título
de ressarcimento de custos relativos à infra-estrutura.
Estiveram presentes ao debate a sub-chefe do Estado Maior,
coronel PM Luciene Albuquerque, que destacou os programas
sociais da corporação; a chefe do 2º
Departamento de Polícia Civil, delegada Vânia
Godoy, e a capitão do Corpo Bombeiros Militar, Jordana
de Oliveira, que lembraram a importância da qualificação
profissional; a defensora pública Marina Lage Pessoa
da Costa e a promotora de Defesa da Mulher, Laís
Maria Costa Silveira, que destacaram a importância
da humanização da segurança pública
que, em Minas, ganhou o novo conceito de Defesa Social.
O debate foi transmitido em tempo real, por meio de unidades
receptoras da Saúde, para os 16 municípios
sedes das Regiões Integradas de Segurança
Pública (Risps): Barbacena, Belo Horizonte, Contagem,
Vespasiano, Curvelo, Divinópolis, Ipatinga (cuja
transmissão foi para Coronel Fabriciano), Lavras,
Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Patos
de Minas, Teófilo Otoni, Uberaba, Uberlândia
e Unaí. A transmissão atingiu os 3.270 pontos
do Canal Minas Saúde e foi disponibilizada por 50
emissoras de TV e cerca de 600 emissoras de Rádio
do interior do Estado.
Agência
Minas