Mensagem do
Sr. Ministro de Estado da Saúde, José Gomes
Temporão - Dia Mundial da Saúde Mental
Ontem, 09 de outubro,
o Governo Brasileiro participou do Lançamento do
Programa de Ação sobre Saúde Mental
da OMS, em Genebra, no qual houve o reconhecimento da importância
da experiência brasileira na ampliação
do acesso ao tratamento das pessoas que sofrem com transtornos
mentais.
Este reconhecimento se baseia nos importantes avanços
que a Política Nacional de Saúde Mental vem
conquistando nos últimos anos, tendo como diretriz
principal, a reorientação do modelo assistencial.
Neste ano, a Organização Mundial da Saúde
propôs o debate sobre a melhoria do acesso ao tratamento
e a redução das iniqüidades, com participação
social.
Temos avançado significativamente no aumento da cobertura
assistencial em saúde mental, na redução
das iniqüidades presentes em muitas regiões
do país. Houve uma importante expansão dos
serviços de saúde mental, sobretudo de CAPS,
com uma evidente interiorização destes serviços
no país.
Na data de hoje anunciamos a publicação de
uma portaria com a habilitação de 93 novos
CAPS. Temos, com isto, 1291 CAPS - Uma rede diversificada
e potente para aumentar a acessibilidade daqueles que sofrem
com transtornos mentais.
Mas é preciso qualificar este rede, cada vez mais.
Neste sentido, já repassamos entre 2007 e 2008 incentivos
para supervisão de 380 CAPS por meio de editais.
Será aberto novo edital, ainda em 2008, para mais
150 novos serviços. Com isto, quase metade dos CAPS
receberá incentivos para sua qualificação.
Pelos critérios do edital, foram definidas prioridades
por região (norte, centro-oeste e nordeste em primeiro
lugar) e pelo tipo do serviço (Caps AD, i e III,
depois I e II), buscando maior eqüidade. Os recursos
repassados a estados e municípios (R$ 10 mil por
CAPS/ano) servem à contratação de profissionais
qualificados para fazer a supervisão “clínico-institucional”,
que deve trabalhar a dimensão clínica mas
deve sempre levar em conta o contexto institucional, isto
é, o serviço, a rede, a gestão, a política
pública.
Na perspectiva da ampliação do acesso ao tratamento
teremos que avançar muito na inclusão das
ações de saúde mental na atenção
primária. Em 2008 publicamos a Portaria GM nº
154 que institui os Núcleos de Apoio à Saúde
da Família, que prevê a contratação
de especialistas para dar apoio às equipes de Saúde
da Família e ampliar seu escopo de atuação.
Há uma recomendação explícita
de contratação de, pelo menos, 1 profissional
de saúde mental, considerando as altas prevalências
de transtornos mentais na população geral
(cerca de 20% da população). Já temos
que pelo menos 20% dos profissionais contratados para os
NASF são da Saúde Mental.
O Ministério da Saúde tem como prioridade
o apoio às atividades de pesquisa científica,
tecnológica e de inovação em saúde
e em saúde mental. Neste sentido, aprovamos um Edital
de Pesquisa MS/CNPq sobre Saúde Mental, no valor
de R$ 6 milhões, que cria linhas de financiamento
para pesquisas sobre sistemas e serviços de saúde
mental: saúde mental na atenção primária,
desinstitucionalização e inclusão social
e gestão e organização da atenção.
Além disto serão financiadas pesquisas específicas
sobre álcool e outras drogas e saúde mental
infanto-juvenil.
Para o processo de desinstitucionalização
temos incentivado a redução planejada e gradual
de leitos, com a implantação de residências
terapêuticas e a inclusão das pessoas com transtornos
mentais longamente internadas no Programa de Volta para
Casa. E a partir da reivindicação dos usuários
de saúde mental reajustamos o valor do auxílio-reabilitação
psicossocial do Programa de Volta para Casa, de R$ 240,00
para R$ 320,00. Ao final de 2003 eram 206 beneficiários.
Hoje são 3069 beneficiários.
Outra nova estratégia desenvolvida para ampliação
dos cuidados e para reinserção social do paciente
é o Programa de Inclusão Social pelo Trabalho.
