Sex, 9 janeiro, 2009 15:04
Belezas do Parque
Nacional de São Joaquim encantam pelo frio e neve
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| Morro da igreja
encanta visitantes. |
Onça-parda
é uma das espécies protegidas na unidade |
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Fotos: Eduardo
Issa e Arquivo Parna São Joaquim-SC |
Luciana Melo
Brasília –
Neve, cascatas congeladas e frio intenso. Certamente este
é um cenário incomum para um país tropical
como o Brasil, mas são essas características
que atraem mais de 100 mil turistas para o Parque Nacional
de São Joaquim, em Santa Catarina, todos os anos.
Além do frio intenso na
região e a ocorrência de neve nos meses de
maio à setembro, os visitantes também vão
ao parque para conferir de perto as belezas cênicas
da região. Segundo o Chefe da Unidade Conservação
(UC), Michel Omena, até outubro deste ano, cerca
de 101 mil pessoas passaram pelo Parna e puderam observar
as várias paisagens da UC, formadas por sua geologia,
que se destaca pelas formações de basalto
e arenito, que dão forma a região.
E além disso, também
tiveram a oportunidade de entender como funciona a área
de carga e descarga do Aquífero Guarani - mais importante
aquífero das Américas e um dos maiores do
mundo - reserva subterrânea natural de água
doce, e que na área do parque transborda formando
diversas nascentes, entre elas as dos Rios Pelotas, Canoas
e Três Barras (Tubarão), importantes fontes
de água para a agricultura, abastecimento público
e geração de energia.
A condição climática
peculiar do parque deve-se a sua localização.
A região está situada na parte mais fria do
país. Mas apesar disso, a unidade apresenta variações
bem distintas, que são conhecidas localmente por
"campos-de-cima-da-serra", na parte mais alta
e fria do parque e região da "serra abaixo",
aonde também neva, mas o inverno é normal.
O Parque Nacional de São
Joaquim foi criado em 1961 e recebeu este nome pois naquela
época o município de Bom Jardim da Serra era
distrito do município de São Joaquim. Atualmente,
sua sede fica na cidade de Urubici, principal acesso a parte
pública do Parque, e próxima aos pontos turísticos
mais conhecidos, o Morro da Igreja e a Pedra Furada. Este
também abrange os municípios de Grão
Pará e Orleans, na faixa de transição
entre as Matas Atlântica e de Araucárias, que
formam outras vegetações específicas
como as Matinhas Nebulares e nas áreas mais altas,
os campos de altitude.
Sua fauna e flora são
ricas em biodiversidade, muitos são os endemismos
e possui varias espécies ameaçadas de extinção.
Entre os animais se destaca, o Leão Baio ou Onça
Parda (Puma concolor) e entre as plantas o Xaxim (Dicksonia
sellowiana) e a Adesmia reitziana, esta última localizada
numa pequena mancha acima do Corvo Branco, outro local muito
visitado por turistas.
O parna pretende realizar, a
partir de 2009, um projeto de educação ambiental
nas escolas da região. O Parque vai manter também
seu apoio as pesquisas existentes e fomentar novas ações
na Unidade, previstas para serem iniciadas já em
janeiro.
“Através de programas
de Trabalho Voluntário, o parna receberá estudantes
de Ciências Biológicas e Engenharia Florestal,
para tentar executar pesquisas rápidas na UC e assim
agregar mais informações sobre a fauna e flora
do Parque. Queremos incentivá-los a proporem projetos
de Mestrado com ênfase na UC”, comentou Omena.
Além disso, também
estão previstas para o próximo ano, a efetiva
elaboração do Plano de Manejo. “A elaboração
do Plano de Manejo caminha lentamente, porém realizamos
esforços junto a Coordenação do Bioma
para conseguirmos a liberação de verba de
compensação ambiental, para no biênio
2008 e 2009, acelerarmos o processo e conjuntamente formarmos
o conselho consultivo da UC, que trabalha informalmente,
analisando questões específicas como turismo
na área”, afirmou o chefe da unidade.
Omena garante que o maior objetivo
do Parque Nacional de São Joaquim é conservar
o ecossistema do sul do país, incluindo áreas
de Mata Atlântica, Mata de Araucárias, Matinhas
Nebulares e Campos de Altitude, para preservar amostras
de biodiversidade exclusivas do sul do Brasil, possibilitando
Pesquisas Científicas, Educação Ambiental,
Visitação e Recreação Pública
em contato com a natureza, e determinando o desenvolvimento
responsável dos municípios na região
do seu entorno.
“Temos em mãos a
preciosa oportunidade de transformar em realidade um Parque
de papel. Atualmente buscamos demonstrar a comunidade que
Unidades de Conservação podem trazer benefícios
a esta e a não só ser um 'criatório'
de animais silvestres. Sonhamos com uma UC que garanta a
preservação dos ecossistemas nela existentes
e a recuperação de suas áreas degradadas,
o aumento das pesquisas dentro e no entorno, transformando-a
em pólo de pesquisas regional e ainda que possa trazer
benefícios a comunidade através do turismo
responsável em contato com a natureza”, garantiu
Omena.
Ascom/ICMBio