Brasil registra caso
inédito de cura de raiva
Paciente
pernambucano de 15 anos, agredido por morcego, teve a cura
da doença. Esse é o primeiro caso brasileiro
e terceiro no mundo
Um caso raro de cura
de raiva humana foi confirmado hoje (13) pela equipe médica
do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) da
Universidade de Pernambuco, no Recife. O caso é o
de um adolescente de 15 anos, mordido por um morcego hematófago
na cidade de Floresta, interior do estado, onde reside com
a família. Ele ainda está sob cuidados médicos.
O caso brasileiro constará na literatura internacional
como a terceira cura da raiva no mundo. Esse registro chama
a atenção da comunidade médica e científica
porque a raiva humana era considerada 100% letal, ou seja,
sempre levava ao óbito a pessoa ou animal infectado.
No tratamento, os médicos do HUOC aplicaram o protocolo
Milwaukee, formulado e utilizado por médicos norte-americanos
na recuperação de uma paciente com a infecção
por raiva, em 2004. O protocolo estabeleceu um tratamento
feito com base em antivirais, sedativos e anestésicos
injetáveis.
Diante desse caso, o Ministério da Saúde vai
elaborar um protocolo de tratamento, baseado no de Miwaukee
para utilizar em outros casos de suspeita de raiva em humanos
no país.
HISTÓRICO – No dia 14 de outubro de 2008, a
Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES)
notificou ao Ministério da Saúde um caso suspeito
de raiva humana em um adolescente de 15 anos, residente
no município de Floresta, interior do estado. De
imediato, foi iniciada a investigação epidemiológica
do caso pelas secretarias municipal e estadual de saúde,
com o acompanhamento da Secretaria de Vigilância em
Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.
O paciente apresentou os primeiros sintomas no dia 6 de
outubro e foi internado no HUOC dia 10, portanto quatro
dias depois. No dia seguinte (11), o paciente foi transferido
para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Dois dias depois,
dia 13 de outubro, a equipe médica do hospital iniciou
o tratamento do adolescente com o protocolo de Milwaukee.
No dia 22, foi finalizada a análise de uma amostra
da biópsia de folículo piloso da região
da nuca do paciente, com resultado positivo para a raiva
humana. Com o tratamento, ao fim do mês, o paciente
apresentou melhora do quadro clínico, segundo as
análises de laboratório dos últimos
exames realizados demonstram ausência de vírus
na saliva e folículo piloso.
DOENÇA E AÇÕES - A raiva é uma
zoonose, doença transmitida por animais. Atinge os
mamíferos inclusive o homem. A transmissão
da doença acontece quando o vírus da raiva,
presente na saliva do animal infectado, penetra no organismo,
através da pele ou mucosas. Isso pode acontecer por
meio de mordidas, arranhões, lambidas ou pelo contato
com a mucosa dos animais infectados.
A transmissão da raiva ocorre nos meios urbano e
rural. Os principais agressores são cães,
gatos e morcegos. Em espaços rurais, o morcego é
o maior transmissor da doença para bovinos, eqüinos,
suínos, e para os próprios homens.
A vacinação de animais domésticos é
a única forma de se conseguir a imunidade contra
a raiva. O Ministério da Saúde, em parceria
com as secretarias municipais e estaduais de saúde,
realiza campanhas anuais de imunização de
animais (cães e gatos) em todo o país para
controle da doença. O ministério tem como
meta eliminar a raiva transmitida por animais domésticos
até 2010. Deve-se aplicar a vacina anti-rábica
em animais sadios a partir do terceiro mês de vida.
A dose tem que ser repetida anualmente.
Como o país apresenta diferentes realidades epidemiológicas,
o ministério preconiza estratégias para controle
da raiva, além da vacinação de animais
domésticos. Em caso de animais positivos para raiva,
junto às ações de vacinação,
as prefeituras devem promover a captura de animais de rua,
busca ativa de pessoas expostas a animais suspeitos de raiva,
orientação para procura de profissional de
saúde e intensificação de envio de
amostras de animais para diagnóstico da raiva.
Caso seja detectada a presença de morcegos na região,
deve ser realizada a notificação aos órgãos
da saúde e agricultura local para adoção
de medidas de controle e prevenção, tais como:
iluminar áreas externas nas residências, colocar
telas nos vãos de dilatação de prédios,
janelas e buracos e fechar ou vedar porões, pisos
falsos e cômodos pouco utilizados que permitam o alojamento
de colônias deste mamífero. Em caso de morcego
hematófago, os órgãos competentes realizarão
captura e controle. Outros alojamentos freqüentes de
morcegos são forros, garagens, casas de máquinas
de elevadores, caixas de persianas, edifícios abandonados,
estábulos, copas e troncos ocos de árvores
e cavernas.
O QUE FAZER? - Ao identificar que cães e gatos estão
com suspeita de raiva, os donos devem isolar os animais
e chamar ajuda especializada, que pode ser a de técnicos
do centro de controle de zoonoses local ou a de um veterinário
da secretária municipal de saúde para que
as providências adequadas sejam adotadas.
Em caso da pessoa ser agredida por qualquer animal, se deve
lavar imediatamente a ferida com água e sabão
e procurar o profissional de saúde para orientações
sobre indicação de profilaxia anti-rábica
(vacina e ou soro). Quando indicada profilaxia é
importante que a mesma sejam realizadas todas as doses preconizadas
nos dias corretos.
Quando a agressão for por cães ou gatos, os
animais deverão ser confinados por dez dias após
a agressão, para observação de sintomas
da doença e se o animal evoluir para óbito,
informar o departamento de zoonose do município imediatamente.
O cão ou gato já vacinado ou não vacinado,
se mordido comprovadamente por um animal raivoso ou silvestre,
recomenda-se a eutanásia (morte sem sofrimento).
Se o dono não permitir, o animal deve ser revacinado
e observado por 90 dias. Somente após este período,
se estiver sadio, o animal poderá voltar ao convívio
do dono.