85%
dos jovens são a favor de ambientes livres de fumo
quarta-feira, 18 fevereiro, 2009 18:11
Oitenta e cinco por cento dos
jovens entre 12 e 22 anos são contrários ao
fumo em ambientes fechados. Os dados inéditos são
da nova pesquisa Datafolha, encomendada pela Aliança
de Controle do Tabagismo – ACT, que mostra que até
mesmo entre os jovens fumantes o índice de contrários
ao fumo em ambientes fechados é alto: 63%
A pesquisa foi feita com 560 jovens de ambos os sexos na
faixa etária dos 12 aos 22 anos, nos dias 18 e 19
de dezembro de 2008, em seis capitais brasileiras: Rio de
Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre,
Salvador e Brasília.
Os índices de aprovação aos espaços
livres de fumo variam de acordo com os locais, mas de forma
geral sempre se mantêm altos. Em bares, 60% dos jovens
são contrários ao fumo nesses espaços,
e 32% a favor; em casas noturnas, 62% são contrários,
enquanto 31% são favoráveis. Já em
lanchonetes, o índice é mais alto: 88% dos
entrevistados são contrários que se fume nesses
locais, e 10% são favoráveis. Em restaurantes,
90% são contra o fumo e apenas 8% a favor.
Os dados pesquisados revelam que 13% dos entrevistados são
fumantes. Entre os que têm entre 12 e 14 anos, 3%
já são fumantes. Essa taxa sobe para 11% entre
os que estão na faixa etária dos 15 aos 17
anos e chega aos 19% entre os que têm entre 18 e 22
anos. Entre os homens, 16% costumam fumar, enquanto entre
as mulheres essa taxa é de 10%.
Levando-se em consideração as seis capitais
que compõem a amostra, Porto Alegre é a que
tem maior percentual de fumantes jovens: 28% dos entrevistados
que moram nessa cidade fumam. Essa taxa é de 13%
em São Paulo, de 12% no Rio de Janeiro, de 10% em
Salvador e em Belo Horizonte e de 6% em Brasília.
A maioria dos jovens pesquisados (85%) conhece alguém
de sua idade que fuma. Essa taxa é de 62% entre os
que têm de 12 a 14 anos, de 89% entre os que têm
de 15 a 17 anos e chega a 95% entre os que estão
na faixa etária dos 18 aos 22 anos.
COMO OS JOVENS PERCEBEM O FUMO EM AMBIENTES FECHADOS
Evidenciando que ainda se admite o fumo em locais fechados
no Brasil, segundo 70% dos jovens entrevistados que freqüentam
casas noturnas, baladas ou festas, nesses locais é
permitido fumar, mesmo em áreas fechadas. Cerca de
um quinto (18%) deles afirma fumar quando freqüenta
esses lugares, taxa que chega a 86% entre os assumidamente
fumantes.
De acordo com 49% dos entrevistados que freqüentam
casas noturnas, baladas ou festas, a maioria das pessoas
fuma nesses locais. Segundo 37%, muitas pessoas fumam, mas
a maioria não, e 11% dizem que poucas pessoas fumam.
Apenas 3% declaram que ninguém fuma nesses locais.
“Para nós, da ACT, essa pesquisa mais uma vez
mostra que a população brasileira é
favorável a uma legislação que proíba
do fumo em qualquer ambiente fechado e os jovens estão
em sintonia com o desejo da maioria da população.
Há quase dois anos tramita no Congresso Nacional
projeto de lei que proíbe o fumo em ambientes fechados.
Os resultados também indicam que a permissividade
do fumo nas baladas estimulam a iniciação”,
diz Paula Johns, diretora-executiva da ACT.
PROJETO DE LEI EM SÃO PAULO: QUANDO SERÁ
VOTADO?
A ACT reitera através desta nova pesquisa a urgência
na aprovação do projeto de lei 577/2008, no
Estado de São Paulo, que proíbe o fumo em
ambientes fechados.
Em São Paulo, segundo a pesquisa ACT/Datafolha, 72%
dos jovens de 12 a 22 anos são totalmente contra
que se fume em locais fechados, e apenas 5% são totalmente
favoráveis.
Em relação ao fumo em bares, 60% são
contra, e 30% a favor. Em casas noturnas e festas, 57% são
contrários ao fumo, enquanto 34% são favoráveis.
O índice de aprovação aos ambientes
livres de fumo entre essa faixa etária aumenta em
relação aos restaurantes: 91% são contrários
ao fumo nesses locais, e apenas 7% a favor. Em lanchonetes,
o índice é de 88% contrários ao fumo,
e 8% favoráveis.
Enviado pelo governo do Estado à Assembléia
Legislativa em agosto de 2008, até o momento o PL
577/2008 ainda não foi votado, fato que surpreende
muito a ACT, devido ao forte apoio popular e aos indiscutíveis
malefícios do fumo e fumo passivo.
Segundo pesquisa ACT/Datafolha realizada em setembro de
2008, 81% da população paulista é favorável
à proibição do fumo em ambientes fechados.
Em outra pesquisa, feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais,
Políticas e Econômicas – IPESPE, em outubro,
o índice de aprovação atinge 90% dos
paulistas.
Quando feita nacionalmente, a pesquisa mantém os
mesmos índices. Em março de 2008, pesquisa
ACT/Datafolha mostrou que os ambientes fechados livres de
fumo têm apoio de 88% da população brasileira,
sendo que 80% dos próprios fumantes também
apóiam a medida.
“O PL atende perfeitamente à Constituição
Federal e está de acordo com as diretrizes da Convenção
Quadro para o Controle do Tabaco, tratado internacional
de saúde pública ratificado pelo Brasil, e
que destaca em seu artigo 8º a adoção
de medidas eficazes de proteção contra a exposição
à fumaça do tabaco, entre elas os espaços
100% livres de fumo. Por isso, não entendemos como
os deputados estaduais de São Paulo não aprovam
logo esse projeto, que vai beneficiar a população
paulista como um todo”, explica Paula Johns.
Desde que o PL 577/2008 foi enviado à ALESP, a ACT
vem acompanhando sua tramitação. Em setembro,
a ACT entregou aos deputados estaduais parecer jurídico
demonstrando a constitucionalidade deste projeto e uma análise
das emendas propostas que o descaracterizariam. Acesso pelo
link:
http://www.actbr.org.br/uploads/conteudo/142_COMENTARIOS-EMENDAS-PL-5772008-FINAL.pdf.
A ACT participou de audiência pública em outubro,
ao lado de outras organizações de saúde,
e de um protesto bem humorado na ALESP, para pressionar
pela votação e aprovação do
PL 577/2008.
Com tanto apoio, por se tratar de uma medida de saúde
pública e ocupacional, fica difícil entender
porquê tão importante projeto de lei não
ter sido levado ainda à votação e aprovação,
principalmente sabendo-se que pelo menos sete não-fumantes
expostos involuntariamente à fumaça do tabaco
morrem por dia no Brasil, segundo pesquisa do Instituto
Nacional do Câncer – INCA.
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