A França resolveu
rever o alto custo dos 36 caças Rafale, ponto mais
desfavorável aos franceses na disputa com os fornecedores
suecos (da Saab) e americanos (da Boeing), e, também,
conceder ao Brasil exclusividade nas vendas do jato na
América Latina para que o acordo seja firmado.
Os americanos reagiram,
imediatamente, e informaram ao governo brasileiro que
a proposta de transferência de tecnologia só
foi aprovada pelo Congresso norte-americano no último
dia 5 setembro.
"A Missão
dos Estados Unidos no Brasil recebeu diversas indagações
sobre a situação da proposta da Boeing para
a concorrência dos caças FX-2. Entendemos
que uma decisão final ainda não foi tomada
em relação ao vencedor do contrato. O F/A-18
Super Hornet é um caça de avançada
tecnologia testado em combate e acreditamos que é
o melhor em comparação com seus concorrentes.
O governo dos EUA apóia totalmente a venda do F/A-18
Super Hornet à Força Aérea Brasileira.
(...) Isso significa
que a aprovação do Governo dos Estados Unidos
para transferir ao Brasil as tecnologias avançadas
associadas ao F/A-18 Super Hornet é definitiva.
O governo aprovou também a montagem final do Super
Hornet no Brasil.”
- Submarinos nucleares
Segundo o assessor
especial da Presidência para Assuntos Internacionais,
Marco Aurélio Garcia: "A questão essencial
nessa escolha (submarinos franceses) é a troca
de tecnologia, que os outros países não
fizeram. Não vamos mais às compras, mas
vamos co-produzir os nossos armamentos. E isso tem importância
para o atual quadro de defesa da América do Sul".
O jornal O Globo,
não menciona que a proposta alemã era apenas
para a construção de dois submarinos convencionais
(propulsão diesel-elétrica) e que a Marinha
alemã não pode transferir tecnologia de
construção de submarinos nucleares porque
simplesmente não a possui.
A proposta francesa,
por sua vez, inclui a construção, no Brasil,
de quatro submarinos convencionais, que, através
de transferência de tecnologia, capacitarão
o País fabricar seus próprios submarinos
com propulsão nuclear.
A proposta inclui,
também, a construção de um estaleiro
para a fabricação de submarinos e de uma
nova base naval, para os submarinos nucleares. A tecnologia
nuclear do submarino será integralmente nacional,
desenvolvida pela Marinha do Brasil.
- Cel Gélio
Fregapani
Mais uma vez me socorro
da lucidez e do conhecimento estratégico militar
de meu caro amigo Coronel Gelio Fregapani sobre a análise
sobre a compra dos caças e submarinos nucleares
pelo governo brasileiro transcrevendo parte de se Comentário
nº 50, de 13 de setembro de 2009.
- Si Vis Pacem Bellum
(Cel Gélio Fregapani)
“Se nosso objetivo
é dissuadir, torna-se imperioso fazer com que o
preço de qualquer agressão seja mais caro
do que o possível lucro. Isto inclui a capacidade
de causar danos na defesa e a capacidade de retaliar.
Dentro dessas premissas, concluímos:
1. A melhor forma
de dissuadir uma agressão é poder responder
(retaliar) com um ataque nuclear. Quem tiver armas atômicas
e meios de lançá-las sobre o país
do agressor, estará livre de ataques militares
e até mesmo de pressões insuportáveis.
Submarinos nucleares sempre terão sua importância,
mas só serão eficiente arma de dissuasão
se dotados de mísseis com ogivas nucleares, capazes
de atingir, das proximidades da costa, centros vitais
do país agressor. Aumentando as tensões,
teria que ‘viver’ no mar, incógnito,
para evitar ser destruído no porto.
2. Se tratando de
aviões, os únicos que poderiam retaliar
seriam os Sukoy russos, pela autonomia. Para o combate,
como plataformas de tiro, melhores ou piores, todos cumprem
satisfatoriamente suas missões. O desempenho depende
mesmo é do armamento e dos ‘avionics’.
