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Responsável
por 90% dos casos de câncer de pulmão,
o tabaco mata 200 mil pessoas por ano no Brasil |
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31 de maio –
Dia Mundial sem Tabaco
sábado, 30 maio, 2009 15:32
Medidas
como aumento de imposto e leis de restrição
ao fumo pretendem reduzir o consumo de cigarro
Responsável por 90% dos casos de câncer
de pulmão, o tabaco mata 200 mil pessoas por ano
no Brasil
Em 2009, as entidades médicas, os órgãos
governamentais e a comunidade não-fumante têm
um motivo a mais para comemorar o Dia Mundial sem Tabaco,
em 31 de maio. No estado de São Paulo, o Governador
José Serra sancionou em 7 de maio a lei
antifumo, que proíbe o consumo de cigarros,
charutos ou similares em quaisquer ambientes coletivos,
públicos ou privados, total ou parcialmente fechados.
O Governo Federal, por sua vez, aumentou a taxação
sobre o produto, gerando uma alta de 30% no valor final.
A economia nacional ganha e a saúde da população
também se beneficia.
“Esta série de medidas faz parte das estratégias
recomendadas pela Organização Mundial de Saúde
para combater o tabagismo nos países em desenvolvimento,
aliadas às campanhas educativas. Por exemplo, o Brasil
ocupa o 6º lugar no ranking mundial de cigarro mais
barato e, com o aumento, a população é
diretamente afetada”, pondera dr. Sérgio Ricardo
Rodrigues de Almeida Santos, coordenador da Comissão
de Tabagismo da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia
(SPPT).
Na década de 1990, a OMS realizou estudos que demonstraram
que 10% de aumento no preço final do cigarro equivale
à redução de 3% no número de
fumantes. Com o impacto nas finanças, a maioria dos
consumidores de tabaco – no Brasil, 14,3% da população
é tabagista – reduz ou interrompe o hábito
de fumar.
“É importante ressaltar que a aprovação
da lei e as outras ações governamentais restritivas
ao fumo têm como objetivo a proteção
da população contra os riscos advindos da
exposição ao tabagismo passivo, que aumenta
a chance de infarto em mais de 50% em não-fumantes,
e à poluição tabágica ambiental
(PTA). Sabemos que o risco de não-fumantes adoecerem
por enfermidades tipicamente relacionadas ao cigarro cresce
muito com a exposição à PTA. Isso sem
falar da ampliação de mais de 20% para a possibilidade
de câncer de pulmão e de todas as sérias
repercussões à saúde da criança
exposta ao fumo dos pais”, complementa dr. Gustavo
Prado, diretor de assuntos científicos da SPPT, médico
associado do Grupo de Cessação de Tabagismo
da Disciplina de Pneumologia do InCor – HC –
FMUSP.
Segundo a OMS, 4,9 milhões de pessoas - 10 mil por
dia - morrem todos os anos no mundo por consequência
de doenças relacionadas ao tabaco. A previsão
não é animadora e mostra que esse número
pode chegar a 10 milhões por volta de 2030.
PÚBLICO-ALVO DAS AÇÕES GOVERNAMENTAIS
O tabaco é a segunda droga mais consumida entre os
adolescentes em todo o mundo. Isso se deve às facilidades
e estímulos para obter o produto, entre eles o baixo
custo. Boa parte das pessoas começa a fumar antes
de completar 18 anos; quase um quarto delas faz uso do tabaco
antes dos 10.
Quanto mais cedo o jovem experimentar o cigarro, maior a
propensão de adquirir o hábito e menores as
possibilidades de largar o fumo. Entretanto, para combater
o tabagismo nessa faixa etária, o reajuste de preço
tem um impacto positivo, especialmente entre os fumantes
de baixa renda.
“Um dos fatores que influenciam na compra do cigarro
é a questão do preço. Jovens adultos,
assim como a população de baixa renda, sentem
o impacto em suas finanças e sentem-se motivados
a abandonar o fumo”, argumenta dr. Sérgio.
O mesmo vale para aqueles com baixo grau de dependência.
O CUSTO DO TABAGISMO
As doenças crônicas relacionadas ao consumo
do tabaco, com tratamentos altamente dispendiosos, estão
entre as campeãs em atendimento pelo SUS. Em 2005,
o Sistema Único de Saúde desembolsou mais
de R$ 338 milhões em hospitalização
para as frações de casos de câncer,
doenças cardiovasculares e respiratórias,
todas estas atribuíveis ao tabagismo. O valor é
equivalente a quase 30% dos custos hospitalares totais do
SUS para o tratamento dessas enfermidades.
Em São Paulo, por exemplo, apesar de 1/5 da população
ser tabagista, cerca de 70% gostaria de parar. Por se tratar
de dependência química, é necessário
um tratamento para abandonar o tabagismo.
Conforme a OMS, apenas 5% da população mundial
vive em países que adotam medidas-chave para reduzir
as taxas do tabagismo, como os ambientes 100% livres de
fumo, o tratamento da dependência do tabaco, as advertências
nas embalagens, as proibições de publicidade,
promoção e patrocínio, além
do aumento dos impostos. Hoje, o Brasil integra essas nações.
ESTRATÉGIAS MÉDICAS
A Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT),
a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo
(SOCESP) e a Associação Paulista de Medicina
(APM) acabam de formar uma poderosa frente de combate e
orientação sobre os males e o tratamento do
tabagismo. Desde o dia 25 de abril, teve início uma
série de 20 cursos de reciclagem profissional e atualização
científica. “O objetivo é capacitar
e atualizar a comunidade médica na assistência
à população em todo o Estado de São
Paulo”, afirma o presidente da SPPT, José Eduardo
Delfini Cançado.
Os simpósios serão abertos a pneumologistas,
cardiologistas e médicos das demais especialidades.
Com duração total de três horas e meia,
as cinco aulas são destinadas para discussões,
trocas de experiências e métodos aplicados,
além de divulgar novidades sobre tratamentos e o
atendimento ao paciente tabagista.
Acontece Comunicação
e Notícias