sábado,
12 fevereiro, 2011 11:20
Luz
de moralidade
Li na revista Veja elogios
à postura do novel deputado federal, José
Reguffe (PDT-DF), acerca dos gastos públicos parlamentares.
Se tudo for verdade, os meus parabéns. Que os demais
pares acompanhem o seu comportamento, e que o deputado traga
ao Parlamento luzes de moralidade, porque a coisa está
feia...
O referido deputado
simplesmente “abriu mão do 14º e do 15º
salários, reduziu o número de assessores no
gabinete, cortou gastos com salários de assessores
e diminuiu sua verba de atividade parlamentar. Como morador
de Brasília, naturalmente também abriu mão
do auxílio-moradia e das passagens aérea (Veja).”
Na Suécia, os
gastos com os parlamentares são extremamente controlados.
Lá, o dinheiro público não constitui
farra parlamentar. Por que aqui é diferente? Porque
faltam seriedade e caráter na maioria de nossos políticos.
A política para
muitos representa cabide de emprego ou meio para atingir
os seus inconfessáveis interesses. Uma das causas
da corrupção política brasileira é
a reeleição parlamentar. Mandato político
não é profissão, é cargo transitório.
Ninguém é insubstituível. A oxigenação
é necessária para renovar e dinamizar as ideias
políticas, bem como combater a acomodação
e a mesmice de velhos políticos. O Parlamento - todo
renovado em cada legislatura -, deveria ser uma regra, pois
seria de grande eficácia para o país, e acabaria
com o "político profissional" e o cabide
de emprego.
Outra excrescência
democrática é o voto obrigatório. O
voto obrigatório tem levado ao Parlamento muitos
políticos solertes, indecorosos e incompetentes.
O voto facultativo é o voto de qualidade, que seleciona
melhor o Parlamento. É o voto que expressa a decisão
voluntária de cada cidadão. É o voto
que certamente não elegeria os "tiriricas da
vida".
Outra coisa que tem
de mudar: os serviços nos gabinetes de parlamentares
deveriam ser operados por funcionários exclusivamente
concursados das carreiras específicas do Congresso
Nacional, admitidos para esses fins, pondo termo à
verba de gabinete e assessoria. Somente alguns tipos de
consultoria técnica específica poderiam ser
objeto de despesas especiais para contratação
externa, mas com autorização dos presidentes
do Senado ou Câmara Federal.
Vejamos como funcionam
numa empresa pública os casos de verbas de gabinete
e assessores. Por exemplo, quando é empossado um
novo presidente do Banco Central ou nova diretoria, toda
a assessoria de gabinete é exercida por funcionários
de carreira da própria instituição.
Por que no Congresso Nacional tem que ser diferente? Ou
o cabide de emprego político para beneficiar os apaniguados
- amigos, parentes, namorados/as -, não pode ser
alterado?
Júlio
César Cardoso | Bacharel em Direito e servidor federal
aposentado
Balneário Camboriú-SC