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terça-feira, 30 abril, 2013 0:19

Chernobyl 27 anos depois

Fillipe Alves

Laboratório de física e química em escola fundamental de Pripyat

Veja outras fotos no final do texto

Na madrugada do dia 26 de abril de 1986, a 100 quilômetros de Kiev, capital da Ucrânia (ex-integrante da União Soviética), o reator número 4 da usina nuclear Vladimir Lênin, na região de Chernobyl, explodiu enquanto passava por testes.

Pouco tempo depois, uma nuvem com partículas radioativas de mais de mil metros de altura tomou conta de toda a região e, em menos de uma semana, assolou os países da Europa Ocidental.

A tragédia poderia ter sido menos avassaladora se o governo soviético admitisse a gravidade à população da URSS e do resto do continente. A notícia só se tornou pública quando a Suécia detectou altos níveis de radiação chegando no país.

Os danos poderiam ser ainda maiores se o incêndio continuasse no reator. O fogo foi apagado por 23 bombeiros, considerados com todo o mérito heróis mundiais. Um monumento em homenagem a eles foi erguido na estrada que leva à usina. Mesmo assim, 75% da Europa foi contaminada. Isso não é nenhuma surpresa, visto que a radiação era 100 vezes maior do que as da bomba de Hiroshima e Nagasaki juntas.

A mobilização para conter a contaminação mobilizou 500 mil homens entre militares do exército, reservistas e mineiros. A corrida nos sete meses seguintes foi para construir um enorme caixão de aço e concreto, denominado sarcófago, para cobrir o reator 4. Por 24 horas diárias os convocados se revezavam por 15 a 40 segundos nos trabalhos próximo ao local da explosão para receberem menos radiação possível.

Hoje os sobreviventes passam dois meses por ano no hospital para se tratar das doenças decorrentes do enfraquecimento das células do corpo. Á época tinham entre 20 e 30 anos. Hoje na faixa dos 50, eles têm saúde física de idosos com mais de 80 anos. Os heróis de Chernobyl estão morrendo aos poucos.

A zona de exclusão
A seis quilômetros da usina, a cidade de Pripyat, planejada e construída nos anos 70 e habitada a partir de 1979 tinha uma população de 43 mil pessoas. Todas foram obrigadas a abandonar tudo o que tinham em menos de 48 horas após a explosão. A promessa era de que voltariam para buscar os pertences, mas isso nunca aconteceu. Além de Pripyat, as vilas localizadas em um raio de 30 quilômetros da usina foi evacuada e hoje faz parte da zona de exclusão de Chernobyl. Ninguém é autorizado a morar lá e provavelmente a região ficará desabitada eternamente.

Apenas 23 senhoras e dois senhores contrariaram a determinação do governo e retornaram às suas casas na zona de exclusão. Eles não se adaptaram a nenhum outro lugar porque viveram toda a vida ali. E misteriosamente estão “aparentemente” imunes aos efeitos da radiação. Enquanto na Bielorrússia, Ucrânia e regiões fronteiriças com a Rússia a população até hoje vive as conseqüências por conta da infiltração das partículas no solo pelas chuvas. As plantações e águas foram contaminadas e os moradores desses locais consomem diariamente os alimentos plantados ali.

Vinte e sete anos depois do desastre a Ucrânia e a Comunidade Européia tentam reunir fundos para a construção de um novo sarcófago, pois o atual foi projetado para durar 30 anos e já apresenta rachaduras e possibilidades de desmoronamento. Se o sarcófago ceder, as conseqüências são inimagináveis. Ainda há 97% do material radioativo sob a estrutura selada. E a explosão nuclear, caso aconteça novamente, poderia ser 6 vezes mais forte que a da bomba de Hiroshima.

Quanto a Pripyat, hoje é uma cidade fantasma. Escolas, teatro, restaurantes, shopping center, hotéis, posto de correios, residências e um parque de diversões encontram-se expostos ao tempo com tudo o que foi deixado para trás. Ao caminhar pelos prédios abandonados, pode-se ver as lições no laboratório de física e química no quadro negro, a última edição do jornal Sovietsky Patriot no mural, os brinquedos, cadernos, livros, máscaras de gás.

Essa é a rota turística autorizada pelo governo ucraniano. Passa-se por três checkpoints (a cada perímetro da zona de exclusão) e todos os documentos são checados. Desde 2011 a excursão está liberada, mas não é tão simples. Só é possível fazê-lo por meio de uma agência local e o preço mínimo é de 150 dólares. Disse que o dinheiro, além de ajudar a economia do país serve como fundo para conscientização da população sobre os perigos da energia atômica.

Muitos me perguntam qual é a sensação. Em uma comparação mais fácil, porém imensamente inferior ao que se sente in loco, é como se abríssemos o armário ainda cheio de roupas de um parente recentemente morto. O acidente nuclear de Chernobyl é junto com o de Hiroshima classificado como o de grau 7 em catástrofes nucleares. É ainda o maior desastre atômico da história e, para liquidadores da radiação, como ficaram conhecidos os homens que trabalharam para selar o reator, Chernobyl é infinitamente pior do que a guerra... porque em Chernobyl não se pode ver o inimigo.

Fillipe Alves
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