sexta-feira, 17 dezembro, 2010 0:41
Revival
Beat
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Paris - Final do outono
- Rue des Carmes com Bd.St.Germain, coração
do Quartier Latin - madrugada de um Domingo gelado.
Eu estava a beira da
calçada, sob o nocaute direto do vento gelado, sem
destino, acendendo o milésimo Gitanes das esferas.
De repente, do nada...flagrantes
meteóricos de vozes e imagens mundiais perdidas em
correntezas mitológicas na atmosfera parisiense...uma
multidão súbita de pessoas nas adjacências...elas
usavam boinas escuras, jeans, jaquetas de couro, óculos
escuros na madrugada gelada...Os Pubs e Cafés a coté
lotados. Todos se comportavam nos ritos da estética
das "máximas do cool". O que era, então,
tudo aquilo?
Era sim, um revival
beat. Um revival "absolutamente" sublime, autêntico.
Achei tudo aquilo genial. Inacreditavelmente eu estava voltando
aos anos 50 - uma época que meus pais, creio, nem
pensavam um dia em me conceber. Em meio a todo aquele frenesi
havia também muito jazz, beat, imprecionismo, revolta
e todo aquele catálogo de vida pulsante latejando
nas veias e no cérebro.
Os beats estavam mais
vivos do que nunca. E eu sabia tudo sobre eles. Eu era um
deles. Eu tinha lido e ouvido de tudo naquele tempo. Tudo.
E aquele movimento chegava na hora exata...aquelas vozes,
aquele som épico, aquela ideologia como se fosse
o tema de um revolucionário romântico parindo
para a eternidade com a mais bela Musa sobre a terra. Os
beats fecharam a porta do meu corpo e da minha cabeça,
e claro, levaram a chave.
Agora é que ninguém
me segurava. No dia seguinte, lá estava eu na auto-route
Paris-Nice - a estrada again. O inflamado espírito
da "aventura pela aventura" reinava mais do que
nunca nas minhas ondas mentais hertzianas. O delírio
do constante movimento, das overdoses plásticas e
das reflexões profundas...Era simplesmente ir...e
claro , dhutar o vento em TODAS as direções...
Vá também...vá
atrás da vida, do sonho...seja por beat, bobeira,
baboseira, ou simplesmente nada...Só nos resta o
movimento. Matamos o tempo e o tempo nos enterra. Ao menos
estamos a vontade: entre assassinos.