O fim da gordura
trans
quarta-feira, 25 fevereiro, 2009 16:57
Entender
os componentes das substâncias ingeridas e suas conseqüências
para o organismo garante uma alimentação mais
saudável e uma vida mais longa
Todos os produtos industrializados devem
ter retirados de suas fórmulas, até o final
de 2010, qualquer índice de gordura trans. A decisão
do Ministério da Saúde e da Associação
Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) poderá
evitar cerca de 260 mil mortes por ano. De acordo com o
Ministério, o excesso dessa substância pode
ocasionar doenças cardiovasculares e diabetes, além
de aumentar o LDL (colesterol ruim) e diminuir o HDL (colesterol
bom) no organismo.
A gordura trans é
formada por um processo de hidrogenação natural
ou industrial e geralmente é encontrada em alimentos
industrializados como as bolachas, salgadinhos, maionese,
sorvete e chocolate. Seu objetivo é conservar os
alimentos e deixá-los mais saborosos e macios por
mais tempo. De acordo com a Organização Mundial
da Saúde (OMS) não se deve consumir mais de
2 gramas da substância por dia. A quantidade é
encontrada, por exemplo, em 4 biscoitos do tipo waffer.
A decisão de
eliminar a gordura trans dos alimentos fez com que alguns
fabricantes a trocassem pela saturada. Especialistas afirmam
que esse tipo de gordura pode ser também muito prejudicial
à saúde e seu consumo não deve exceder
em 10% do total de gorduras ingeridas diariamente. “A
gordura saturada aumenta a taxa de colesterol no sangue,
o que estimula a produção de placas de gordura,
que vão se acumulando nas artérias, obstruindo-as
e causando doenças cardiovasculares. Elas podem ser
encontradas no óleo e derivados de coco, bacon e
banha de porco, carnes gordurosas e laticínios integrais
como manteiga e alguns tipos de queijo”, afirma o
vice-presidente para América Latina da International
Association for the Study of Obesity e professor associado
da PUC-Rio, dr. Walmir Coutinho.
Enquanto a medida do
governo ainda não é cumprida por todas as
indústrias alimentícias, é preciso
estar atento aos rótulos e embalagens e verificar
suas informações nutricionais. O dr. Walmir
dá a dica: “Entender os componentes das substâncias
que estamos ingerindo e suas conseqüências para
o organismo garante uma alimentação mais saudável
e uma vida mais longa. Isso porque a gordura, além
de ser o composto que mais engorda, pode trazer uma série
de complicações futuras para a saúde
como hipertensão e diabetes do tipo 2”, explica
o especialista.
Aproximadamente 40%
dos brasileiros apresentam sobrepeso, dos quais 12,7% são
obesos. Manter o peso ideal não é somente
uma questão de estética, mas um cuidado necessário
para evitar o desenvolvimento de doenças, ter uma
melhor qualidade de vida e mais disposição.
Além de uma boa alimentação, rica em
verduras e frutas, é preciso beber de 1 a 2 litros
de água por dia, praticar exercícios físicos
regularmente e evitar o tabagismo e ingestão excessiva
de bebidas alcoólicas.
Para algumas pessoas,
o uso de medicamentos como coadjuvantes no processo de emagrecimento
pode ser necessário. Um especialista poderá
indicar a melhor opção para cada caso. A substância
orlistate, comercialmente conhecida como Xenical, é
uma das opções para a perda saudável
e manutenção do peso. O medicamento bloqueia
a absorção de 30% da gordura ingerida e é
o único que não age no sistema nervoso.
Segue tabela com a quantidade
de gordura trans encontrada em alguns alimentos que ingerimos
diariamente:
| Produto |
Quantidade |
Gordura
Trans |
| Biscoito
água e sal |
6
unidades (30g) |
0,4
g |
| Biscoito
recheado |
2
unidades (30g) |
1,0
g |
| Biscoito
tipo waffer |
4
unidades (30g) |
2,1
g |
| Sorvete
de creme, com recheio de doce de leite coberto com chocolate
ao leite |
1
casquinha (81g) |
1,4
g |
Tipos de gorduras
existentes nos alimentos:

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