Brasil
transfere para África tecnologia contra Aids
16
outubro, 2008
Em ação
estratégica de cooperação em saúde
com os povos africanos de língua portuguesa, governo
brasileiro doa fábrica de anti-retrovirais para Moçambique
Moçambique vive
uma triste realidade: mais de 670 mil crianças estão
órfãs, pois perderam seus pais na luta contra
a Aids. Segundo dados da OMS (Organização
Mundial de Saúde), apenas 5,7% das pessoas que precisam
de tratamento naquele país estão recebendo
a ajuda necessária. Como forma engrossar o esforço
para reverter essa situação, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, anunciaram nesta quinta-feira
(16), em Moçambique, a doação de uma
fábrica de anti-retrovirais para o país. Com
a medida, o Brasil se vale da experiência na área,
para contribuir com a redução da mortalidade
relacionada à doença e melhorar da qualidade
de vida dos portadores do vírus.
“A ação
permitirá não só a Moçambique
enfrentar a epidemia de Aids, mas, também, apoiar
os demais países da África, produzindo antiretrovirais
e colocando esses produtos a disposição da
população africana”, afirmou Temporão.
Para o ministro, a doação da fábrica
de anti-retrovirais reforça a estratégia do
governo brasileiro de ampliar os acordos de cooperação
com os países africanos, sobretudo com aqueles que
integram a CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa), e de ampliar as ações de desenvolvimento
entre os países do hemisfério Sul.
O projeto é de
extrema importância para a saúde pública
moçambicana. Números do país mostram
que 16% da população é infectada pelo
HIV, parcela que chega a 25% em algumas regiões.
Esse percentual corresponde a um universo de 1,6 milhão
de pessoas infectadas, mais do que o dobro do número
registrado no Brasil, estimado em 620 mil pessoas.
Para viabilizar a implantação
da fábrica, o governo brasileiro liberou R$ 13,6
milhões em equipamentos, obras de adequação
do espaço físico e aquisição
de equipamentos e insumos. Essa primeira etapa estará
concluída ainda em 2009. Até que seja concluída
a transferência de tecnologia para fabricação
dos medicamentos em Moçambique, três anti-retrovirais
(Lamivudina + Zidovudina, Zidovudina, Lamivudina) serão
enviados a granel e embalados no país africano. Todo
o processo de transferência de tecnologia deve durar
3 anos.
A equipe de Farmanguinhos/Fiocruz
responsável pelo projeto capacitará profissionais
moçambicanos que trabalharão na fábrica
de anti-retrovirais. Os primeiros dois módulos de
treinamento – Projeto Executivo e Garantia de Qualidade
– serão realizados no Brasil, durante o mês
de novembro.
FIOCRUZ ÁFRICA
– Nesta sexta-feira, as autoridades brasileiras participaram
da solenidade de inauguração do escritório
da Fiocruz África, a primeira unidade da Fiocruz
em território estrangeiro. O escritório, que
funcionará nas dependências do Centro Cultural
Brasil-Moçambique, dará suporte à implantação
da fábrica de anti-retrovirais.
O escritório
da Fiocruz em Maputo, capital moçambicana, contribuirá
para intensificar as atividades da Fundação
Oswaldo Cruz em todo o território africano. Hoje
a Fiocruz oferece cursos de mestrado em Angola, na área
de saúde pública, e em Moçambique,
na área de ciências da saúde, além
de cursos de doutorado em Cabo Verde e Guiné Bissau.
“Essa unidade
permitirá que a Fiocruz ofereça a sua capacidade
em cursos de mestrado, doutorado e especialização,
em doenças infecto contagiosas, saúde pública,
planejamento em sistema de saúde e captação
de recursos humanos estratégicos, entre outros. Será
um espaço de fomento da capacitação
dos países da África auxiliando na estruturação
de sistemas de saúde e na capacidade de enfrentar
os graves problemas de saúde do continente”,
disse Temporão.
ANVISA – Pela
cooperação em saúde entre Brasil e
Moçambique, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) auxiliará o Ministério da
Saúde de Moçambique na estruturação
de órgão regulador e de vigilância sanitária
de medicamentos no país africano.
A Anvisa capacitará
profissionais moçambicanos, qualificando-os em atividades
como o combate à falsificação de medicamentos
e ações de inspeção técnica.
O governo de Moçambique também passa a reconhecer
a Anvisa como autoridade regulatória, capaz de avaliar
os medicamentos que serão enviados do Brasil para
a fábrica de anti-retrovirais em Maputo.
A assistência
técnica da Anvisa ao governo de Moçambique
é um dos itens previstos em Memorando de Entendimento
assinado em 20 de setembro de 2008, no Rio de Janeiro, durante
encontro de ministros da Saúde da CPLP.
Atendimento ao Cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425
Agência Saúde
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dos Países de Língua Portuguesa - www.cplp.org