terça-feira,
20 janeiro, 2009 10:15
Negro
na Casa Branca
A presença de
Barack Obama e sua família na Casa Branca, que entraram
pela porta da frente e com maciço apoio popular,
consolida e é resultado da luta histórica
de gerações de militantes negros. Das quais
todas engajadas em diferentes pólos da luta pelos
direitos civis nos Estados Unidos. Obama chegou lá
porque seu país lhe proporcionou uma acertada política
de ações afirmativas.
Agora um setor avançado da intelectualidade negra
tem pela frente um grande desafio de gestar a administração
obamista que inicia-se tendo o desbloqueio econômico
à Cuba como possível tarefa de relevo, cuja
restrição atrapalhou a edificação
societária da ilha socialista.
Também ronda a seara do presidente negro a necessidade
de pôr um ponto final na ocupação do
Iraque com a imediata retirada das tropas norte-americanas
desse país. Outros temas da agenda das relações
internacionais ainda são uma incógnita de
como Barack Obama vai proceder sem desacordar seus aliados
de primeira linha. Desses, e o que mais interessa ao Brasil,
é o tema da política de subsídio agrícola
dada pelos Estados Unidos a seus agricultores. Para Brasil
e Mercosul essa questão tem importância delicada,
já que uma política menos restritiva pode
destravar a produção e comercialização
de alimentos no mundo.
Provavelmente, o primeiro
presidente negro dos Estados Unidos não vai alterar
a atual rota dos acontecimentos do Consenso de Washington,
muito menos os rumos da Doutrina Bush e nem vai mudar a
Nova Ordem Mundial, pela qual os Estados Unidos impõem
sua dominação bélica ao resto dos países.
Seu governo representa, sim, a possibilidade de construção
de diálogos pontuais que envolvam a necessidade de
inversões de prioridades nas políticas públicas
para atender significativa parcela dos excluídos
do capitalismo.
Essa é a principal
missão dele enquanto clamor popular. O fato de Obama
ser negro é dos menores elementos desse jogo político.
Na medida em que
para manter o atual status imperialista e belicista todas
as matizes étnicas são bem vindas ao processo
eleitoral dos Estados Unidos. Mesmo porque só interessa-nos
a questão racial quando essa discussão está
a serviço de um projeto de emancipação
social como perspectiva de construção de uma
nova sociedade fraterna e igualitária. Barack
Obama, por enquanto, está restrito apenas a construção
desses diálogos paliativos.
Obama tem a chance de
reverter o quadro da estagnação sócio-ambiental
para construir uma nova correlação de forças
direcionando o país para a governança realmente
democrática e antenada aos anseios da paz e respeito
à autodeterminação dos povos e tem
a obrigação de anunciar medidas efetivas para
superar a hodierna crise do capitalismo que está
eliminando diversos postos de trabalho em quase todos os
países do planeta. Portanto, no caso de Obama, a
esperança é negra e vem coroada pela esperança
de uma nova atitude política na América do
Norte.
Alexandre
Braga é coordenador de Comunicação
da Unegro-União de Negros Pela Igualdade-MG e membro
do Fórum Mineiro de Entidades Negras-FOMENE.
bragafilosofia@yahoo.com.br