terça-feira,
28 junho, 2011 20:59
O
Brasil sem miséria
Alexandre Braga
Durante os últimos
oito anos houve significativa redução das
desigualdades na América Latina, como é o
caso especial do Brasil da era Lula. No entanto, ainda persistem
mazelas que cancerizam o tecido social da nação
brasileira, na qual 16,2 milhões de cidadãos
e cidadãs vivem num ambiente de extrema pobreza.
É para pôr
fim a essa chaga que o governo federal lançou o Plano
Brasil Sem Miséria, cujos beneficiados recebem uma
renda per capita de até R$ 70,00. 59% deles estão
morando na região Nordeste e na zona rural, o que
equivale a nove milhões de pessoas, portanto, em
um quadro geral, a maioria tem 19 anos de idade, suas casas
não têm tratamento de esgoto ou fossa séptica,
70,8% são negros e 25,8%, analfabetos.
Todo esse conjunto de
cifras demostra que o Brasil Sem Miséria é
um plano ousado pela dimensão sociourbanística
e pela grandeza política, pois o desafio de projetos
como este é amalgamar a multidemensionalidade da
pobreza, ou seja, há múltiplos indicadores
cuja insuficiência de um deles já formata uma
teia de deficiências que foram coroando o Brasil como
país campeão absoluto das desigualdades.
Isso por causa do tipo
de exploração econômico-financeira (capitalismo
tardio e dependente, passado escravista), desinteresse político
nas causas do povo e preconceitos arraigados. Já
que entre os brasileiros que vivem na extrema pobreza há
falta de saneamento, sobram relatos de abandono escolar,
os rendimentos não cobrem as mínimas despesas
com a alimentação e os conflitos agrários
elevam a temperatura do ambiente, com chacinas e homicídios
denunciados, inclusive, fora do país.
Nesse cenário
conturbado, o Brasil Sem Miséria pretende universalizar
os direitos sociais, promover a inclusão produtiva
e aumentar o acesso aos serviços públicos
por meio do Cadastro Único dos Pobres onde estes
terão reajustadas as políticas de transferência
de renda, como o Bolsa Família. Economicamente, pretende
incentivar o microempreendedorismo individual e o microcrédito
para sanear as reservas de crédito e aumentar o número
de membros da classe média brasileira.
Todavia, e apesar da
urgência urgentíssima de ações
como as do Brasil Sem Miséria, há uma pequena
desconfiança na aplicabilidade e na capacidade logística
do plano em atingir os seus reais focos e, de quebra, não
valorizar o protagonismo do público envolvido subestimando
as demandas específicas de seus beneficiados e também
não cruzando, com uma tecnologia de informação
adequada, um banco de dados central para valorizar as políticas
públicas congêneres que já estão
em funcionamento.
No geral, o governo
federal deu uma cartada certeira, pois o Plano Brasil Sem
Miséria é o programa social jamais visto e
posto em prática na história do Brasil para
eliminar a pobreza e a fome. Antes disso, somente o governo
de Dom Pedro II fez tantas epopeias mirabolantes para colocar
o Brasil no centro do mundo ou trazer para a terra brazillis
algum punhado de dignidade que justificasse a pecha de nação.
Mas Dom Pedro II concentrou-se em projetos arquitetônicos
como a construção da Biblioteca Nacional,
do Instituto Histórico Brasileiro, da Estrada de
Ferro Petrópolis, do Imperial Observatório
e da aquisição dos primeiros 100 aparelhos
de telefone e de fotografia, entre outros, sem foco no ser
humano.
Alexandre
Braga é Presidente estadual da UNEGRO – União
de Negros Pela Igualdade, em Minas Gerais e Estudante de
especialização em gestão de políticas
públicas pela Universidade Federal de Ouro Preto-UFOP