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quinta-feira, 4 maio, 2017 - 11h03 | GABY SONCINI

Harry Potter, esperanças e luz

Vivi o que se pode chamar de época Harry Potter. Fui apresentada ao filme com 11 anos, e quando assisti pela primeira vez não gostei, mal prestei atenção pela ocasião, foi passado em sala de aula e toda a turma fazia muita bagunça. O filme me apareceu por uma segunda vez, descobri que as coisas nos dão chances, mesmo quando não procuramos, assisti novamente e adorei

Harry Potter é uma história de esperança | ilustração/Gaby Soncini
Harry Potter é uma história de esperança | ilustração/Gaby Soncini

No dia seguinte fui até a biblioteca para pegar o livro, lembro até hoje de retirar ele da estante e levar comigo, andei toda empolgada pelo caminho de casa com o livro. Fiz a leitura em uns três dias e a repeti do tanto que gostei, e fiquei mais feliz ainda em saber que tinha outros livros, que mais que depressa li, e assim, vivi a espera pelos próximos livros e pelos próximos filmes.

Algo especial em Harry Potter para mim foi o fato de eu poder crescer com ele e com os personagens, e todo mundo que viveu isso na época da espera por um novo livro, da espera por um novo filme, tem esse mesmo sentimento de ter tido uma série que acompanhou sua vida.

Tanto é que quando saiu o último livro, um sentimento muito estranho ficou dentro de mim, faltavam outros filmes sim, mas tinha acabado, não acabado com esse fim que colocamos nas coisas, os livros tem esse poder de se renovarem a cada vez que lemos suas histórias, recentemente li Harry Potter por mais uma vez, os sete livros, e apesar da leitura se atentar à detalhes que não se atentava lá pelos 12 anos de idade, senti tanta coisa igual, como se a história tivesse começado como naquela vez. Por isso acho que nunca um fim é uma palavra exata, mas tinha acabado pelo menos um momento.

Hoje eu tenho certeza que muitos que amam essa série ficam esperando notícias novas, vibra com um escrito novo da J.K.Rowling no Pottemore, não segurou a empolgação com Animais Fantásticos e onde Habitam, filme do universo Harry Potter, enfim, é uma história realmente que pode ser sempre explorada, e que alimentou e continua alimentando o gosto pela leitura em muitos jovens.

Harry Potter nunca foi só uma história de criança, é uma história além de tudo dolorida, que nos faz chorar, que nos dá perdas, que nos mostra como pode ser o tamanho da maldade e a força desta em uma sociedade, como as pessoas seguem o que acaba sendo mais fácil, se deixam levar por palavras e discursos, gostam de se dividir, vê outros seres tanto da mesma espécie como de outras com preconceito.

Mas, principalmente, Harry Potter é uma história de esperança, uma esperança que apesar de tudo sempre está lá, quietinha, até fica assustada e treme, mas volta, sempre volta, porque a esperança é assim.

Tem o poder da bondade, nos mostra um garoto frágil, com o coração dolorido, carregando um mal que nem ele mesmo sabe e conhece direito, e que apesar de tudo continua, e tem coragem suficiente de enfrentar, porque precisa de um mundo melhor mesmo com tudo que já lhe aconteceu, que consegue tirar uma lembrança feliz de um momento terrível de sua vida, e produzir um patrono poderoso, e para quem não sabe, patrono é um dos feitiços mais bonitos da série.

Expecto Patronum: Um feitiço que cria um guardião animal prateado cheio de energia positiva que repele dementadores, seres negativos que trazem tristezas.

Para se conjurar um patrono é preciso se lembrar com força de uma lembrança feliz.

Que patronos sempre poderosos possam ser conjurados para as tristezas que vivemos, e para terminar esse texto de hoje, deixo uma frase de Alvo Dumbledore personagem da série e um poema da poeta Emily Dickinson sobre a esperança.

“Pode-se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias se a pessoa se lembrar de acender a luz.” [Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban – J.K. Rowling]

Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma
E canta um som sem palavras
E nunca, mas nunca, pára,
E mais doce é ouvido no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desanimar o passarinho
Que mantém aquecidos a tantos.
Já o ouvi nas terras mais geladas
E nos mares mais estranhos,
Entretanto nunca, mesmo no desespero,
Ele pediu uma migalha a Mim.

[Emily Dickinson – Tradução: Luís Felipe Coelho]

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Gaby Soncini é formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia, escreve e ilustra o blog Uma Doce Melodia, participa do núcleo de contadores de histórias da Biblioteca Pública de Uberlândia, ama desenhar e ler livros de fantasia

COLUNISTAS | GABY SONCINI

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