| |
|
|
| |
|
|
| |
Márcio
Carvalho |
|
| |
 |
|
| |
Igreja
da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da
Penitência, teve os sinos restaurados
em 2006 pelo Comendador José Berardo |
|
Sinos
de uma das “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”
foram restaurados pelo Comendador José Berardo em
2006
quinta-feira, 18 junho, 2009 19:53
No passado dia 10 de
Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Portuguesas, foram conhecidas as “7 Maravilhas de
Origem Portuguesa no Mundo”, nas quais está
incluída a Igreja de São Francisco de Assis
da Penitência, em Ouro Preto, no
Brasil.
As eleições,
que tiveram início a 7 de Dezembro de 2008, foram
promovidas pela New 7 Wonders Portugal, empresa criada no
âmbito da Declaração Oficial das “Novas
7 Maravilhas do Mundo”, que a 7 de Julho de 2007 promoveu
um dos maiores eventos de sempre em Portugal, tendo tido
uma repercussão que ecoou pelos quatro cantos do
mundo.
À data e, em
paralelo, foi impulsionada a eleição das “7
Maravilhas de Portugal”, uma grandiosa campanha, que
de forma singular divulgou o património histórico
e cultural português, reconquistando o interesse das
populações pelos belíssimos castelos,
palácios, igrejas e mosteiros, que marcam a nossa
paisagem.
A iniciativa “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no
Mundo”, cujo Comissário foi António
Vitorino, prestigiado advogado, político e comentador,
teve por objectivo destacar o legado de Portugal à
Humanidade, posicionando o nosso país como uma pátria
fundamental na edificação do mundo contemporâneo
e que defronta a globalização de forma instintiva,
fazendo parte da nossa génese a capacidade de nos
relacionarmos com outros povos, e de construirmos pontes
entre as várias culturas universais.
A lista elaborada pelos organizadores do concurso teve em
consideração o valor histórico e patrimonial
dos concorrentes, a origem portuguesa e a influência
no Mundo.
A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis
da Penitência, um dos maiores símbolos da riqueza
cultural e histórica do Barroco em Minas Gerais,
foi eleita uma das sete Maravilhas de Origem Portuguesa
no Mundo. Situada em Ouro Preto, a primeira cidade brasileira
classificada como Património Histórico e Cultural
pela UNESCO, em 1980, a igreja foi escolhida de um elenco
de 27 monumentos de origem lusa espalhados pelo mundo.
Considerada a obra-prima de António Francisco Lisboa,
“o Aleijadinho”, também responsável
pelo projecto da portada, púlpitos, retábulo-mor,
lavabo e tecto da capela-mor, foi construída em estilo
Rococó, elegendo uma etapa posterior na evolução
do Barroco mineiro. Erguida em 1766, contempla na sumptuosidade
e riqueza do seu conjunto arquitectónico, as pinturas
de Manuel da Costa Ataíde, considerado, ao lado do
próprio Aleijadinho, o expoente máximo da
arte colonial brasileira.
Na obra literária O Aleijadinho e a arte colonial,
o pensador e escritor Augusto Lima Júnior qualifica
a Igreja de São Francisco de Assis como a “(…)
a jóia de Minas, seja pela elegância de suas
linhas externas, seja pelos temas impregnados de alto conhecimento
de mística e simbolismo.”
No entanto, embora esta nova Maravilha de Origem Portuguesa
no Mundo seja detentora de uma enorme fortuna crítica
e uma magnificente perfeição, durante três
anos, privou toda a população ouropretana,
bem como os seus visitantes, da real beleza sonora dos três
sinos que compõem a torre do lado esquerdo. Em 2006,
de visita a Ouro Preto, o Comendador José Berardo,
na altura acompanhado do Perfeito Ângelo Oswaldo,
ficou deslumbrado com a excelência do monumento mas
profundamente desgostoso com o estado de conservação
dos seus dispositivos de som.
Sendo o Museu do Aleijadinho a entidade responsável
pela conservação e manutenção
da Igreja, o coleccionador português, encetou conversações
com os responsáveis do equipamento museológico,
no sentido de providenciar o restauro dos extraordinários
sinos de bronze. Na sequência desta solicitação,
o Museu, juntamente com a edilidade local e a paróquia,
apresentaram uma proposta de trabalho, que foi prontamente
aceite pelo mecenas, num gesto generoso e de grande carinho,
o qual dedicou a sua mãe, Ana Berardo, uma mulher
profundamente católica e senhora de uma grande fé.
