Governo
convoca personagens infantis contra morte de crianças
no trânsito
Violência no trânsito é responsável
por 29,3% das mortes de crianças, entre um e nove
anos de idade. Campanha dos ministérios da Saúde
e Cidades começa neste domingo
Os ministros da Saúde, José Gomes Temporão,
e das Cidades, Márcio Fortes, lançaram neste
domingo (12/10), Dia da Criança, no Rio de Janeiro
(RJ), a campanha “Ajude a salvar as nossas crianças.
Cuide delas no trânsito” que, pela primeira
vez tem a garotada como foco principal de conscientização.
Até 11 de novembro conhecidos personagens das histórias
infantis – Branca de Neve, Três Porquinhos,
Lobo Mau, Rapunzel, entre outros –, protagonistas
da campanha, tomarão conta das ruas para distribuir
informações e dar dicas aos pais e responsáveis.
Segundo Temporão, se por um lado o Brasil está
assistindo a redução da mortalidade infantil
por diarréia, doenças infecciosas, relacionadas
ao parto, desnutrição e pneumonia, resultado
das políticas sociais, da melhoria das condições
de vida e do grau de educação das famílias,
por outro lado, as mortes por violência e relacionadas
ao trânsito, incluindo com crianças, estão
aumentando.
“Daí a importância dessa campanha que
visa conscientizar os pais, os responsáveis e, principalmente,
as crianças para que elas cobrem dos adultos que
não coloquem menores no banco da frente, que todos
estejam com cinto de segurança no banco de trás,
que observem as condições de tráfego
do veículo, que respeitem os limites de velocidade
e que em hipótese alguma dirijam depois de beber”,
alertou Temporão, frisando a importância da
parceria dos ministérios da Saúde e das Cidades
e Denatran que vai dar uma continuidade às campanhas,
antes, realizadas esporadicamente.
Márcio Fortes anunciou que para 2009 estão
programadas 12 campanhas com recursos de R$ 120 milhões.
“A conscientização que queremos fazer
é para pais e crianças com campanhas mais
permanentes”, explicou.
Temporão lembrou ainda que é necessário
manter esse grande debate e a informação para
que a conscientização das pessoas se amplie
e que o Brasil possa comemorar uma redução
substantiva dessas atuais 35 mil mortes no trânsito
por ano.
Estatística - Entre as causas externas, em 2006,
os acidentes de trânsito foram responsáveis
por 29,3% das mortes de crianças, entre um e nove
anos de idade, seguidos de afogamento (21,1%). Do total
de crianças vítimas do trânsito, a maioria
morre por atropelamento (50,8%) e por acidentes com ocupantes
de automóveis (19,9%). No universo de crianças
menores de um ano de idade, a principal causa de morte são
os acidentes com ocupantes do veículo.
Uma das medidas recomendadas para evitar acidentes fatais
com crianças de menos de um ano é o uso da
cadeirinha no banco traseiro do carro, principalmente, se
levado em conta o crescimento da frota nacional de veículos.
Em 1990, circulavam no país 18,3 milhões de
veículos. Em 2003, o volume de carros dobrou: 36,6
milhões. Em maio deste ano, a frota brasileira somava
51,6 milhões, sendo 30,7 milhões automóveis.
Em agosto de 2006, o Ministério da Saúde,
por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde,
implantou a Vigilância de Violências e Acidentes
(Viva) em Serviços de Sentinelas, no âmbito
do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo
era conhecer melhor a dimensão e a gravidade dos
acidentes e violências como problema de saúde
pública.
Os dados coletados, em setembro de 2007, em 85 unidades
de urgência e emergência de 37 municípios
brasileiros revelaram 1.225 notificações de
atendimentos a crianças de zero a nove anos de idade
por acidentes de transporte. A bicicleta foi o principal
meio de transporte usado pelas vítimas (52,7%). Em
seguida, vieram os atropelamentos quando a vítima
se encontrava a pé (25,3%) e, por último,
ocupantes de automóvel (8,6%). A maioria dos acidentes
envolvendo crianças ocorreu durante o dia, com tendência
de aumento a partir das 10 horas e atingindo um pico às
17h.
A morte de crianças por acidentes de trânsito
segue na contramão do esforço do Ministério
da Saúde para reduzir a mortalidade infantil entre
aquelas com menos de um ano de idade e, assim, alcançar
um dos objetivos do milênio, definidos pela Organização
das Nações Unidas (ONU). Em 1990, a taxa de
mortalidade infantil era de 46,9 por mil nascidos vivos.
Em 2006, essa taxa caiu para 24,9 por mil nascidos vivos.
A taxa de mortalidade de menores de cinco anos de idade
também caiu quase 50% entre 1990 e 2006. Ou seja,
mais de 20 mil crianças sobreviveram nessa faixa
etária.
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA) revelam os prejuízos que os acidentes de trânsito
causam ao país. Um estudo, em aglomerados urbanos,
revelou que os gastos chegam a R$ 5,6 bilhões por
ano. Nas rodovias, essa conta alcança, por ano, R$
23 bilhões. Nos dois valores, estão embutidos
gastos com atendimento em saúde, perda produtiva
e de patrimônio entre outros fatores.
PERSONAGENS - Voltada para os adultos de todas as classes
sociais, entre 20 e 49 anos de idade, a campanha terá
como slogan “Ajude a salvar nossas crianças.
Cuide delas no trânsito”. A expressão
dá o tom a todas as mensagens estruturadas em quatro
filmes que tratam de assuntos específicos: criança
no carro, criança pedestre, brincadeira de rua e
bebida e direção.
Para rádio, foram criados três spots e um jingle
que tratam dos mesmos temas. Além dos veículos
de comunicação, a campanha irá explorar
também os mobiliários urbanos como outdoors,
busdoors, fôlderes e cartazes com mensagens sobre
como evitar acidentes com as crianças no trânsito.
Atendimento ao cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425