quinta-feira,
11 novembro, 2010 22:16
Perda
de credibilidade
Marcos
Assi e Rodrigo Cardozo *
A ferida aberta no Banco PanAmericano traz à tona
novamente temas importantes como governança corporativa
e a real importância do sistema de controles internos
nas instituições financeiras.
Partindo do princípio
de que não houve um grande conluio envolvendo diversos
departamentos e seus níveis hierárquicos,
é inadmissível que áreas como controles
internos e auditoria interna não tenham levantado
os pontos referentes às manipulações
contábeis. Na prática, o que se observa em
muitos casos é o despreparo dos profissionais responsáveis
pelo sistema envolvendo riscos, compliance e auditoria interna,
tendo em vista que, para algumas instituições,
a implantação destas estruturas foi uma obrigação
do Banco Central (BC).
O resultado é
a incapacidade de dialogar com as áreas de negócios
e terem as suas atividades consideradas como mera burocracia
e empecilhos aos negócios. Outro ponto importante
diz respeito à menor remuneração dos
profissionais de controles nestes bancos, comparando-se
ao que é observada nas áreas que são
justamente o objeto de controle, como controladoria, tesouraria
e área comercial.
É evidente que
há um estímulo ao surgimento de comportamentos
conflitantes com a função de gerenciamento
de riscos e controles. O que se põe à prova
é a eficácia destas estruturas e o valor que
as mesmas podem agregar às suas instituições,
quando a alta administração não está
diretamente envolvida e convencida da real importância
destas áreas.
Quando comentamos sobre
o envolvimento e capacitação da alta administração
e do conselho de administração, muitas pessoas
olham com desconfiança sobre estas informações,
mas quando acontecem fatos como este vem à tona a
verdadeira função do conselho de administração
e das auditorias externas. Será que não é
momento de exigir mudanças neste modelo atual de
gestão e revisão? E uma pergunta paira no
ar: será que ninguém viu ou identificou estas
operações deste tamanho?
O IBGC (Instituto Brasileiro
de Governança Corporativa) vem buscando criar a certificação
dos conselheiros, mas será o suficiente? Os contadores
e auditores não possuem registro no CRCs (Conselhos
Regionais de Contabilidade), que habilita na elaboração
e na auditoria das informações contábeis?
Não diretamente
ligada a este caso específico, por se tratar de fraude,
mas também importante para esta seara, se refere
aos modelos de remuneração variável
utilizados pelos bancos. Pagamentos baseados em ações
(Stock Options), ferramenta fantástica na remuneração
dos profissionais, como fica? E a perda dos investidores?
E a credibilidade dos profissionais de contabilidade, auditoria
e sem contar o mercado financeiro? Quem paga a conta?
* Marcos Assi
é coordenador e professor de MBA da Trevisan Escola
de Negócios e consultor de Governança, Riscos
Financeiros e Compliance; e Rodrigo Cardozo
é Compliance Officer, economista pós-graduado
em Produtos Financeiros e Gestão de Risco.
Camila
Del Nero | Ricardo Viveiros