terça-feira, 3 janeiro, 2012 13:04
Negócios
responsáveis
Há algum tempo,
percebemos que o tema “responsabilidade” tem
adquirido dimensão e importância cada vez maiores,
relacionando-se a áreas como a social, ambiental,
moral, ética...
Hoje, tornou-se fator
inerente e está na pauta de discussão de qualquer
atividade desenvolvida por indivíduos, grupos, instituições,
entidades, governos ou corporações. E é
justamente a amplitude com que a “responsabilidade”
tem sido assumida pelos diferentes agentes da sociedade
que vem atingindo patamares inimagináveis, quando
a comparamos com referências de um passado não
muito distante.
Um exemplo da evolução
dos padrões de responsabilidade – seja por
exigência dos consumidores, de governos, de instituições,
de princípios sociais, ou, até, por iniciativa
das empresas – pode ser percebido no conteúdo
de três resoluções firmadas durante
o “The Global Summit 2011” (Encontro Global
2011), evento realizado este ano, em Barcelona (Espanha),
pelo “The Consumer Goods Forum” (Fórum
dos Bens de Consumo), rede mundial de líderes do
varejo, indústria de alimentos e bebidas, bens de
consumo e prestadores de serviços dedicada a iniciativas
relacionadas aos seguintes pilares estratégicos:
tendências emergentes; sustentabilidade; saúde
e segurança; excelência operacional; troca
de conhecimentos e desenvolvimento de pessoas.
As três resoluções
aprovadas, debatidas por um grupo de líderes empresariais
eespecialistas e que serão sugeridas como princípios
às corporações de todo o mundo, estabelecem
os seguintes objetivos: garantir o acesso e a disponibilidade
de produtos e serviços que estimulem entre as pessoas
a adoção de dietas e estilos de vida mais
saudáveis; oferecer informações transparentes
que auxiliem o consumidor a tomar decisões embasadas;
e desenvolver programas educacionais para ampliar a consciência
e estimular a adoção de estilos de vida mais
saudáveis.
É interessante
perceber a preocupação dos líderes
empresariais em contribuir para a solução
de problemas que, em um primeiro momento, poderiam ser qualificados
como de saúde pública. Mas, afinal, as empresas
têm de ser responsáveis a ponto de estimular
hábitos mais saudáveis, mesmo que isso possa
aparentemente afetarseus próprios interesses comerciais?
A resposta é um definitivo sim.
Mesmo diante do apelo
do livre consumo, o mercado (formado em sua base justamente
por consumidores) exige que as empresas ofereçam
produtos e serviços saudáveis às pessoas
(e até, eventualmente, aos animais), atuem com responsabilidade
e demonstrem, de fato, suas preocupações e
atitudes nesses sentidos. Para chegar a isso, é imprescindível
desenvolver uma comunicação transparente,
que agregue informações esclarecedoras para
orientar as pessoas no sentido de tomarem as decisões
mais oportunas em cada caso. Também é essencial
contar com o apoio de dados, informações,
pesquisas e apurações científicas que
deem suporte adequado à confirmação
de que tais produtos e serviços oferecidos são
realmente saudáveis como se indica.
Cuidar para que o consumidor
saiba o que é bom para si ou para seus familiares
e semelhantes passou a ser uma obrigação das
empresas. Ser responsável significa atuar pensando
em todos os impactos que as corporações podem
provocar, seja no que diz respeito às pessoas, ao
meio ambiente ou à sociedade como um todo. É
tarefa, portanto, das organizações exercitar
de modo transparente e inteligente a adequação
de produtos e serviços, seus processos e suas relações
com seuspúblicos. Nesse sentido, é preciso
investir forte no uso da criatividade, em pesquisa e inovação.
A equação é simples: oferecer produtos
e serviços confiáveis, somado a uma atuação
responsável dedicada a todos as entidades que dão
forma à sociedade, resulta em melhor percepção
do que as corporações têm a oferecer
e de sua própria existência, o que redunda,
em geral, em resultados melhores e sustentados.
Além disso,
países como o Brasil, em que os recursos naturais
disponíveis têm sido verdadeiros garotos-propaganda
do avanço da atividade econômica, precisam
ter atenção redobrada em relação
à forma como suas empresas, instituições,
entidades e governos tratam e lidam com o meio ambiente,
especialmente no que diz respeito à exploração
e à gestão desses recursos, visando sempre
o tão desejado desenvolvimento sustentado.
Ao final, percebemos
que a noção de responsabilidade sobre o bem-estar
dos indivíduos, anteriormente considerada uma incumbência
do Estado, está hoje sendo dividida por toda a sociedade,
inclusive pelas empresas que a compõem. Essa não
é apenas uma tendência, mas sim um caminho
que vem se consolidando e que exigirá dos empreendedores
atenção e determinação para
que sigam no rumo acertado e garantam a sustentabilidade
do próprio negócio e dos sistemas que o envolvem.
Carlos Augusto Pires é sócio
responsável pelas áreas de Consumer Markets
- Brasil e Audit-SP da KPMG no Brasil