Contribua   Assine   ou Acesse nossa campanha no Apoia-se

Nossos sites

Parceiros

Expediente

Políticas do Portal

Contribua para manter o Parque Nacional Serra da Capivara | Patrimônio Mundial pela Unesco
GERAL CADERNO 1 CADERNO 2 CADERNO 3
CADERNO 4 BLOGS LINKS ÚTEIS METEOROLOGIA

| Dengue, Zika e Chikungunya no Caderno Saúde |
A sociedade mobilizada para vencer essa luta

Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 2 maio, 2013 11:35

Brasil: um samba na cara da sociedade

Marcelo Camargo/ABr
Paulistanos assistem a shows e atos políticos em evento organizado pela Força Sindical para comemorar o Dia do Trabalho

A mídia está zombando da nossa cara. Ontem, Jornal Nacional, e as manchetes diziam algo como: “o dia do trabalho é marcado por protestos no mundo todo. No Brasil, shows marcam a comemoração dos trabalhadores”.

Fui só eu quem achou isso uma tremenda ironia? Fui só eu quem achou que a edição deu uma risadinha da nossa cara? Ou será que o que eles queriam mesmo era deixar de forma bem explícita o que está errado com nosso país?

No mundo inteiro, datas como o dia da mulher, o dia do trabalho ou algum dia de conscientização, são marcadas com total engajamento da grande parte da população. Dia do trabalho, sem trabalho? Dia da mulher, com tanto estupro e violência? Vamos para as ruas! Não faremos shows, nem teatros nem distraíremos você do grande foco. Daremos as mãos e lutaremos por mais dignidade, por mais estrutura, nem que sejam três ou quatro vezes no ano.

Mas aqui não. Aqui é chuva de alegria. Feriado? Todo mundo está feliz. Chove diversão para todo o lado. E só quem se protege desta chuva são os guardas com suas capas que custariam cinco milhões de reais, não fosse um absurdo tão grande, que nem a política conseguiu disfarçar. Nas condições mais lastimáveis de emprego, onde não só podemos nos referir aos salários miseráveis de professores, bombeiros, policiais, faxineiras, porteiros ou lixeiros, como também ao trabalho escravo ainda existente, ou à total falta de segurança que mata trabalhadores todos os dias... Nisso, ninguém falou. Nessa terra, não choveu.

Ninguém lembra da falta de estrutura e oportunidade nas regiões mais distantes do país. Ninguém lembra se quer do salário mínimo lastimável do Brasil. Também não lembram que nossa carga horária beira o abusivo e que as empresas também são extremamente prejudicadas com o tanto de impostos que precisam arcar para gerar um novo emprego e melhorar a vida de quem já está dentro, e quem precisa lá de fora. Nisso, ninguém fala.

O que vale mesmo é trabalhar de graça na Copa do Mundo. Isso que é motivo de orgulho no dia do trabalho. Saber que serão investidos bilhões e mais bilhões de reais, mas que nada disso virá para você, que pretende trabalhar no evento e tentar ganhar um extra ou até mesmo dar uma pincelada no currículo. Isso sim é motivo para se orgulhar. Afinal, nós somos o país do futebol e trabalhar na Copa, de graça, é quase sinônimo de patriotismo, não é?

Não! Não é! Não é certo continuarmos nos movendo a pão e circo. Não é certo que nos contetemos com shows, promessas, palanques frágeis de corrupção! O jornal já mostrou. A internet não pára de mostrar. Nós vemos à nossa frente o tempo todo que esse país está passando por uma de suas fases mais turbulentas, e ninguém faz nada. Somos o povo da festa, especialmente se essa é bancada pelos sindicatos e governo, sem nos darmos conta que esse banquete todo saiu do nosso próprio bolso.

Ontem, o jornal satirizou, a ponto de me fazer querer jogar pedras na tv. Ou então ele simplesmente deu também o seu grito de socorro, de uma mídia tão comprada, que suas verdades só podem aparecer nas entrelinhas. Mesmo que essas entrelinhas sejam enormes o bastante para que possamos ver. Eu não sei exatamente qual das duas opções foi. Mas eu sei que ficou estampada na minha testa a palavra “IDIOTA”. E essa que sim, é uma doença, nem Feliciano, nem ninguém está interessado em curar.

Leia outros artigos de Dannie Karam
Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

Material jornalístico de uso livre segundo as atribuições específicas de cada fonte exceto quando especificado em contrário. Fotos e textos podem pertencer a autores diferentes, sempre devidamente identificados. Créditos das fotos devem ser preservados. Nenhuma das fontes mantém qualquer vínculo comercial ou de outra ordem conosco. Em caso de dúvida, consulte. Leia também nossos Termos de Uso e Serviço | Preços, prazos, links e demais informações podem sofrer alteração e correspondem ao dia em que o material foi publicado sendo de responsabilidade da fonte original.

Documento sem título
Considere contribuir com nosso trabalho

Últimas no FarolCom

Veja também

FarolCom no Twitter

FarolCom no Pinterest