terça-feira,
31 maio, 2011 8:58
O estado
não pode ser o tutor de nossas vidas
João
Francisco Salomão
Nos tempos atuais, há uma verdadeira “febre”
de patrulhamento e controle das atividades dos indivíduos
mundo afora. Muitas pessoas acreditam, às vezes de
forma inocente, que o estado tudo deve controlar. Essa crença
pode levar a grandes equívocos.
A revista “Veja”, em sua edição
nº 2216, de 11 de maio deste ano, traz entrevista com
o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, definido pela
publicação como “uma das vozes mais
potentes em defesa da liberdade individual”.
Faço minhas as palavras do filófoso. Durante
oito anos de gestão frente à Fieac e, mesmo
como empresário e empreendedor, enfrentei o excesso
de regulamentações, os decretos, as leis que
querem controlar os cidadãos brasileiros em todos
os setores de atividade, chegando até mesmo a intrometer-se
em nossa vida pessoal.
As crises sofridas pelo capitalismo nos últimos tempos
forneceram excelentes motivos àqueles retrógrados
que ainda querem colocar em campos opostos o capitalismo
e a democracia. As crises são naturais no capitalismo
e, em um sistema verdadeiramente democrático e livre,
o estado deve respeitar os mais simples direitos dos cidadãos.
O direito à propriedade, a garantia aos contratos
firmados, a liberdade de escolha, são básicos
e devem ser respeitados. A democracia não é
apenas podermos escolher nossos representantes políticos
por meio de eleições livres e limpas. Sua
amplitude é muito maior: nosso direito vai desde
a escolha da compra de um imóvel; onde nossos filhos
devem estudar; se queremos ser fumantes ou não; se
queremos tomar determinado remédio, enfim, tudo isso
faz parte da liberdade individual.
Como cidadãos, temos de nos conscientizar de que
o governo não pode ser o tutor de nossas vidas. Nossos
poderes, principalmente o judiciário, são
reféns de uma legislação administrativa
feita em sua maioria por órgãos estatais.
Questões indígenas, raciais e ambientais formam
uma verdadeira frente única de cerceamento dos direitos
da maioria.
Movimentos à esquerda, como o MST e a Pastoral da
Terra ainda insistem na limitação dos direitos
de propriedade, mas uma parcela da sociedade desenvolvida
e da imprensa têm se manifestado contra essa orientação
seguida pelos governos anteriores e exacerbada no final
do mandato do presidente Lula.
Se formos pesquisar a história, é impossível
achar uma nação livre que tenha resistido
ao cerceamento do direito à propriedade: ele é
um estímulo poderoso ao desenvolvimento da sociedade
e não pode, de forma alguma, ser desprezado, assim
como os outros direitos que nós, cidadãos
brasileiros, temos o dever de defender.
João Francisco Salomão
é o presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Acre — FIEAC