27
de novembro - Dia Nacional de Combate ao Câncer
Controle do tabagismo previne tumores no pulmão
e outros tipos de câncer
Em 27 de novembro, comemora-se o Dia Nacional de Combate
ao Câncer. Entre as estratégias mais eficazes
para prevenir a doença, está a mudança
de hábitos comportamentais, adverte o dr. José
Eduardo Delfini Cançado, Presidente da Sociedade
Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). São
exemplos os casos de tumores no pulmão, nos quais
90% dos portadores são fumantes.
Segundo recente estimativa do Instituto Nacional de Câncer
(Inca), a grande exposição às substâncias
químicas presentes no tabaco torna os dependentes
cerca de 20 a 30 vezes mais propensos a desenvolver a enfermidade.
Porém, os danos não são causados somente
ao pulmão. O fumo produz câncer de esôfago,
estômago, intestino, bexiga, rim, entre outros tipos
De acordo com o especialista da SPPT, dr. Hakaru Tadokoro,
além disso, o tabagista pode desenvolver patologias
como, infarto do miocárdio, derrames e outros problemas
do aparelho circulatório, que podem levá-lo
a óbito antes de as lesões cancerígenas
serem diagnosticadas.
“Um estudo feito com fumantes que morreram por outras
causas, não o câncer, apontou que teriam desenvolvido
a doença se continuassem vivos, pois as autópsias
diagnosticaram tumores iniciais”.
Existem campanhas antitabaco e leis contra o fumo em ambientes
fechados, para controlar e prevenir o aumento do tabagismo.
Quanto ao diagnóstico do câncer pulmonar, há
uma dificuldade por parte dos médicos e pacientes
em reconhecer os sintomas da doença. Isso ocorre
devido a dois fatores: são poucos os especialistas
em unidades básicas de saúde e os pacientes,
em boa parte fumantes, não dão importância
ou atribuem outras causas à sintomatologia que apresentam,
como tosse persistente, presença de sangue nas secreções
e falta de ar.
Para Tadokoro, a dificuldade está na similaridade
com os sintomas e sinais de outras doenças pulmonares,
como bronquite, enfisema, bronquiecstasia, pneumonias. Ele
defende que o especialista deve ser curioso no diagnóstico
de pacientes de risco, já que a doença é
silenciosa.
“Quando o médico examina o fumante, deve pensar
em um diagnóstico diferenciado, pois o que parece
uma pneumonia pode ser câncer de pulmão. A
doença não apresenta muitos sinais, só
quando compromete ossos, fígado, cérebro”.
Dificuldades no tratamento
A melhor estratégia de combate ao câncer de
pulmão é o controle efetivo de sua principal
causa: o tabagismo. Existem novas drogas empregadas para
diminuir os tumores e promover a reabilitação,
contudo são muito caras e quase inacessíveis
à população geral.
“O acesso ao Sistema Único de Saúde
(SUS) é um problema e nos convênios e seguradoras
há uma restrição ao uso das novas drogas”,
afirma o dr. Tadokoro.