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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 9 maio, 2013 11:29

O brasileiro é ruim de dia seguinte

Wilson Dias/ABr
Deputado Roberto Jefferson depõe na CPMI dos Correios, no Senado em 2005

O brasileiro, defiitivamente, é muito ruim de dia seguinte. Pode ser uma coisa louca, uma noite inesquecível, daquelas que a gente coloca até frase de impacto na internet.

Mas o dia seguinte? Xi!

A gente vai de mal à pior. Não sei se um conselheiro amoroso ajudaria nossa vida... Quem sabe com um guru dos relacionamentos, a gente aprenda a querer algo mais duradouro, mais eficiente para nossa vida do que só uma noite casual. Quem sabe? Porque atualmente, estamos tão ruins de dia seguinte, que dá até vergonha de ter mesmo participado da noite anterior.

E antes que as mentes mais engraçadinhas acreditem que eu estou falando de sexo, vamos esclarecer: estou falando de memória política mesmo! Do bando de notícias que achamos um absurdo, mas que por algum motivo, esquecemos debaixo do tapete, aumentando o grau de bestialidade da próxima informação, que também vamos esquecer. Deixamos passar o dia seguinte, nos envolvemos na próxima noitada, e amanhã já são dois casos mal resolvidos. E assim vamos em frente, na terra dos esquecidos.

Exemplos não faltam. Você sabe por exemplo, que fim levaram os mais de oito bilhões que seriam investidos na transposição do Rio São Francisco, prometidos em 2005 pelo eleito presidente? Eu te digo: foram usados na construção de canais que não fazem correr uma gota d'água se quer. Mas isso é só um exemplo. Se preferir, podemos também ir para a região serrana do Rio de Janeiro e verificar se está mesmo com cara de que foram investidos mais de 440 milhões de reais por lá. Não? Então melhor procurarmos outra coisa. Quem sabe algo mais recente, como uma resposta da nossa presidência a uma lista de mais de duas milhões de assinaturas contra a presença de Renan Calheiros em nossa política? Melhor não, né?

Se nem mesmo o que era pauta principal na semana passada, como é o caso do sr. Feliciano e sua cura gay a gente resolveu, imagina o que ficou de história mal contada lá pra trás. Somos, literalmente, um monte de lixo! Porque lixo é tudo aquilo que se descarta e não se usa mais. É aquilo que está quebrado, corrompido, podre mesmo! E o que somos nós se não um bando de histórias quebradas, corrompidas e podres? Somos apenas um museu de roubo e mentira. Um acúmulo de impunidade e fianças pagas, daquelas que por sinal, o povo nunca vê a cor do dinheiro.

E a culpa é de quem afinal? Essa é a questão do momento, já que cada um joga a culpa para o próximo da fila. A culpa é nossa mesmo! Nós que queremos mostrar que somos tão bons à noite, na hora da festa, do fervor, do calor do momento, mas que cansamos rápido demais e não conseguimos repetir a brincadeira de novo. A culpa é completamente nossa, que é muito ruim de dia seguinte e não tem a capacidade de só sossegar depois que a relação estiver realmente dado certo. O problema é que nosso namoro com o país é muito superficial. É raso demais. Não engata.

Porque não há relação que aguente essa falta de cuidado. Essa falta de atenção. Não tem um casamento que dure sem que um se preocupe de fato com os problemas do outro. Quando um consegue viver bem sabendo que o outro está mal, não há amor. Pelo contrário: o mais prejudicado só vai devolver o pior de si. E é esse o problema desse nosso país.

Por favor, vamos ligar também no dia seguinte. E no outro, e no outro, e no outro! Vamos nos importar. Chamar para sair às ruas. Levar para os jantares em casa e discutir sobre com os amigos. Vamos chamar conselheiros, terapeutas e todos os profissionais que possam agregar. Mas de uma vez por todas... Conquistemos o nosso país. Porque algo me diz que se não ligarmos em mais um dia seguinte, ele pode realmente nunca mais voltar.

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Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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