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  Adriana Aveiro Ventura, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, professora titular de Saúde e Sociedade do curso de Medicina da Universidade de Uberaba (Uniube).  

Gripe A - Médica destaca que idosos e crianças correm mais risco

quarta-feira, 8 julho, 2009 19:57

Professora Adriana Aveiro esclarece que quem tem uma boa saúde, alimenta-se bem e faz exercícios físicos regulares, tem menor chance de contrair o vírus

Para se prevenir contra a Gripe A (apelidada de gripe suína) é importante evitar locais aglomerados, viagens prolongadas e ambientes sem ventilação.

O alerta é da médica Adriana Aveiro Ventura, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, professora titular de Saúde e Sociedade do curso de Medicina da Universidade de Uberaba (Uniube).

O uso de máscara, segundo ela, é controverso, pois embora diminua o número de partículas que a pessoa respira, não protege totalmente da gripe. As faixas etárias mais jovens - abaixo de 1 ano de idade, e as mais velhas - acima de 60 anos de idade, de acordo com a médica, têm maior risco de adoecimento grave.

Para quem tem boa saúde, alimenta-se bem e faz exercícios físicos regulares, a especialista garante que o risco é menor. Adriana Aveiro publicou seis trabalhos em anais de eventos. Possui três itens de produção técnica. Participou de 18 eventos no Brasil. Atua com ênfase em Medicina Preventiva e Social. Em suas atividades profissionais interagiu com 34 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos.

Assessoria de Comunicação - De onde vem o vírus da Gripe A (H1N1)? Por que ela foi apelidada de gripe suína?
Adriana Aveiro - Embora existam relatos de gripe desde o início do século - como a gripe espanhola em 1918, o vírus da gripe - chamado de vírus Influenza - foi isolado pela primeira vez em 1930. Hoje sabemos que existem três tipos de vírus Influenza - tipo A, tipo B e tipo C. O vírus do tipo A é o que mais possui chance de fazer mutações e de se transformar em um novo tipo que pode desenvolver doença e até a morte em muitas pessoas. Por isso é o que tem maior potencial epidêmico. O vírus Influenza tipo A além do homem, acomete varias espécies animais - porcos, aves - e também circula entre elas, causando surtos de gripe. Deu-se o nome de gripe suína porque havia um tipo de vírus semelhante a este atual circulando entre os suínos na época do surgimento da nova gripe. Este novo vírus parece ter sido uma combinação genética de vírus de outras espécies animais com a humana. O problema do vírus Influenza tipo A é esta grande capacidade de mutação genética que ele possui.

A que a senhora atribui o aumento do número de registros da gripe no Brasil?
Atualmente, o deslocamento de pessoas entre países e continentes é muito grande,então já era esperado que houvesse este aumento de casos, principalmente no Hemisfério Sul, pois estamos na estação do inverno, que favorece as pessoas ficarem mais aglomeradas e facilita a transmissão, além de diminuir a resistência do sistema respiratório.

O que estaria tornando o vírus mais resistente aos medicamentos?
Apenas nas últimas décadas - a partir de 1990 - é que surgiram medicamentos antivirais. Como o vírus Influenza tipo A tem uma alta capacidade de mutação genética ele tem a capacidade de adquirir resistência muito rapidamente aos medicamentos. Só existem atualmente dois tipos de medicamentos eficazes contra o vírus Influenza do tipo A. O problema também é que muitas doenças que não são gripe - como o resfriado, que é causado por outro tipo de vírus - são erroneamente tratadas como gripe.
Que cuidados as pessoas devem tomar, mesmo sem se deslocar até a Argentina e outros países em que há maior risco de transmissão?
Evitar locais aglomerados, viagens prolongadas, ambientes sem ventilação. O uso de máscara é controverso, pois embora diminua o número de partículas que a pessoa respira, não protege totalmente da gripe.


