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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 25 abril, 2013 11:29

Um escândalo de protesto

José Cruz/ Agência Brasil
A melhor alternativa, provavelmente, é protestar até onde lhe é espaço

Protesto é respeito. Seja ele a gênero, credo, visão política ou estilo de vida, seu objetivo é ganhar voz ativa, ser ouvido, e portanto, respeitado.

O que se espera de um protesto é mostrar a mais gente um problema, trazer mais pessoas para abraçar a causa, e mostrar que existe sim o diferente, e que, logo, deve ter também espaço e respeito na sociedade. Mas essa palavra não é repetida aqui sem querer. Tudo isso gira mesmo em torno de respeito.

E como já diria meu sábio avô, a gente não pode fazer com os outros o que não quer que façam com a gente. E por isso, entro numa vertente delicada sobre os protestos. Estamos em plena era da manifestação. Finalmente, o mundo está acordando e as pessoas estão percebendo que não nasceram para serem apenas uma cabeça a mais flutuando na movimentada avenida. Descobrimos que podemos fazer diferença e literalmente mudar o mundo. E isso? É lindo! Mas aí vem a pergunta: existe limite para protestar? Jogar água na cara de padre, jogar carcaça de bicho (de verdade) no meio da rua, sair pelado? Tudo vale?

Fica difícil querer respeito se não respeitamos o espaço do outro. Todo o protesto de bem é válido mas em alguns casos, a angústia por querer e até precisar do englobamento de uma nova causa, está fazendo com que muita gente meta os pés pelas mãos. E o resultado são protestos que agridem, que colocam em risco a população, que ferem não só os manifestantes como outras pessoas também, inclusive fisicamente. Então como medir o protesto correto?

A melhor alternativa, provavelmente, é protestar até onde lhe é espaço. Quer tirar a roupa para chamar atenção? Ok. Não machuca você, mas pode chocar crianças passando exatamente por ali. Quer jogar água na cara de alguém? Já pensou se jogassem na sua enquanto você protesta de maneira pacífica e bacana? Vai expor carcaça de bicho na rua? Já investigou se isso não vai levar doença para idosos e outras parcelas mais sensíveis da população?

É claro que pensando assim, parece que não vai sobrar nenhuma forma impactante o bastante para se protestar e conquistar qualquer coisa. Mas então eu pego exemplos novamente como a Índia e o Egito. Os indianos foram às ruas com cartazes cheios de mensagens verdadeiramente necessárias e milhares e milhares de velas acesas em seus copinhos, criando momentos de silêncio e outros de pedido por justiça. No Egito, a população inteira foi à rua, de braços dados, e rezando para o fim de sua gestão política. Se houve qualquer problema nos dois casos, foi da polícia querendo contra-atacar. Mas a população em si, independente de credo, classe ou cor, se reuniu de verdade e conseguiu seu objetivo sem grandes prejuízos para seus próximos.

Acredito que esse é o motivo de terem conseguido inclusive atenção internacional. Eles não invadiram casas, não colocaram fogo em ônibus, não arremessaram objetos nos demais... Eles não fizeram o mesmo que fizeram com eles. Eles mal mostraram o que já passaram por terem sido desrespeitados. Eles apenas se focaram no objetivo, de forma pacífica, inteligente e produtiva. Foram superiores aos seus opressores e ensinaram acima de tudo, verdadeiras lições de amor, respeito e liberdade.
Isso deveria ser protestar. Até porque, este tipo de protesto, por incrível que pareça, mostra muito mais de sua causa, do que os demais, considerados mais impactantes. Existem certos tipos de manifestações atualmente que é difícil identificar... Não conseguimos saber se a pessoa quer realmente protestar ou aparecer. Se quer realmente defender a causa ou defender seu próprio umbigo. Ela está brigando pela sociedade ou porque é simplesmente uma rebelde sem causa? É protesto ou é escândalo?

É preciso entender a diferença entre a guerra e o grito de guerra. O grito de guerra não vence nada. Ele pode até motivar o exército a ficar mais bravo e mais valente, mas é a guerra de fato que se vence ou se perde. E é preciso, em definitivo, passar a dar exemplos para estas novas gerações que estão chegando, para que, quem sabe, possam ser mais respeitosos, abertos e conscientes o bastante para não precisarem mais protestar.

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Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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