sexta-feira, 27 janeiro, 2012 22:39
A crise
do Judiciário
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Dorivan
Marinho/SCO/STF |
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Fachada
do Supremo Tribunal Federal |
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Alexandre Braga
O Poder Judiciário
vive um de seus momentos mais polêmicos na história
recente do Brasil. E isso tem a ver diretamente com a efetivação
do CNJ ( Conselho Nacional de Justiça), órgão
cuja competência foi deliberada pela Constituição
de 1988 para auxiliar a Justiça brasileira nos quesitos
da realização da transparência administrativa
e no controle processual da nossa magistratura.
Apesar de ter sido criado
em dezembro de 2004, só agora começa a dar
seus primeiros embates, que eram para ficar restritos à
seara eletrônica. Porém, com o vazamento de
atos e posturas estranhas ao exercício da excelência
jurídica, inclusive com movimentações
financeiras de enormes quantias por parte de servidores,
juízes e familiares destes, o CNJ transformou-se
numa verdadeira guerra midiática, em que cada qual
se defende contra a mais irrestrita alteração
dos privilégios, sejam do próprio CNJ, das
competências dos tribunais e de qualquer fiscalização
mais rigorosa nesses setores que sempre foram uma caixinha
de surpresa para a sociedade.
Em que pesem as ótimas
ações para levantar a moral dos nossos juízes,
como a realização de programas como campanha
em prol da Lei Maria da Penha, Casa da Justiça e
Cidadania, o Mutirão Carcerário e Crack Nem
Pensar, ao atacar tais ações do CNJ, algumas
correntes do Poder Judiciário, acabaram por enxovalhar
a própria institucionalidade jurídica de ambos.
Nunca se viu, em grau tão efervescente, a guerra
de posições entre magistrados, advogados,
imprensa e tribunais.
Todos e todas, no calor
dos trópicos, esqueceram-se de que o controle social
por parte da sociedade civil organizada e pela participação
direta dos cidadãos nos processos políticos,
econômicos, culturais e sociais é uma nova
realidade que a Carta Magna trouxe como uma contribuição
valorosa para dar continuidade para avançar a nossa
jovem democracia.
E, claro, quem tem culpa
no cartório deverá se explicar, guardados
os devidos ritos e a mais firme presunção
da inocência alheia. Contudo, essa atual crise do
Poder Judiciário já é vergonhosa, não
por trazer à tona desvios de conduta, erros de interpretação
ou ilícitos, mas por mostrar os bastidores de um
setor importante do poder político para a construção
democrática que ainda não se adaptou a essa
nova realidade participativa e midiática a qual o
Brasil inteiro tomou gosto, e que, cada vez mais, deverá
ser aprimorada.
Alexandre
Braga é Diretor Nacional de Comunicação
da UNEGRO - União de Negros Pela Igualdade e Presidente
da UNEGRO de Minas Gerais. - bragafilosofia@yahoo.com.br