terça-feira,
19 maio, 2009 18:54
Cesta
básica da saúde é necessidade urgente
A cesta básica
é uma moeda forte no Brasil, encarada como um benefício
para o trabalhador já que colabora para minimizar
os gastos com alimentação. Isso ocorre mesmo
com o alerta dos nutricionistas para o desequilíbrio
nutricional de alguns itens que a compõem.
A cesta básica não contempla toda a diversidade
de nutrientes necessários para uma alimentação
saudável no que se refere aos macro e micronutrientes.
Tampouco é suficiente, na grande maioria dos casos,
para alimentar todos os dependentes de quem a recebe.
Pouco arroz, muito óleo, ausência de carnes,
frutas, legumes ou vegetais. Por outro lado, a cesta traz
excesso de colesterol, gorduras trans e açúcares,
presentes nos biscoitos, bolos e outros supérfluos
por vezes incluídos de modo a torná-la mais
atraente.
Outra faceta importante da cesta básica é
ter se tornado, ao longo dos anos, um parâmetro econômico.
O próprio Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) utiliza a cesta
básica em diversos estudos para aferir, por exemplo,
quanto se trabalha nas distintas regiões do país
para poder adquiri-la. E o resultado não é
animador. Em março de 2009, o paulistano levou quase
105 horas para comprar a chamada ração essencial,
que custa na capital, em média, R$ 222,00. A cidade
mais cara foi Porto Alegre, onde se trabalhou quase 113
horas para adquirir os mesmos alimentos ao custo de R$ 238,73.
Num país onde o salário mínimo é
R$ 465,00, estes valores parecem exorbitantes visto que
o brasileiro ainda tem que se preocupar, no mínimo,
com moradia e saúde. A saúde, aliás,
é um item com infinitos desdobramentos. Especialmente
se imaginarmos que o salário mínimo é
recebido por milhares de brasileiros usuários de
medicamentos caros e de uso contínuo para controle
de doenças crônicas, como hipertensão
ou diabetes. Por que, então, não incluir estes
medicamentos na cesta básica e criar uma espécie
de cesta básica da saúde? Anticoncepcionais,
preservativos, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, hipoglicemiantes
orais, insulinas e outros itens tão importantes,
também deveriam chegar com a mesma facilidade à
casa do cidadão, mas sempre sob orientação
médica – a continuidade da cesta básica
da saúde fica vinculada à renovação
periódica do receituário.
Ou alguém acha que na falta de dinheiro o pai de
família irá optar pelo remédio em detrimento
da comida para alimentar esposa, filhos e dependentes? Esta
é a triste realidade do trabalhador. A opção,
é claro, jamais será pela sua saúde,
que deteriorada, acabará por comprometer o rendimento
no trabalho. Mais cedo ou mais tarde, este mesmo cidadão
estará próximo de perder o emprego, deixando
mais do que nunca, sua família desamparada.
Talvez, nesta hora, seja tarde demais para a inclusão
de medicamentos essenciais na cesta básica da saúde.
Portanto, essa é uma batalha para ser vencida já,
com o apoio de toda a sociedade, e especialmente daqueles
que não têm que escolher entre sua saúde
e outras tantas necessidades básicas.
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade
Brasileira de Clínica Médica
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