segunda-feira,
7 março, 2011 19:56
Deixe
a mulher trabalhar
Alexandre Braga
“Um tapinha não
dói”. Por causa dessa falácia milhares
de mulheres estão sendo trucidadas por companheiros
e familiares, através do assédio sexual e
moral, pelo qual o feminino na sociedade regride no nível
da barbárie.
Na África, como
é o caso do Sudão, Líbia, entre outros,
alguns dos vários episódios que acontecem
de violência corpórea contra a mulher são
amplificados em número e grau por influência
do fator teológico. Isto é, cultores da religião
mulçumana discriminam, impõem humilhantes
códigos morais e estupram meninas ainda crianças
sem qualquer punição.
No Brasil, como é
o caso de Pernambuco e Ceará, entre outros estados
da Federação, campeões de violência
doméstica contra mulheres, alguns dos vários
episódios dessa violência são amplificados
em número e grau por influência do fator socio-econômico.
Aliás, de maneira geral, é o fator econômico
que mais impulsiona, para o bem e para o mal, as relações
humanas. Desde que surgiu a divisão social do trabalho
e a propriedade privada a humanidade nunca mais foi a mesma.
Claro, a mulher conseguiu
certa mobilidade no mundo do trabalho, no lar e no consórcio
amoroso. Essa ascensão veio somar energia sofisticada
à força produtiva, cujo resultado é
o aumento das doenças no trabalho e a piora da sua
qualidade de vida. No resto, para ambos, macho e fêmea,
o desemprego, a desestruturação familiar,
a exploração da mão de obra e o sofrimento
social repercutem-lhes de maneira diferenciada.
Tudo isso acontece com
a mulher de maneira mais intensa: há contra as mulheres
o racismo e o machismo, que são disseminados pela
indústria cultural a serviço de uma ideologia
que visa perpetuar a dominação de uma classe,
a burguesa, sobre os demais grupos da sociedade. Portanto,
é preciso contabilizar a questão de classe
na violência cotidiana contra as mulheres.
É necessário
levar em conta tantos fatores que, juntos, amalgamam o desrespeito
pela mulher na nossa sociedade, dita urbano-ocidental, e
na sociedade secular, como a africana. Também é
muito bom para o avanço da emancipação
feminina a eleição da primeira mulher eleita
presidenta e a segunda a comandar o Brasil, Dilma Rousseff.
Antes, o país já havia sido dirigido pela
princesa Isabel, nos anos dourados da nossa Monarquia, conforme
registra a historiografia oficial, e por Barbara Alencar,
durante o governo revolucionário pernambucano na
época dos acontecimentos de 1817.
Mas o caminho para a
igualdade de gênero de fato ainda é longo.
Em que pese intensas programações para a superação
do feminocídio, os dados concretos das delegacias
e órgãos de defesa dos direitos da mulher
apontam uma escalada paulatina dessa violência. E
os períodos de férias e o Carnaval indicam
que haverá aumento nas estatísticas. Mas o
que realmente piora tudo isso, e nesse caso a própria
posição de destaque de Dilma Rousseff presidenta,
pode não conseguir extirpar é a participação
da cultura e da indústria cultural, que ainda não
têm uma visão societária correta da
mulher na sociedade. Os exemplos do baixo papel exercido
pelas mulheres, no Ocidente quanto no Oriente, dão
uma pista da enorme tarefa que temos para lutar pela emancipação
humana.
Alexandre
Braga é coordenador de comunicação
da UNEGRO-MG, Conselheiro Municipal de Igualdade Racial
de Belo Horizonte e Tesoureiro do Forum Mineiro de Entidades
Negras. bragafilosofia@yahoo.com.br