Medida do governo
amplia serviços dos hospitais filantrópicos
Instituições
poderão investir na qualificação do
SUS e ficam proibidas de reduzir o atendimento prestado
à população
O Ministério da
Saúde vai por em prática ainda este ano as
diretrizes do Decreto nº 5.895, de agosto de 2006,
que aperfeiçoa a concessão do Certificado
de Filantropia a hospitais privados. A norma trará
ganhos de qualidade ao Sistema Único de Saúde
(SUS), uma vez que os hospitais poderão prestar atividades
de apoio à qualificação da rede pública,
como consultorias pesquisas, e ficam proibidos de reduzir
o volume dos serviços prestados aos usuários
do sistema público.
Uma das novidades do decreto é a criação
de um vínculo do SUS com os hospitais privados que,
em troca de imunidade tributária, hoje destinam 20%
de suas receitas ao atendimento gratuito. Atualmente, esse
atendimento não é regulado pelo sistema público,
o que permite, por exemplo, que os pacientes sejam definidos
segundo critérios das próprias instituições,
contrariando o princípio de universalidade e equidade
do SUS.
Com as mudanças, esses hospitais passarão
a ter vínculo com o SUS por meio de convênio
com o Ministério da Saúde para a prestação
de serviços de apoio como, por exemplo, estudos de
avaliação e incorporação de
tecnologias; capacitação de recursos humanos;
pesquisas de interesse público e desenvolvimento
de técnicas e operação de gestão
em serviços de saúde. Ao mesmo tempo, eles
terão de prestar atendimento aos pacientes encaminhados
pelas redes municipais e estaduais de Saúde. Ou seja,
o atendimento passa a ser referenciado e destinado a todos
os cidadãos.
Com a nova norma, o Ministério da Saúde passará
a receber a prestação de contas das referidas
instituições. É um importante avanço,
uma vez que, hoje, a fiscalização é
feita apenas de forma contábil pelo Conselho Nacional
de Assistência Social (CNAS). A partir das mudanças
previstas, as duas instâncias trabalharão em
parceria no monitoramento das atividades filantrópicas.
Com relação aos hospitais que destinam 60%
de seus serviços aos usuários do SUS, o decreto
prevê que eles também podem optar pela prestação
de apoio à qualificação do sistema.
No entanto, não poderão reduzir o percentual
de atendimento aos pacientes.
“O objetivo dessas medidas é dar ao SUS maior
qualificação e mais transparência em
relação às atividades prestadas pelos
hospitais filantrópicos”, disse o diretor do
Departamento de Atenção Especializada do Ministério
da Saúde, Alberto Beltrame.