Alimentos orgânicos:
prós e contras
domingo, 1 março, 2009 19:47
Alimentos orgânicos são
especiais tanto pelo ciclo de cultivo quanto pela ausência
de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Isso
sem falar da harmonização e respeito aos demais
elementos da natureza. Graças a um sistema de produção
que busca o equilíbrio entre o solo e outros recursos
naturais, como água e luz, há diferenciais
importantes e benéficos para o consumo.
Usualmente são cultivados sem aditivos e conservantes
sintéticos, livres de adoçantes, corantes,
flavorizantes – que conferem o sabor ao produto. Tem
uma durabilidade maior em relação aos convencionais,
uma vez que o menor teor de água em sua composição
reduz a proliferação de bactérias.
Um alimento orgânico fresco, aliás, possui
20% menos de água em sua composição,
tornando os nutrientes mais concentrados; além de
trazer quantidade maior de açúcar. Com níveis
superiores de vitamina C, o tomate orgânico, por exemplo,
apresenta 23% mais vitamina A do que os convencionais.
“Estudos recentes atestam que a diferença é
acentuada em minerais. Têm teores maiores de vários
deles: 63% a mais de cálcio, 73% a mais de ferro,
118% de magnésio, 178% de molibdênio, 91% de
fósforo, 125% de potássio e 60% de zinco.
Por outro lado, possuem 29% a menos de mercúrio,
o que é excelente”, explica Patrícia
Realino Guaitoli, nutricionista parceira do Ganep Nutrição
Humana para o desenvolvimento de projetos especiais.
Em todo o país, são cerca de 15 mil produtores
de alimentos orgânicos. De acordo com o Ministério
da Agricultura, houve um crescimento de 114% no número
de agricultores – 7 mil em 2000 para 15 mil em 2008
– além de um aumento de 196% na área
de plantio - de 270 mil hectares para 800 mil, neste mesmo
período.
Orgânicos são apenas 1% de todo o alimento
que é vendido no Brasil. Apesar do aumento da cadeia
produtiva, a dificuldade com transporte e pontos-de-venda,
além das condições de produção,
fazem com que a queda no preço seja lenta e difícil.
Em média, o custo é de 10% a 30% superior
ao dos convencionais, variação que depende
do tipo de produto e da época. Em hortaliças
e frutas, a diferença tem caído. Quanto aos
laticínios, o preço pode ser mais do que o
dobro.
Nos últimos anos, o mercado de produtos orgânicos
se ampliou e ganhou novos itens, além dos in natura.
Entre eles, sucos, laticínios, óleos, doces,
palmito, pães, biscoitos, molhos, cerveja, vinho,
cachaça, mel, pratos prontos congelados, frutas desidratadas,
açúcar branco e mascavo, café, guaraná
em pó, barra de cereais, hortaliças processadas,
camarão, frango e carnes.
Os produtores de alimentos orgânicos precisam seguir
um critério rigoroso para garantir o selo de certificação.
A regulamentação, em vigor desde o fim de
2007, indica os procedimentos básicos de cultivo,
colheita e armazenamento. Estabelece ainda um prazo de dois
anos para os produtores que vendem em feiras se organizarem
em associações, com direito a registro no
ministério e um documento (espécie de alvará).
Ao vender direto para o consumidor, deve-se exibir esse
registro para provar que está de acordo com as normas.
Já os produtores maiores, que atuam direto com redes
de distribuição, levaram o selo único
das certificadoras. No Brasil, são mais de 20 empresas
de certificação, credenciadas na International
Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM), federação
internacional que congrega os diversos movimentos relacionados
com a agricultura orgânica.
Estes critérios para regulamentar os orgânicos
protegem a população dos riscos que os alimentos
comuns conferem à sua saúde. O relatório
do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos
em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) divulgado em 2008 mostra que,
de cada dez pés de alface à venda em feiras
e supermercados, quatro estão contaminados por resíduos
de agrotóxicos. Cerca de 40% do tomate e do morango
consumidos pelos brasileiros contêm vestígios
de uso pouco criterioso de agrotóxicos.
Outros seis alimentos que fazem parte do cardápio
regular do brasileiro também foram analisados em
2007 e registraram resíduos irregulares de defensivos
agrícolas: banana (4,3%), batata (1,36%), cenoura
(9,9%), laranja (6%), maça (2,9%) e mamão
(17,2%). As amostras analisadas são de 16 estados
de todas as regiões do país, além dos
municípios de Belo Horizonte, Curitiba e São
Paulo. Nos orgânicos, desde que sejam de procedência,
não existe esse tipo de contaminação.
Patrícia Realino alerta que o ideal é adquirir
o alimento orgânico certificado, o que é uma
garantia sobre os adequados processos de produção,
desde a desintoxicação do solo até
o envolvimento com projetos sociais e de preservação
do meio ambiente.
Dicas de compras e armazenamento
- Nos pontos de venda, verifique
se os orgânicos estão separados dos convencionais,
o que evita a contaminação por produtos químicos
ou resíduos de agrotóxicos;
- Em algumas cidades, existem
feiras exclusivas administradas e fiscalizadas por associações
de agricultura orgânica, onde os produtos são
mais baratos, já que o produtor vende diretamente
ao consumidor;
- Sempre verifique o selo da
certificadora na embalagem. Para resguardar o consumidor,
as grandes redes de supermercados e os importadores não
adquirem produtos sem esta procedência;
- Ao escolher apenas alguns alimentos para levar, prefira
tomate, morango, batata e alface, os mais contaminados por
agrotóxicos no cultivo de maneira convencional;
- Ao armazenar na geladeira,
guarde os alimentos em saquinhos, para não ressecar.
Faça furos pequenos no plástico, para que
a fruta, o legume ou a verdura possam respirar e não
estraguem mais rapidamente.
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