Brasil terá
uma empresa a cada 24 habitantes em 2015
Setor de
serviços vai concentrar o maior número de
negócios nos grandes centros
O país pode chegar a 2015 com uma empresa para cada
24 habitantes. Isso representa um universo de quase 9 milhões
de pequenos negócios em 2015, para uma população
em torno de 210 milhões de pessoas. Este é
um dos dados apontados pela pesquisa Cenários para
as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) do Estado de São
Paulo 2009/2015, realizada pelo Observatório das
MPEs do Sebrae-SP.
A pesquisa, que mapeou as principais tendências econômicas
nacionais e mundiais, faz um recorte do impacto do desenvolvimento
econômico brasileiro neste cenário global e
aponta as oportunidades e caminhos para os pequenos negócios
em 2015.
O estudo identificou um aumento expressivo na relação
empresas x habitantes, evoluindo de uma empresa a cada 42
habitantes, em 2000, para uma a cada 24, em 2015, aproximando
o Brasil dos índices europeus registrados em 2000,
quando Alemanha, França, Reino Unido e Itália
apresentavam, respectivamente, 23, 24, 23 e 14 habitantes
por empresa. A projeção é que, em 2015,
o universo de MPEs passe dos atuais 5 milhões para
8,8 milhões, e que mais da metade destes negócios
(4,8 milhões) esteja concentrada no setor de comércio
(55%), em todo o país, seguido pelos serviços
(34%) e indústria (11%).
Para o superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella,
o crescimento da relação empresas por habitantes
no país pode ser atribuído em sua maior parte
à estabilidade econômica originária
do Plano Real, ao aumento da confiabilidade institucional,
ao crescimento econômico e à consolidação
do ambiente democrático. “Quando há
crescimento econômico aliado a um ambiente institucional
estável, há maior sensação de
previsibilidade, o planejamento se torna menos difícil
e o empreendedor se sente mais confiante em investir. O
resultado é o aumento do número de empresas
no país”, avalia Tortorella, que destaca ainda
a sanção da Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas no final de 2006 (Lei Complementar 123/06), como
um dos marcos que contribuem para a melhora do ambiente
institucional e de investimentos no país.
Crescimento dos Serviços
O Estudo aponta também os setores que devem ter maior
índice de crescimento nos próximos anos. No
comércio, os destaques são para os segmentos
de materiais e equipamentos para escritórios e informática
(crescimento de 12,5% a/a no número de MPEs), comércio
de autopeças (7,7% a/a) e quitandas, avícolas
e sacolões (7,1% a/a). No setor de serviços
lideram: informática (12% a/a), transporte terrestre
e atividades auxiliares de intermediação financeira
empatadas, com 8,4% a/a. Na indústria, o destaque
é para o ramo de fabricação de máquinas
e equipamentos (7,5% a/a), edição e gráfica
(5,6% a/a) e confecção de artigos do vestuário
(5,0% a/a), este, um dos setores que historicamente vem
puxando o bom desempenho da indústria nos pequenos
negócios.
Mas esta tendência muda nos grandes centros, como
na região metropolitana de São Paulo, onde
o setor de serviços deve ultrapassar o comércio,
em 2015, com 717 mil novas empresas (47%), contra 665 mil
estabelecimentos comerciais (44%) e 134 mil na indústria
(9%). Os segmentos de serviços que puxam este crescimento
são os de aluguel de veículos, máquinas
e equipamentos (15,5% a/a) e informática (14,8% a/a).
As perspectivas também são positivas, porém
mais comedidas para os serviços de alimentação
e alojamento que registraram crescimento de 18% em 2000,
e a projeção é de 12% em 2010.
Oportunidades
Além de destacar uma retomada do crescimento mundial
a partir de 2010, com índice de 4,9% ao ano de variação
projetada para o produto mundial (ritmo mais forte dos últimos
40 anos), o estudo também apontou segmentos que representam
oportunidades para empreender, a partir de novas tendências
na economia e na sociedade. São elas: educação
on-line, lojas especializadas para população
com mais de 60 anos, negócios voltados à preocupação
com a saúde como cursos, lojas e atividades e centros
de lazer e brinquedos, atendendo a forte emancipação
do consumo das crianças.
Responsabilidade social e eco-soluções também
são setores em relevância com créditos
de carbono, comércio justo, reciclagem, construções
e brindes ecológicos, assim como produtos e serviços
voltados para busca espiritual e mística (retiros,
livros) e para estética e aparência (cirurgias
plásticas e serviços).
As oportunidades de negócio seguem a tendência
de mudança de consumo da população.
Os indicadores sociais do estudo ratificam o aumento da
classe C e queda das classes D e E.
A redução das desigualdades e a melhora dos
indicadores sociais apontam para uma maior escolaridade
e aumento na renda das pessoas. Além disso, a pesquisa
registra também um aumento da expectativa de vida
e da idade média dos brasileiros (pessoas com mais
de 40 e mais de 60 anos empreendendo). Para atender a estas
demandas, os negócios voltados para pessoas que moram
sozinhas e que passam mais tempo em casa tendem a estar
aquecidos, como lojas e sistemas de segurança, serviços
de leva-e-traz, entrega em domicílio, serviços
para idosos, necessidades na área de saúde
e artigos que proporcionem mais comodidade no lar.
Perfil do Empreendedor
O estudo apontou também uma mudança significativa
no perfil deste empreendedor nos próximos anos. Ele
terá mais escolaridade, maior expectativa de vida
e aumento na renda média de pelo menos 12% em termos
reais.
Os homens continuarão sendo a maioria dos empreendedores,
apesar do forte avanço das mulheres, que representavam
32% em 2007 e deverão ser 36% dos empreendedores
brasileiros em 2015. No estado de São Paulo este
número deve chegar a 40%.
As previsões indicam ainda uma elevação
no tempo de estudo nos dois tipos de empreendedores. De
6,2 anos em 2006 para 7,7 anos entre os que trabalham por
conta própria, e de 9,7 anos para 10,7 anos para
os empregadores, no mesmo período.
Internet e Informação
As fontes de informação do empreendedor também
devem mudar. Ele utilizará de forma mais intensiva
a internet, computadores e celulares. Hoje, a principal
fonte de informação dos empresários
de pequenos negócios ainda é o contador (87%),
seguido pelas pessoas ou empresários do mesmo ramo
(72%) e a internet (62%). Mas a expectativa de utilização
da internet para busca de informações deve
crescer ainda mais nos próximos anos com aumento
do número de computadores e das redes de acesso de
alta velocidade.