Campanha
Fala Mulher incentiva as denúncias de agressão
sábado, 7 março, 2009 19:55
Sheila Regina Ribeiro, 48, dois
filhos, terminou um casamento de 12 anos, após passar
oito deles por situações de violência
cometidas pelo seu marido. Por meio do Disque Direitos Humanos
(0800 31 1119), o longo período de terror enfrentado
por ela teve um fim. “No início, tive muito
medo e vergonha de falar sobre o que passei. Depois de ter
contato com o Centro Risoleta Neves de Atendimento, em Belo
Horizonte, convivi com outras histórias semelhantes,
criei coragem para enfrentar a situação e
deixei de ser vítima para lutar a favor da minha
vida e de meus filhos”, conta. Após a denúncia,
Sheila pediu o divórcio e mudou sua vida.
Essa é mais uma história das muitas que envolvem
mulheres que convivem diariamente com agressões psicológicas,
verbais e físicas. Em Minas, as denúncias
de crimes praticados contra mulheres feitas por meio do
Disque Direitos Humanos em 2008 cresceram significativamente,
em comparação aos números de 2007.
O relatório final produzido pela Secretaria de Estado
de Desenvolvimento Social (Sedese), que coordena o serviço,
mostra que o número de denúncias contra mulher
foi 375% superior em relação ao ano anterior.
Foram oito, contra 38.
O serviço, que garante o sigilo do denunciante, é
gratuito e atende a qualquer tipo de violação
dos direitos humanos. Em 2008, o serviço telefônico
recebeu 63.879 denúncias, número 58% superior
ao de 2007, quando 40.466 ligações foram feitas.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Social,
Agostinho Patrús Filho, a campanha Fala Mulher, criada
pelo Governo de Minas em 2008, está diretamente ligada
ao aumento das denúncias. Ele destaca que a colaboração
da imprensa na divulgação do serviço
é fundamental. “Muitas mulheres têm medo
de denunciar, se sujeitam a agressões para que não
haja a falência da família. Precisamos destacar
que a denúncia é imprescindível para
que o Estado possa atuar na diminuição e buscar
a solução desses casos”, destaca.
Veiculada nas emissoras de rádio de Minas na última
semana de outubro passado, a campanha teve como foco o incentivo
de denúncias de violência contra a mulher,
por meio do número 0800 31 11 19 (Fala Mulher/ Disque
Direitos Humanos). O investimento do Governo de Minas foi
de R$ 400 mil.
O secretário afirma que o enfrentamento à
violência contra a mulher e a busca pela igualdade
entre os gêneros é uma preocupação
do Governo de Minas. “Em 2007, o governador Aécio
Neves criou a Coordenadoria Especial de Políticas
Públicas para Mulheres (Cepam). Isso demonstra a
grande determinação em elaborar e implantar
políticas voltadas a este segmento, que ainda é
vulnerável”, destaca Patrús.
Ações
O Governo de Minas, por meio da Cepam, investe na construção
de centros de referência da mulher. Os centros prestam
atendimento psicossocial e jurídico às mulheres
vítimas de violência e também desenvolvem
ações de qualificação profissional,
para reintegração no mercado de trabalho da
mulher.
Já existem centros instalados em Poços de
Caldas e Pouso Alegre, no Sul de Minas, em Pirapora, no
Norte, em Uberlândia e Uberaba, no Triângulo
Mineiro, em Divinópolis, na região Centro-Oeste,
em Governador Valadares, no Leste de Minas, em Betim e Contagem,
na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH),
e em Belo Horizonte. Cada um dos centros tem capacidade
para atender, em média, 120 mulheres ao mês.
Pacto Enfrentamento à Violência Contra a Mulher
O pacto, assinado pelo governador Aécio Neves em
novembro de 2008, vai ampliar e consolidar ações
de conscientização e mobilização
que o Governo do Estado desenvolve em defesa dos direitos
da mulher.
O plano prevê a criação de uma rede
de atendimento à mulher vítima de violência
por meio da ampliação e estruturação
de delegacias especializadas, defensorias públicas
da mulher, casas-abrigo, centros de referência, juizados
de violência doméstica e familiar, capacitação
de profissionais de atendimento às mulheres e de
agentes da Polícia Militar, com atendimento humanizado
por meio do preparo na temática de gênero e
violência.
Os recursos permitirão a consolidação
da rede de atendimento às mulheres vítimas
de violência em 31 municípios, que serão
referência no atendimento às mulheres mineiras:
Araguari, Uberaba e Uberlândia (Triângulo Mineiro),
Buritis e Paracatu (Noroeste de Minas), Barbacena e Conselheiro
Lafaiete (Campo das Vertentes), Cataguases, Ponte Nova e
Juiz de Fora (Zona da Mata), Divinópolis (Centro-Oeste),
Governador Valadares e Ipatinga (Leste), Itabira e Sete
Lagoas (região Central), Jequitinhonha (Vale do Jequitinhonha),
Montes Claros e Pirapora (Norte de Minas), Passos, Pouso
Alegre, Poços de Caldas e Varginha (Sul de Minas),
Patos de Minas (Alto Paranaíba), Teófilo Otoni
(Vale do Mucuri), Betim, Contagem, Ibirité, Ribeirão
das Neves, Sabará e Santa Luzia (RMBH) e Belo Horizonte.
Agência
MInas