ACT defende elevação
da incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre cigarros
sábado, 30 maio, 2009 15:32
O economista Roberto Iglesias,
consultor da Aliança de Controle do Tabagismo, está
lançando um estudo sobre a incidência de PIS/PASEP
e COFINS sobre os cigarros, no qual mostra que ainda há
espaço para elevação da carga desses
impostos, o que contribui para aumentar a arrecadação
e diminuir o consumo deste produto.
Ao contrário do que foi divulgado recentemente, que
o cigarro brasileiro estaria entre os mais caros do mundo
com a elevação de impostos, Iglesias apresenta
provas de que esta afirmação não procede
e que o preço do cigarro brasileiro é baixo
em termos do salário mínimo, um indicador
de remuneração efetiva da população
de baixa renda no país.
Em março, o Poder Executivo editou a Medida Provisória
460, propondo a elevação da contribuição
do PIS/PASEP e da COFINS sobre cigarros, aumentando as alíquotas
efetivas ad valorem de 6,36% para 10,97% incidentes sobre
o preço de venda a varejo do produto. Também
tramita no Senado o Projeto de Lei 314/208, do Senador Tião
Vianna, que propõe elevar a alíquota efetiva
ad valorem destas duas contribuições para
16,46%, ou seja, 5,5 pontos percentuais acima da proposta
do Executivo.
Com os anúncios dos aumentos do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) para maio e do PIS/COFINS para julho,
as empresas de cigarros se anteciparam e elevaram os preços
de seus produtos no mês de abril. O cigarro mais vendido
no país, subiu para R$ 3,00.
Carga tributária
No estudo, Iglesias identifica que a proporção
destes impostos (IPI,PIS/PASEP e COFINS) sobre o preço
final do maço da marca líder passou de 31,12% para 36,45%,
considerando o novo preço desse produto (R$3,00),
um aumento de 5,3 pontos percentuais da carga tributária
do cigarro.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde,
em 2008 a carga de impostos indiretos sobre o cigarro mais
vendido no Brasil era 54%, portanto mais baixa do que no
Uruguai (66%), na Argentina (68%) ou no Chile (76%). Existem
controvérsias sobre esta porcentagem, mas o aumento
de 5,3 pontos percentuais proposto pelo governo levaria
a carga de impostos indiretos para 60% e 65% do preço
final do produto nacional mais vendido, ainda abaixo de
países de renda per capita semelhante à do
Brasil.
Já se o PLS 314/08 fosse aprovado, a carga tributária
do IPI, o PIS/PASEP e a COFINS sobre o cigarro se elevaria
em mais de 5,5 pontos percentuais sobre a situação
atual, atingindo quase 42%. Isso faria com que o Brasil
passasse a ter uma imposição indireta sobre
o preço final da marca líder entre 65% e 70%,
em linha com a Argentina e o Uruguai, mais ainda abaixo
de países como Chile e outras nações
desenvolvidas.
Preço do cigarro e nível de renda
do país
Como era de se esperar, a relação entre o
salário mínimo e a quantidade de maços
da marca líder que podem ser comprados se deteriorou
depois deste aumento, passando de 165 maços, em março,
para 144 maços, em maio.
Houve importantes ganhos de renda real nos últimos
anos. O crescimento do salário mínimo em termos
dos já citados maços entre 1999 e 2008 foi
de quase 35%. A queda recente, por conta do aumento do preço
do cigarro em abril, apesar de significativa, ainda deixa
a relação salário mínimo/maços
acima dos valores de agosto de 1999 (135 maços),
indicando que há espaço para aumentar a carga
tributária e os preços sem onerar o trabalhador
e a população que têm suas remunerações
vinculadas ao salário mínimo.
Pode-se estimar que o poder aquisitivo do salário
mínimo em termos de cigarros não deverá
cair muito abaixo dos 120 maços nos próximos
meses, depois de todos os ajustes de preços e aceitando
levar o PIS/COFINS acima de 10,97%. Este poder aquisitivo
do salário mínimo em termos de cigarros seria
mais do que o dobro dos anos 90, quando se desenvolveu o
mercado de cigarros sem impostos no país, pela reintrodução
dos produtos que haviam sido exportados ao Paraguai pelas
empresas produtoras de cigarros brasileiras.
Para ler o estudo de Iglesias na íntegra, clique
aqui:
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