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sábado, 26 março, 2011 23:15

O Mundo em 3x4

 
 
 
Fotomontagem/arquivo
 
   
     

Outro dia, sentado com amigos numa mesa de bar, entre salames, queijos, vinhos e cerejas, abusávamos dessas deliciosas conversas de vida.

No meio a tantos assuntos, eles me perguntavam, com muito interesse, sobre o(s) por que(s) e como(s) de minha trajetória enquanto autor de obras literárias, voltadas às viagens internacionais.

Tentei, ainda que lacônicamente, responder com bom humor, de que eu já havia nascido com tração total nas duas patas , e que, acima de tudo, estes meus trabalhos literários eram "simplesmente" fenômenos episódicos, consequência de meus "relatos de viagens"; minhas descobertas, experiências e insights "mundo a fora".

A resposta não bastou...e eles insistiam: "Mas como se deu tudo isto"??? Lamentavelmente, antes que eu os respondesse, toca o telefone, e do outro lado da linha um "ultimato" me obrigava a abandoná-los sem resposta. Assim, aproveito deste espaço para respondê-los...

Ok, tem coisas na vida que não são fáceis de se explicar - e neste caso, tenho que voltar no tempo, o que já é uma viagem... Desde cedo, ainda na infância, tive o "imenso" privilégio de ter uma biblioteca em casa. Livros e mais livros se misturavam aos meus pequenos brinquedos - eram Forte-apaches e "Prousts", Banco imobiliário e "Huxleys", Wars da vida e "Hemingways". O tempo foi avançando, cheguei a adolescência, abandonei os brinquedos e mergulhei nos livros. Dentro de casa se inicia a "grande viagem".

Os horizontes começam a se ampliar, dentro e fora da minha cabeça. Então, descubro os escritores beatniks. Era fantástico conhecer figuras como: Kerouac, Neil Cassidy, Burroughs, Fante e tantos...que reduziram tantos outros a pó!!! Devo ter lido "On the road", mais de dez vezes. Sabia passagens de cor. As sugestões de leitura de Kerouac segui todas, ou seja, li todo e qualquer livro que citava, até E.M. Cioram, Precis de Decomposition.

Ali estava um autor que avalizava toda a minha rejeição a caretice e ainda articulava argumentos poderosíssimos demonstrando a basbaquice que eu suspeitava ser a rotina e a vida dos que insistiam em puxar o sistema para trás. Ele falava de viagens e terras longíncuas. Me lembro, que neste período, ganhei de meu pai um pequenino globo terrestre, uma miniaturazinha colorida em que os países superpostos me deixavam hipnotizado.

Um dia coloquei o pequeno globinho terrestre na palma da minha mão. De repente, o mundo ficou pequeno e os meus olhos grandes. Comecei a sentir por dentro um desejo enorme de viajar, a princípio, pra dentro e logo depois para fora, de mim e do Brasil. Eu me perguntava se queria ir a algum lugar ou simplesmente ir... Comprei uma moxila e nunca mais parei. Cai no mundo. Me virava até mesmo sem grana para viajar. Invadi, tomando de assalto vários países diferentes. Vivi e tenho vivido tantos anos em alguns deles.

Celtas, Druidas, renascimento fiorentino, Espanha, diabólica "tentazione" holandeza em Dan square, França segunda pátria, romantismo alemão, Berlin, London, "Nu york", California e...Nippon.

Vi burkas de todas as cores, gente de todas as raças, jovens de todas as peles, quadris de todas as sensualidades, grupos de todas as línguas (que se roçam) e que pulam para cá e pra lá dos continentes. O mundo me recebeu de braços abertos e de mãos estendidas.

Tenho retribuido, ao meu modo, da mesma forma. Minhas obras literárias "Paris para pão-duro", "Madrugada em Amsterdam" e "Hotéis para pão-duro" Versão: Europa, assim como os meus Cds: "Madrugada em Amsterdam" - Disco Arena e Bye Honey I´m on the road again, foram realizados 100% dentro desta perspectiva.

Apenas para finalizar, quero dizer que se fosse hoje o dia de partir desta forma humana que me hospeda, com certeza eu iria numa boa, afinal, deixei de fazer menos do que fiz. A bem da verdade, o que busco na vida é como sair dela com saldo positivo no livro contábil das descobertas, rico, ainda que só de experiências e aventuras. É por isto que até hoje não resisto ( e não quero resistir)a sedução da estrada.

E ela tem sido imensa e me proporcionado várias surpresas agradáveis. Tudo isso colocado em perspectiva, acho que cheguei lá(será?) Ah, chega. Como se diz no bom inglês: check it out!

Operador de viagens e escritor-globetrotter , Autor dos guias Paris para Pão Duro, Londres para Pão-duro , Madri para Pão -duro, Hotéis para Pão-duro - Versão: Europa e Madrugada em Amsterdam.
wilsonjuniorinvega@yahoo.com.br
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