Morre em São
Paulo o ex-ministro Olavo Setúbal
Maria Eugênia
Castilho
Repórter da Agência Brasil
São Paulo -
O ex-ministro das Relações Internacionais
no governo José Sarney, Olavo Egydio Setúbal,
morreu hoje (27), aos 85 anos, de insuficiência cardíaca.
Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês.
O velório será
realizado no Centro Empresarial Itaúsa, no Jabaquara,
em São Paulo, a partir das 16h até às
10h de amanhã (28). O corpo será cremado nesta
quinta-feira, em cerimônia só para a família.
Filho do escritor e
poeta Paulo Setúbal e de Francisca de Souza Aranha
Setúbal, Olavo perdeu o pai aos 14 anos, passando
a contar com as orientações e cuidados de
seu tio Alfredo Egydio de Souza Aranha, fundador do Banco
Federal de Crédito, atual Banco Itaú. Atualmente,
Setúbal presidia o grupo Itaúsa, holding que
controla a instituição financeira Itaú.
Paulistano, nascido
em 16 de abril de 1923, o banqueiro e político formou-se
engenheiro mecânico-eletricista, formado pela Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (USP),
e logo depois começou a trabalhar como professor-assistente
no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Assim que conseguiu
juntar seus primeiros US$ 10 mil, Olavo Setúbal fundou,
em 1947, com seu colega de turma Renato Refinetti, a companhia
Artefactos de Metal Deca Ltda. Em 1953, a companhia adquiriu
uma indústria de válvulas de descarga. O sucesso
foi tamanho que logo seu tio Alfredo chamou-o para salvar
o Banco Federal de Crédito, então com problemas
financeiros.
Olavo Setúbal
percebeu que a rápida expansão do Federal
de Crédito só seria viável com a fusão
ou incorporação de outros bancos, adquirindo
assim o Itaú. A fusão Federal-Itaú
foi concretizada em 2 de janeiro de 1965. Em dez anos, entre
1965 e 1975, a instituição cresceu com importantes
fusões, aquisições e incorporações,
como as dos bancos Sul-Americano, América, Aliança
e Português do Brasil.
No início de
1975, assumiu a Prefeitura de São Paulo a convite
do governador Paulo Egydio Martins.
De volta ao banco em
1979, Olavo assumiu a presidência do Grupo Itaú.
José Carlos Moraes Abreu permaneceu como diretor-geral.
Atuou ao lado de Tancredo
Neves, articulando a criação do Partido Popular
(PP). Convidado pelo presidente eleito, Tancredo Neves,
em 1985, Olavo Setúbal foi nomeado ministro das Relações
Exteriores, deixando sua marca em importantes iniciativas,
como a que deu origem ao Mercosul. Após um ano, decidiu
abandonar definitivamente a vida pública e retomar
suas atividades no Itaú.
Olavo Setúbal
deixa a esposa, Daisy, e os filhos Paulo, Maria Alice, Olavo
Jr., Roberto, José Luiz, Alfredo e Ricardo, além
de 19 netos.