quinta-feira, 30 julho, 2009 20:31
A cura
por meio do cavalo
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Hoje,
o instituto atende gratuitamente cerca 70 crianças
e adolescentes de vários bairros e entidades
de Uberlândia |
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Os
animais são treinados para ter um modo específico
de andar. Depois que o paciente é colocado sobre
o cavalo, a equipe define o percurso, posição
da cabeça e velocidade do animal |
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Equoterapia ajuda no tratamento
de crianças e adolescentes com deficiências
físicas e mentais
O cavalo há muito tempo
deixou de ser usado apenas como uma ferramenta de trabalho
ou para diversão e esporte. Já há alguns
anos, ele também é usado como terapia para
o tratamento, por exemplo, de paralisia cerebral, falhas
posturais, acidente vascular cerebral (AVC), autismo, estresse,
síndrome do pânico e esquizofrenia. Estes são
alguns dos problemas de saúde que podem ser amenizados
com a equoterapia, tratamento complementar que utiliza o
cavalo como recurso terapêutico.
Foi pensando em oferecer este
tipo de tratamento para as crianças e adolescentes
de Uberlândia com disfunções e lesões
mentais que a executiva Rosane Lucho de Valle criou em 2005
o Instituto Marcos Sahium, atendendo a um sonho do médico
cardiologista que dá nome a instituição.
Hoje, o instituto atende gratuitamente cerca 70 crianças
e adolescentes de vários bairros e entidades de Uberlândia.
A quantidade de pacientes atendidos
só não é maior porque a instituição
não tem recebido doações financeiras
das empresas e a subvenção paga pela Prefeitura
é muito pequena, segundo a coordenadora da entidade,
Nelci Soares de Souza Vieira. Enquanto isso, mais de 100
crianças e adolescentes aguardam na fila de espera
por uma vaga para participar da equoterapia.
De acordo com Nelci, a interação
com esse animal traz benefícios físicos, psicológicos
e até mesmo afetivos em casos de deficiências
motoras ou neurológicas. “Seus benefícios
são tantos que a equoterapia é reconhecida
desde 1987 pelo Conselho Federal de Medicina. O trabalho
com o cavalo é traçado conforme a necessidade
de cada paciente. Para cada caso a equipe multidisciplinar
de profissionais, que inclui psicólogos, fisioterapeutas,
instrutores de equitação, pedagogos, fonoaudiólogos
e terapeutas ocupacionais, determina o ritmo do animal”,
conta.
Os animais são treinados
para ter um modo específico de andar. Depois que
o paciente é colocado sobre o cavalo, a equipe define
o percurso, posição da cabeça e velocidade
do animal. Com base na resposta de cada praticante, alguns
ajustes são feitos, ao longo das sessões,
na tentativa de promover uma melhora significativa nos estímulos.
A explicação para o uso do cavalo como método
de tratamento é simples. Segundo a psicóloga
Gisella Garcia Silva, chega a 90% a semelhança do
movimento rítmico (marcha) entre o animal e os seres
humanos. Assim, equilíbrio, postura e o tônus
muscular podem ser melhor trabalhados por meio da montaria.
“Além disso, o cavalo passa os movimentos tridimensionais
para cima e para baixo, para um lado e outro e para frente
e para trás, o que proporciona um método único”,
afirma a psicóloga.
Resultados surpreendem
A psicóloga Gisella Garcia Silva explica que os resultados
da prática de equoterapia são, geralmente,
maior controle dos reflexos, equilíbrio de tronco
e cabeça e correção de postura. As
pessoas com musculatura contraída adquirem flexibilidade
e as que possuem pouco tônus muscular são fortalecidas.
A interação do praticante da equoterapia com
o cavalo desenvolve, ainda, de uma forma bem lúdica,
novas formas de socialização, autoconfiança
e auto-estima. “Cada criança é um caso
diferente. Temos casos crianças que não tinham
controle da cabeça e do tronco e que com quatro meses
melhoraram este controle. Outras tinham dificuldade de caminhar
e hoje já conseguem até correr”, conta
a coordenadora da entidade.
Ana Paula Leal, 10 anos, teve
paralisia cerebral e por este motivo tinha dificuldades
de andar. Há cerca de quatro anos, quando começou
a fazer a equoterapia no Instituto Marcos Sahium, ela se
movimentava balançando para frente e para trás,
com as pernas abertas e não tinha muito equilíbrio
no tronco. Hoje, graças ao tratamento utilizando
o cavalo, ela caminha normalmente, segundo sua mãe
Josiane Barbosa dos Santos. “Ela se sente mais alegre,
tem mais disposição e confiança. Ama
de paixão o tratamento, tanto que nos dias que não
tenho condição de levá-la, ela fica
de mau humor e quando acaba a sessão ela também
chora para não descer do cavalo”, afirma.
A família de Ana Paula,
assim como as outras crianças que fazem o tratamento
no Instituto Marcos Sahium, não tem condições
de pagar por este tratamento. “Levei minha filha para
o Instituto por indicação dos profissionais
de uma instituição particular de ensino superior
onde ela fazia fisioterapia. Agradeço a Deus todos
os dias por esta oportunidade e torço para que outras
crianças tenham a mesma chance”, diz.
Conheça o trabalho do
Instituto Marcos Sahium e ajude esta instituição.
Com os recursos financeiros oriundos de empresas e pessoas
físicas, que podem utilizar os benefícios
existentes em seu imposto de renda e repassá-los
para entidades filantrópicas e Ongs, seria possível
atender à grande demanda existente, já que
a estrutura disponível é suficiente para atender
até 300 praticantes.
Mais informações: (34) 3259 -0012 / 9992-1330.
Fernanda Beraldo
/ Serifa