Contra um inimigo infinitamente superior, independente
do tipo da aeronave, não teríamos chance
de vitória ou de causar dano expressivo, mas provavelmente
os nossos seriam destruídos ainda em terra. Neste
caso a sobrevivência dependerá do sucesso
em ocultar o local de guarda, o que favoreceria a escolha
de aviões de pouso e decolagem vertical, mesmo
em detrimento de outras características. Ainda
assim, quaisquer dos que comprarmos serão úteis
para manter a respeitabilidade entre e os vizinhos e,
principalmente, para inibir (e combater), firmas de segurança
tipo Blackwaters e Halliburton eventualmente contratadas
pelas ONGs indigenistas para garantir a independência
das reservas.
3. Em terra, não
há como se enfrentar, em campo raso, exércitos
infinitamente superiores, mas podemos desafiá-los
com guerrilhas na selva, nas cidades e nos sertões,
desde que haja população brasileira no local.
Ainda que seja mínima a capacidade de retaliação
– a não ser sobre os aliados do país
mais forte – a capacidade de causar dano, de cobrar
um preço caro demais pela agressão, dependerá
de adequarmos o armamento, o equipamento e os procedimentos
para a nova realidade.
A mobilidade ainda
crescerá de importância, mas não as
blindagens; motociclos e ‘boogies’ armados
com mísseis devem substituir os dispendiosos e
vulneráveis carros de combate (tanques). De vital
importância serão os mísseis portáteis
e as armas manejadas e controladas a distância,
as minas e o jogo de sensores. Entretanto a chave da vitória
será sempre a existência de uma população
local, armada e imbuída de decisão de defender
a Pátria. Só isto que deixa uma região
inconquistável.
Isto evidencia o erro
estratégico de interditar a fronteira aos não-índios.
Só poderemos reverter a bobagem que fizemos, permitindo
garimpos nas reservas”.
- Parceria com a França
(Cel Gélio Fregapani)
“Há lógica
na definição da parceria militar com a França.
Lógica, comercial, mas principalmente política.
A França e o Brasil se unem, não contra
os EUA, mas de alguma forma para fugir da sua influência.
Na época da
bipolaridade, razões históricas e geográficas
nos colocaram como aliados menores (satélites)
dos EUA, o que, se não foi vantajoso pelo menos
cumpriu a finalidade da segurança. Com a queda
do mundo comunista, todos ficaram na incomoda posição
de subordinação à hegemonia Norte-Americana,
reconheçamos, bem mais suave do que as anteriores,
mas nela não mais havia motivo para contemporizar
com seus aliados e se ampliaram as desconfianças
pré-existentes na medida em que disputavam o controle
dos recursos naturais. Mesmo antes da crise, o futuro
já apontava para uma tendência ao poder multipolar,
cada grupo com um líder e seus satélites.
Numa comparação
doméstica, Colômbia e Peru aprofundam a sua
ligação com os EUA, aliás, de dependência.
A Venezuela, o Equador e a Bolívia voltam-se para
a Rússia, em alianças também desequilibradas,
enquanto o Brasil tende a optar pela França, formando
um bloco onde ambos os parceiros tem a mesma importância.
A orgulhosa França
secularmente procura não se submeter a hegemonias,
mas mesmo sendo um dos mais sofisticados tecnologicamente,
não dispõe de base física para, sem
alianças, ser um dos pólos de poder mundial.
O Brasil, um país continental, com a Amazônia,
mercado crescente, com produção agrícola,
biocombustíveis e agora com o pré-sal, sem
falar das maiores jazidas de urânio do planeta,
torna-se para a França, o parceiro ideal. Poderia
também ser o parceiro ideal para outras potências
tecnológicas sem a base física, pois nenhum
bloco pode ser significativo sem os recursos naturais
de um país-continente. Foi uma questão de
escolha.
Na parceria houve
interesse estratégico. Para nós, a certeza
da transferência de tecnologia propiciará
o avanço que almejamos e em troca a França
certamente visa, mais do que a mercados, ao acesso a recursos
naturais escassos no mundo, entre os quais, sou capaz
de apostar, o urânio. Vale lembrar que a França
é uma potência nuclear. Por que não
podemos ser também?
Prosseguindo esta
parceria como esperamos, será formado um novo centro
de poder a altura dos demais, mas onde os parceiros serão
iguais e complementares”.
Por
Cel Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 14 de setembro
de 2009.
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar
Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira
(SAMBRAS)
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br