domingo, 7 novembro, 2010 23:40
The
Flying Pig Hostel
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AMSTERDAM - Voltar ao
lounge-bar do The
Flying Pig Hostels desta cidade, em plena Nieuwendkstraat,
é sempre um enorme prazer. Afinal, anos atrás,
este local foi palco de um dos meus maiores e mais luminosos
insights da vida, e que até mesmo, foi registrado
em minha obra literária "Madrugada em Amsterdam".
E agora, novamente,
escorado em almofadões no tatame mais underground
do planeta (cof, cof, cof - crises de tosse) - com o som
mais que perfeito - do enfant terrible Nick Cave
(Where the wild roses grow), perco os olhos diante da eterna
janelinha do bar, em frente ao neon billboard vermelho
da "Budweiser light", meio arcado, se confrontando
com o verde local da "Heineken Pilsner". O dilúvio
publicitário. Litígio da mídia Incorporated
para vender mais mídia e mais comercial. Wot
the hell...eu com cara de easy ryder... ela
com cara de blade runner...
Sim, minha agente usa
e abusa dos melhores argumentos para defender sua tese de
que viajar é a forma mais producente de se adquirir
sabedoria... Embora, atento aos seus argumentos, e avaliando
todos eles, penso que as viagens podem ser fontes de crescimento,
mas evidente que não para todos...afinal, aqueles
que insistem em partir com objetivos claros e uma bagagem
repleta de preconceitos podem sim, desperdiçar seu
tempo.
As experiências
demostram que a maioria dos globetrotters mal conseguem
conhecer onde estiveram, sequer compreender. Acho até
que vários retornam exatamente como partiram: concretos
inabaláveis de certezas que nem ao menos foram abaladas.
Para que tenhamos crescimento
em uma viagem, é preciso que tenhamos mais do que
grana, passaporte e passagem. Temos que partir com a cabeça
aberta e visões amplas e preparados para conviver
com o oposto do que somos e ao que estamos habituados.
Mesmo antes de partir
temos que lembrar que pouquíssimas viagens são
confortáveis, pois, nos tornamos vulneráveis
em locais que não somos familiarizados. Várias
coisas podem nos deixar estressados a ponto de nos desviarmos
do objetivo da viagem, como os complexos balcões
dos aeroportos, atendentes de péssimo humor, vôos
que sempre atrasam ou são cancelados, os bizarros
funcionários da imigração de vários
países, taxistas que pensam que somos otários...e
tempestades intermináveis que nunca imaginamos encontrar.
Diante de todas essas
circustãncias, muitos se deixam levar pelas preocupações
e acabam por esquecer do OLHAR.
Inseguros com a possibilidade
de serem assaltados ou roubados não percebem as paisagens
nas janelas dos trens. Impacientes com o trânsito
não notam os costumes e os hábitos diferentes
nas ruas. Apreensivos se a reserva foi ou não confirmada
no hotel, deixam de apreciar o paladar de um prato local...
São várias
as desculpas que um viajante pode arrumar quando não
admite que não se pode exercer contole sobre os eventos
do acaso. Assim , é facil viajar tenso e armando
mil planos de defesa contra as "forças opostas"
Acho, que para uma
viagem nos possa marcar, temos que abandonar na nossa partida
tanto as nossas preocupações quanto as nossas
convicções. Ao abandonarmos o "porto
seguro" de nossas vidas tudo pode e deve ser difernte,
e nem por essa razão estará sendo errado.
Cada local tem suas próprias peculiaridades, sua
ética, seus valores e sua forma de viver, e se não
abrirmos a nossa cabeça para estas diferenças,
teremos perdido tempo, dinheiro e pior de tudo a grande
oportunidade de ampliarmos os nosso horizontes.
Não quis evidentemente
fazer contraponto a minha agente, mas se viajar fosse por
si só, uma certeza absoluta de se adquirir sabedoria,
cada avião que chega de um país longíncuo
traria em seus assentos mais de trezentos sábios,
um fato(sonho) sem dúvida bem distante da realidade.