Em uma parceira entre Ministério da Saúde
e Ministério do Trabalho e Emprego/Secretaria Nacional
de Economia Solidária foi criada uma política
de incentivo técnico e financeiro para as iniciativas
de geração de renda para pacientes com transtornos
mentais. Os Programas de Inclusão Social pelo Trabalho
eram, em 2001, menos de 10, e atualmente são 283
iniciativas. Hoje o programa articula sistematicamente a
saúde mental e a economia solidária na discussão
da complexa problemática da inclusão social
da pessoa com transtornos mentais.
Hoje anunciamos também o resultado da Chamada para
financiamento de 100 projetos municipais de Inclusão
Social pelo Trabalho/Saúde Mental para a região
Norte e Centro-oeste. Com os recursos repassados, os municípios
poderão desenvolver e ampliar as experiências
de geração de renda voltadas para pessoas
com transtornos mentais. Novamente foi considerado critérios
regionais, para redução das iniqüidades.
Em relação à Política de Álcool
e outras Drogas temos tido avanços na rede: o número
dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool
e Drogas (CAPSad) vêm crescendo em média 25%
ao ano no período de 2002 a 2007. Importante ressaltar
que os CAPS infanto-juvenil e CAPS I também realizam
atendimentos multidisciplinares relacionados ao consumo
de álcool e outras drogas.
Outro ponto importante foi a sensibilização
dos gestores de saúde para os problemas decorrentes
do uso de álcool. O Decreto n° 6.117, de 22 de
maio de 2007 aprovou a Política Nacional sobre o
Álcool, que contém princípios fundamentais
à sustentação de estratégias
para o enfrentamento coletivo dos problemas relacionados
ao consumo de álcool, contemplando a intersetorialidade
e a integralidade de ações para a redução
dos danos sociais, à saúde e à vida
causados pelo consumo desta substância, bem como as
situações de violência e criminalidade
associadas ao uso prejudicial de bebidas alcoólicas
na população brasileira.
Recentemente foi aprovada a Lei 11.705/2008, que estabelece
a alcoolemia zero e impõe penalidades mais severas
para o condutor que dirigir sob a influência do álcool.
A adoção destas medidas faz parte de um esforço
do Governo Federal que vem sendo feito desde 2003, quando
foi constituído Grupo de Trabalho Interministerial
(GTI), coordenado pelo Ministério da Saúde,
com o objetivo de elaborar recomendações visando
reduzir o consumo de álcool e de suas conseqüências
negativas.
Da mesma forma, as estratégias de redução
de danos têm sido abordadas de forma sistemática
na discussão sobre a Política de Álcool
e outras Drogas. Hoje faremos o lançamento de material
impresso (cartaz, calendário e cartão) sobre
acesso dos usuários de álcool e outras drogas
aos serviços de saúde com o título:
“Nada Altera seus Direitos no Serviço de Saúde”
elaborado pelo Programa Nacional de DST-AIDS em conjunto
com Área Técnica de Saúde Mental e
Programa Nacional de Hepatites Virais, voltado para profisssionais
de saúde e usuários do SUS. Além disto
será lançada a publicação: “Drogas
e redução de Danos: uma cartilha para profissionais
de saúde” elaborada pelo Programa de Orientação
e Atendimento a Dependentes (PROAD/UNIFESP) com o apoio
da Área Técnica de Saúde Mental/DAPES/MS.
Além disto, na data de hoje divulgamos a Chamada
para Seleção de projetos de Redução
de Danos, iniciativa da Área Técnica de Saúde
Mental e o Programa Nacional de DST/AIDS.
Aproveitamos o Dia Mundial da Saúde Mental para convocar
todos os gestores de saúde a debater o tema da ampliação
do acesso em saúde mental e para uma pactuação
ampla para inclusão das ações de saúde
mental na atenção primária, ao mesmo
tempo comemorando os avanços extraordinários
que o Brasil conseguiu nesta área, mas apontando
as carências e necessidades ainda existentes.
Esta não é uma questão só para
os gestores do SUS. É uma tarefa de todos os militantes
da saúde mental – trabalhadores de saúde,
usuários, familiares, pesquisadores, estudantes,
sociedade civil em geral.
Abraço a todos.