ACT faz protesto
contra indústria do tabaco, que se reúne em
encontro internacional no Rio de Janeiro

Divulgação
Confira aqui,
outras fotos da manifestação
A Aliança de
Controle do Tabagismo – ACT fez um protesto nesta
quarta-feira, 14 de outubro, das 10h às 12h, em frente
ao Hotel Intercontinental, em São Conrado onde acontece
o Global Tobacco Networking Forum, a primeira reunião
dos grandes fabricantes de tabaco na América Latina,
que vai até sexta-feira. Um dos patrocinadores deste
fórum é a British American Tobacco, da qual
a Souza Cruz é subsidiária.
Em frente ao hotel, foi montado um cemitério com
200 cruzes, simbolizando as 200 mil mortes ocorridas no
Brasil, por ano, por causa do tabagismo. Pessoas vestidas
de morte e distribuiram material sobre a indústria,
desmontando conceitos como o de boa cidadania corporativa.
A ação ainda contou com esquetes de teatro
e hip hop.
A intenção da ACT é chamar a atenção
para a atuação da indústria do tabaco,
reconhecida tanto pela Organização Mundial
da Saúde quanto pela Justiça norte-americana
e européia por estar por trás da epidemia
tabagista e que atua em conjunto e coordenadamente para
enganar a opinião pública, governos, comunidade
de saúde e consumidores. "É uma indústria
pautada pela falta de ética e pela ausência
de compromisso com a vida e a saúde de fumantes e
não- fumantes, que mentiu, enganou e, de forma conspiratória,
fraudou todo o mundo", explica Paula Johns, diretora-executiva
da ACT.
Entre outros temas, a ACT quer chamar a atenção
para:
· Danos do tabagismo
A indústria do tabaco sabia, há mais de 50
anos, que o cigarro causa doenças, mas sempre negou
seus efeitos danosos para a saúde. Apesar disso,
os fabricantes sempre empreenderam esforços no sentido
de atacar e desacreditar as provas científicas da
ligação entre tabagismo e doenças.
Só recentemente, por força da legislação,
passou a informar sobre os danos nas embalagens de seus
produtos.
· Dependência
Há mais de 40 anos, pesquisas feitas pela indústria
mostravam que a nicotina presente no tabaco causa dependência
ao tabagismo. A indústria não só negou
publicamente que o fumo vicia, mas também omitiu
as informações. A indústria agiu assim
para manter seus lucros – incentivando os fumantes
a não pararem e atraindo novos consumidores -- para
evitar ações judiciais e para evitar regulamentações.
· Níveis de Nicotina
A indústria controla os níveis de nicotina
dos cigarros para garantir que os fumantes tornem-se dependentes
e assim permaneçam.
· Cigarros Light
Desde os anos 70, a indústria vem enganando os consumidores,
fazendo-os acreditar que os ditos cigarros light ou com
baixos teores de alcatrão seriam mais saudáveis
que os outros, constituindo uma alternativa aceitável
a parar de fumar. Mas ela sabe, há décadas,
que esses cigarros não oferecem nenhum benefício
comprovado para a saúde.
· Marketing para jovens
A indústria monitora o comportamento dos jovens e
usa essas informações para criar campanhas
de marketing altamente sofisticadas, com o objetivo de incentivá-los
a começar a fumar e a continuar fumando. Os jovens
são o mercado futuro da indústria, em substituição
aos fumantes que param de fumar ou morrem.
· Tabagismo Passivo
A indústria sabe, há muito tempo, que o tabagismo
passivo, ou poluição tabagística ambiental
(PTA), é perigoso para os não-fumantes. Mesmo
tendo se comprometido a apoiar estudos objetivos sobre a
questão, a indústria sempre tomou medidas
para solapar as pesquisas independentes, financiar estudos
favoráveis a ela e para abafar e depreciar os resultados
de pesquisas desfavoráveis.
· Supressão de Informações
Por mais de 50 anos, a indústria tentou se proteger
contra litígios e regulamentações por
meio de:
(1) supressão e ocultação de pesquisas
científicas
(2) destruição de documentos
(3) uso de instrumentos legais e de confidencialidade para
evitar que seus documentos internos viessem a público.