sexta-feira, 13 julho, 2012 12:17
O que
faz a diferença na hora de encarar o mercado de trabalho
Felipe Barbosa
Miléo
Escolher uma profissão
vem sendo algo discutido há tempos. Geralmente, desde
que o aluno ingressa no ensino médio, o pensamento
de “não errar ao escolher a profissão”
quase sempre fica vinculado à ideia de carreira,
mas os jovens estudantes quase não conseguem distinguir
o “não errar” da carreira ideal.
Ao final do ensino médio,
alguns poucos sortudos possuem algumas qualidades e habilidades
que se fazem valer na escolha profissional. A fluência
na língua inglesa; vivência no exterior, decorrente
de intercâmbios culturais e acadêmicos; muito
mais afinidade com certos assuntos e matérias; entre
outras.
Passada essa primeira fase, durante
a faculdade alguns desses alunos estagiam em grandes empresas
no Brasil e no exterior e, ao terminar a faculdade, estão
empregados em grandes empresas, em grandes cidades, com
ótimos cargos. Aí vem a “2ª fase”
daquele pensamento de “não errar ao escolher”.
E agora? O que eu faço?
Continuo nesse ótimo cargo e construo um plano de
carreira? “Aventuro-me” e vou me especializar
na minha área acadêmica, talvez até
em outro país?
Na época, com 22 anos,
eu decidi que iria partir para a aventura. Como eu já
tinha a segunda língua e, nessa época, duas
experiências internacionais (no 2º ano da faculdade
trabalhei para a Walt Disney World Resorts num programa
de estágio que virou efetivo), consegui um trainee
operacional na seção hoteleira da 2ª
maior empresa de entretenimento do mundo – o Tussaud’s
Group UK – Inglaterra.
Ótimo. Como era um contrato
fechado, eu sabia quanto tempo teria para trabalhar, mas
já pensando no futuro. Durante o período de
um ano de contrato, descobri que a Universidade de Birmingham
tinha um núcleo dedicado a Turismo e Hotelaria. Gostei
da ideia e então realizei duas ações:
prestei a prova da Pós-Graduação em
Administração Hoteleira, juntamente com a
prova que me garantia 35% de bolsa de estudos na Universidade.
Consegui os resultados esperados e, de “bônus”,
conquistei um emprego na maior empresa de consultoria hoteleira
da Inglaterra.
As coisas estavam indo muito
bem e, portanto, eu não “tinha errado ao escolher”.
Fui promovido três vezes e estava feliz. Mas, depois
de vários anos, eu precisei voltar ao Brasil. Pensei
comigo: “Não haverá problemas. Com o
currículo que eu tenho, facilmente encontrarei um
bom emprego”.
Porém, a realidade não
foi bem essa. É aquela história: Quando você
tem pouco, não o contratam. Quando você tem
muito, também não o contratarão. Então
mudei de área. Entrei para a educação.
Virei professor de Inglês, fui me aperfeiçoar
e estudar mais ainda, pois, afinal, é uma área
que domino e eu poderia passar esse conhecimento para frente.
Hoje, trabalho no departamento de línguas estrangeiras
de uma grande empresa que fornece soluções
para a educação pública.
Mas na época da volta
ao Brasil, veio à minha mente a questão que
eu pensava que já tinha passado: “Será
que eu errei ao escolher?”. As perguntas continuam:
Será que, por acaso, toda essa experiência
não poderia ser usada em outras temáticas?
Será que se eu aproveitar meu conhecimento e souber
gerenciá-lo para outros processos, talvez não
se tornem até mais úteis?
Não tenha medo do novo,
não tenha medo de sair de sua zona de conforto. Eu
creio que o “errar ao escolher” pode se tornar
uma grande oportunidade a médio e longo prazo, se
você conseguir enxergá-lo como tal e, claro,
cada escolha precisa ser alinhada à parte acadêmica,
que é uma grande alavanca para a carreira.
Felipe Barbosa
Miléo é Orientador Educacional do
programa Línguas Estrangeiras na empresa Planeta
Educação (www.planetaeducacao.com.br). Pós
graduado em administração hoteleira pela University
of Birmingham, Inglaterra.
via
Cristina Freitas | Ex-Libris