Filantropo por natureza, o Comendador Berardo, quando da
reinauguração dos sinos, foi presenteado pela
autarquia local, com uma placa distintiva, junto aos sinos
da torre, da qual constam as seguintes palavras:
“Restaurado em 2006 pela família Berardo
da Ilha da Madeira, em homenagem à sua mãe
Ana Berardo”.
Todavia, relembre-se, que a relação cultural
com o Brasil é já anterior a este acontecimento.
A Colecção de Arte Moderna e Contemporânea,
agora patente ao público no Museu Berardo em Lisboa,
emprestou diversas obras aos museus brasileiros, contando,
ainda, com uma grande exposição realizada
em 2001, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro,
dedicada ao Surrealismo, emprestando a Colecção
Berardo quase todas as obras do movimento artístico.
Comissariada por Jean-François Chougnet e com a colaboração
de Romaric Sulger Büel, a mostra foi vista por cerca
de 750 mil visitantes, inscrevendo um enorme sucesso no
panorama cultural.
É sob esta condição que o Comendador
Berardo vai ser cada vez mais visto no Brasil. Ainda, no
passado dia 16 de Maio, o Museu de Arte de São Paulo,
inaugurou a mostra, intitulada Arte na França 1860-1960:
O Realismo, ostentando cerca de setenta obras vindas de
importantes museus franceses e da Colecção
Berardo, às quais se juntaram mais de cinquenta do
acervo do MASP, compondo deste modo uma importante exposição
de arte comemorativa ao “Ano da França no Brasil”.
Courbet, Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Cézanne,
Balthus, Millet, Dérain, Miró, Dalí
e Picasso são alguns dos artistas que integram a
exposição.
Tendo adquirindo a colecção de arte popular
do Professor Paulo José Pardal, nascido em Niterói
em 1928, prepara actualmente, um museu na Barra de São
João, perto de Búzios, que deverá inaugurar
até ao final deste ano. Após uma longa discussão
sobre possíveis locais para partilhar com o grande
público estas obras, considerou que esse seria o
lugar ideal, não só pela relação
com o povo português, proporcionando o
casario do século XVII, uma viagem ao passado colonial
brasileiro, onde a história do sítio se confunde
com a dos descobrimentos do Brasil, mas também, pela
beleza natural, que inspirou extraordinários poetas
como Casimiro de Abreu e Carlos Drummond de Andrade. No
novo espaço museológico serão expostas
cerca de 500 peças, entre as quais as Carrancas do
médio São Francisco, manifestação
de arte popular genuinamente brasileira; arte sacra, incluindo
ex-votos e arte africana.
Do espólio adquirido
ao Professor Pardal destacam-se as valorizadas obras do
artista Chico Tabibuia, conhecido pelas monumentais e eróticas
esculturas.
Homem de negócios, espalhados pelos quatro cantos
do Mundo, pioneiro em diversos sectores, coleccionador de
arte e filantropo, o Comendador Berardo, faz questão
de frisar que a sua relação com o Brasil é,
também, uma forma de homenagear o seu povo, pela
forma como tem recebido os portugueses.
Embora tenha investimentos em Terras de Vera Cruz, deixa
bem explícito, que a sua relação com
o país, e a forma que pode contribuir para o seu
desenvolvimento, é através da via cultural.
Na verdade, já em 2007 foi-lhe concedida a Medalha
Tiradentes, pelo deputado Jorge Picciani, Presidente da
Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Medalha
destinada a agraciar civis e militares, que se destaquem
pelo seu valor pessoal, e tenham prestado relevantes serviços
à causa pública do Estado do Rio de Janeiro.
No caso de Berardo, esta condecoração fica
a dever-se à ligação com a área
cultural. Pela mesma ocasião, em Maio de 2007, foi-lhe,
ainda, concedido o Título de Cidadão Honorário
do Estado do Rio de Janeiro.
Fundação
Berardo
Madeira – Portugal
Leia
também:
Igreja
de São Francisco em Ouro Preto é eleita maravilha
portuguesa
Igrejas
brasileiras entre as maravilhas portuguesas incrementam
turismo