A maioria dos casos confirmados no Brasil está em São Paulo. O que as pessoas com viagem programada para o estado paulista devem fazer para se prevenir? Ida a teatros e demais locais fechados deve ser evitada?
Apesar de o maior número de casos, São Paulo é a maior cidade do país, então o risco lá pode não ser maior que em outras cidades. Além de evitar locais aglomerados cabe lembrar que a grande maioria dos casos de gripe é leve e a gravidade depende do estado de saúde das pessoas. Quem tem uma boa saúde, alimenta-se bem, faz exercícios físicos regulares, tem menor chance de vir a ter uma gripe mais grave. Apenas nos casos mais graves tem-se indicado o tratamento antiviral.

Em que faixa etária os cuidados devem ser intensificados? ou não há faixa de risco?
As faixas etárias mais jovens - abaixo de 1 ano de idade, e as mais velhas - acima de 60 anos de idade, têm maior risco de adoecimento grave.

O que deve fazer a pessoa que suspeitar ter contraído a doença? Como é o exame para o respectivo diagnóstico?
A atual definição de caso de gripe inclui sintomas que se iniciam 1 a 4 dias após o contato com outro caso e que evolui com febre alta - acima de 38 que pode durar até sete dias, dores do corpo e de cabeça, fraqueza, tosse, dor de garganta, nariz entupido ou com coriza. Raramente ocorre diarréia e vômitos, mais comum em crianças. O exame indicado para os casos é a coleta de secreção (swab) do nariz e da garganta. Mas só é feito em casos selecionados.

A senhora acredita na eficiência da vacina? O vírus é estável?
Não existe vacina disponível até o momento. As vacinas que existem para o vírus Influenza tipo A não são específicas para este novo tipo que circula, portanto, não têm eficácia comprovadas. Não, o vírus não é estável. As vacinas são produzidas todo ano e mesmo se produzindo uma vacina, o vírus precisa ser constantemente monitorado, pois ele pode mudar de uma hora para outra. A cada século são esperadas duas a três pandemias mundiais deste vírus. As últimas foram no século passado, em 1918, 1937 e 1958. Já estava sendo aguardada uma nova pandemia pelos estudos epidemiológicos.

É verdade que o vírus da gripe A mata apenas se associado a outros fatores?
Sim, é verdade, raramente uma pessoa saudável irá ter um caso grave de gripe.

A senhora acha que os municípios brasileiros podem ficar tranquilos ou devem lançar mão de medidas preventivas?
Não, os municípios devem monitorar constantemente os casos de gripe e acompanhar o surgimento de casos muito graves. Não existem medidas preventivas muito eficazes, pois como a transmissão é pelas gotículas de saliva e de secreção respiratória, pelo ar, é difícil fazer isolamento. E, como já disse, as máscaras não são totalmente eficazes. O isolamento dos casos suspeitos não é eficaz porque muitas pessoas têm casos leves, que passam desapercebidos, mas também estão transmitindo a gripe. Não existe vacina eficaz. Atualmente, é muito difícil "fechar" fronteiras, pois a circulação das pessoas é necessária.

Os hospitais estão preparados para atender o número crescente dos casos? E como é o tratamento?
Depende do número de casos graves que surgem. Até o momento o percentual de casos graves está abaixo de 1% e existem hospitais disponíveis para atendimento. Há o risco de uma nova mutação que torne o vírus Influenza tipo A mais grave ou mais leve, de um momento para outro. O tratamento está sendo fornecido pelo Ministério da Saúde com o oseltamivir - apenas para os casos notificados pelas autoridades de saúde com indicação precisa do médico. O uso indiscriminado pode tornar o vírus resistente. O estoque do MS é suficiente para um grande número de casos. O tratamento dos casos graves inclui necessidade de leitos de urgência – Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Que avaliação a senhora faz de todo o quadro e que recomendações faria às autoridades governamentais e de saúde pública?
O momento atual é de observação e de alerta. Se possível, as pessoas devem evitar viajar e frequentar lugares aglomerados. As autoridades devem buscar monitorar o vírus constantemente - daí a importância de se notificar os casos suspeitos às autoridades de saúde e coletar exames adequados se necessário, para verificar se o vírus Influenza está se modificando. A vacina para este tipo específico está sendo produzida, resta às autoridades maior investimento para acelerar o estudo e produção desta vacina, que seria de longe a medida preventiva mais eficaz.

Rose Dutra
Assessoria de Comunicação
Universidade de Uberaba (Uniube)

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