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EMTU
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Protótipo
começa a rodar em 1/07 |
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Ônibus
que não polui começa a rodar em SP
terça-feira, 30 junho, 2009 20:03
MARIANA DESIDÉRIO
da PrimaPagina
A partir de 1º de julho,
os usuários do corredor de ônibus Jabaquara-São
Matheus (que vai da zona sul à zona leste da cidade
de São Paulo, cortando 33 km) poderão encontrar
um coletivo diferente. Silencioso, de cor azul clara , vidros
escuros, com ar-condicionado, é assim que o primeiro
ônibus movido a hidrogênio do Brasil se apresentará
a seus passageiros.
Fruto de cinco anos de trabalho
de um projeto que envolve Ministério do Meio Ambiente,
EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), PNUD
e GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente), o ônibus
não emite um miligrama de poluição.
O hidrogênio é combinado, por meio de reações
químicas, com o oxigênio da atmosfera, gerando
uma corrente elétrica que move os motores e liberando,
no lugar do CO2, vapor de água.
O veículo que teve lançamento
adiado (a previsão inicial em 2008) em razão
de atrasos na fabricação já está
pronto para rodar. Com capacidade para levar 63 passageiros,
funcionará por 60 dias em caráter de teste,
e depois será incorporado à frota da cidade,
como um ônibus comum. A partir daí começam
a ser fabricados mais três veículos do tipo,
que devem ser entregues entre maio e julho de 2010. “O
objetivo agora não é substituir a frota atual,
mas estudar o comportamento do transporte limpo numa cidade
como São Paulo, em comparação com outros
combustíveis, como o diesel”, explica Carlos
Zündt, gerente de planejamento da EMTU e coordenador
do projeto.
Além dos outros três
coletivos, o projeto pressupõe ainda a construção
de um fábrica para produzir hidrogênio a partir
da eletrólise da água (separação
dos átomos de hidrogênio e oxigênio).
Com previsão para início das obras em julho,
a fábrica deve ficar pronta em seis meses. Até
lá, o ônibus que começa a rodar no dia
1º usará hidrogênio produzido a partir
do gás natural, um combustível fóssil.
“A premissa é ser totalmente limpo, num ciclo
fechado. Começa com água e energia e termina
com água e energia”, define Zündt.
Por ser abundante e não
poluir, o hidrogênio é considerado como uma
alternativa promissora aos combustíveis fósseis.
De acordo com o gerente de planejamento da EMTU, já
existem no mundo mais de 5 mil veículos que usam
este gás para conseguir energia. Ele cita dados da
IPHE (Sociedade Internacional para a Economia do Hidrogênio
, que afirma que em 2015 o combustível já
deverá ter uma distribuição em escala,
estando presente em postos da Europa e dos EUA (no Brasil,
a previsão é que isso ocorra em 2020). Zündt
cita ainda outra estimativa do renomado físico italiano
Cesare Merchetti (um dos pioneiros na pesquisa do hidrogênio
como alternativa energética) de que, em 2080, 90%
dos veículos do mundo serão movidos a hidrogênio.
Mas, se o hidrogênio é
tão abundante e tão limpo, porque usamos petróleo
e seus derivados até hoje como combustível?
Um dos motivos é o alto custo de produção
do hidrogênio. O processo de extrair hidrogênio
da água através da eletrólise é
caro. Zündt, entretanto, coloca outros fatores na conta:
“O diesel só é muito mais barato [que
o hidrogênio] para os leigos. Ele é o pior
combustível que existe. É preciso considerar
o gasto público com doenças respiratórias
em função da poluição, do enxofre,
da chuva ácida. Somando isso, o diesel tem um custo
200 vezes maior do que o hidrogênio”, argumenta.
“Os países já
acordaram para essa questão e estão investindo
pesado nisso”, afirma o coordenador do projeto. Segundo
ele, o Brasil já foi contatado por empresas interessadas
em comprar veículos do tipo. A tecnologia do “ecoônibus”,
porém, não é somente brasileira. A
construção foi possível graças
a uma parceira entre diversas empresas (nacionais e internacionais)
que trouxeram de fora tecnologia essencial para o projeto,
como as células de hidrogênio, responsáveis
por “tirar” energia do gás. “Não
fabricamos, mas sabemos como grudar as partes”, brinca
Zündt. O simples “grudar” não é
pouca coisa. É graças à maneira nacional
de construção do veículo que o ônibus
a hidrogênio brasileiro é o mais barato do
mundo, ressalta o gerente da EMTU. A produção
desse tipo de ônibus está restrita a um grupo
de apenas seis países, do qual o Brasil faz parte
e tem ainda China, EUA, Alemanha, Holanda e Japão.
PNUD
http://www.pnud.org.br