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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 18 abril, 2013 12:15

Muito barulho por nada?

Valter Campanato/ABr
Talvez nosso problema seja esse. A gente até sabe fazer barulho mas não sabe bem pra quê

Fizeram barulho nos Estados Unidos. Não com as bombas. Mas por causa delas. O episódio ocorrido em Boston, que deixou alguns mortos e vários feridos parou até o presidente da república.

Fecharam o espaço aéreo da região, enviaram equipes especializadas que inclusive desarmaram uma outra bomba próxima ao local, toda a polícia do país inteiro ficou alerta, e absolutamente todos os canais de televisão deram total destaque ao ocorrido. Mas enquanto você está aí acreditando que eles estão alimentando a indústria do pânico, ou que simplesmente, coitados, estão sofrendo, o que os Estados Unidos mostram é bem além.

Eles fizeram barulho. Barulho porque sua população foi atacada, seja lá por quem for. Eles fizeram barulho para mostrar quem é que manda lá, mesmo quando alguém desobedece. Eles fizeram barulho porque sabem que ao invés de mostrar fragilidade para o mundo todo, a mensagem subliminar é bem diferente. Quer um exemplo?

Estouram caixas eletrônicos aqui no Brasil com a mesma frequência que se passa um avião ao redor do aeroporto. E o que você vê a respeito? Uma nota no jornal da noite? Você já viu algum presidente se manifestar por causa disso? É uma explosão, afinal de contas. Tem bomba, afinal de contas. Podem ter outras na mesma região, colocando em risco a vida da população, oras! E aí? Nada.

Você já viu toda a polícia nacional se mobilizar quando aparece um bando de atentados a ônibus (com seus motoristas e passageiros dentro), para que o mesmo não se repita em outras cidades? Você já viu nossa polícia mais treinada chegando imediatamente ao local, inclusive a ponto de se não proteger um, proteger o próximo motorista? Porque eu não vi. Mesmo se considerarmos os bombeiros que se arriscam tanto, o caso de um ou outro policial que vira notícia por ter feito algo tão heroico, ou até mesmo um civil qualquer que fez a diferença, em nossa política não é bem assim que funciona.

Estamos sempre na mão do descaso dos políticos, sempre correndo um risco a mais totalmente desnecessário, e sempre sem respostas. Essa idéia de que somos um país pacífico, sem guerras e sem atentados terroristas por exemplo, cai completamente por terra, quando nós mesmos, os próprios brasileiros, temos liberdade o bastante de matar, explodir, queimar, estuprar, sequestrar, sem grandes consequências. E se você acha que eu estou defendendo os Estados Unidos, que tem dinheiro, estrutura e anos luz de tecnologia mais moderna, que tal então o exemplo da Índia?

Quando a jovem indiana foi estuprada, o país inteiro foi às ruas. Homens incluindo. Toda a população parou para protestar. No Egito, a troca de governo se deu como? Com o pais inteiro rezando no meio da rua. Quando não parte do governo, parte do povo. São povos barulhentos, e mesmo com estratégias tão diferentes (guerra e oração), conseguem fazer suas vozes serem ouvidas. Conseguem modificar leis, modificar governos, modificar até mesmo ditaduras. Quando um país sabe fazer barulho, ele evolui, e ainda que em passos de tartaruga, os progressos vão se apossando e se tornando cada vez mais comuns. Os comportamentos de luta, de conquista e de respeito, passam a fazer parte do cotidiano nacional.

Talvez nosso problema seja esse. A gente até sabe fazer barulho mas não sabe bem pra quê. Final de novela das oito e todo mundo não fala em outra coisa. É gol do time preferido, e lá se vão fogos, povo na rua e buzinaço. Carnaval então? A maior manifestação popular que existe no mundo! E sim, ela está aqui. Mas o problema é que só serve pra correr atrás de trio de elétrico, enquanto deveríamos estar correndo atrás de mais educação, leis, saúde, paz.

O que a gente não vê bem diante dos nossos narizes é que tudo isso só existe exatamente para nos enganar. Todo mundo já percebeu o poder da voz do brasileiro, mas é melhor incentivar que a gente grite gol do que grite amor. Sim, amor. Porque precisamos definitivamente nos conscientizar e amar nosso país. Amar nosso conterrâneo. Amar a nós mesmos. O lugar que vivemos é reflexo de quem somos.

E nós até somos bem barulhentos, mas sempre estamos fazendo o tal do muito barulho por nada.

Leia outros artigos de Dannie Karam
Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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