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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 16 maio, 2013 9:36

Silêncio da porta-voz

Wilson Dias/ABr
Eu queria uma porta-voz de verdade, que ao perceber como esse país está às moscas, pegasse as rédeas da situação e abraçasse os brasileiros

Se alguém aí acha que saindo do Brasil vai encontrar o país perfeito, está bem enganado. Não que eu tenha rodado o mundo inteiro, mas do pouco que já conheci dá para perceber que mesmo lugares bem “melhores” em termos de estrutura, educação e oportunidades, também possuem sua centena de problemas.

Além do mais, o Brasil é lindo, tem um povo solidário e alegre, e uma das nações mais receptivas do mundo. Mas ninguém é ingênuo de achar que por aqui está tudo uma maravilha.

Só que o principal problema do Brasil, que permite inclusive, agravar tudo que já está ocorrendo em nosso cenário sócio-político, é que a nossa porta-voz é muda. Sim! O presidente de um país deve representar seu povo, ser a voz de sua população para o mundo, e responder ao povo suas maiores perguntas. Mas parece que a nossa porta-voz atual, que pode até ter uma série de ações bacanas em seu governo (porque isso não vem à esse caso), é muda. Independente do partido, dos coligados e afins... A verdade é que seja você de onde for, precisa concordar que estamos cegos no meio do tiroteio.

Foram quase dois milhões de assinaturas contra Renan, só no primeiro lote e nenhuma resposta. São protestos diários dentro do próprio Senado contra Feliciano e nada. Perguntam sobre Belo Monte, sobre a transposição do São Francisco, sobre aquela verba da região Serrana do Rio, sobre a inflação e/ou tantos outros casos (que levantamos aqui na semana passada, inclusive) e só ouvimos o silêncio. E o pior de tudo é que em se tratando de morte de presidente de outros países, de evento do Papa ou de algo lá de fora, tem notinha dela no jornal dois minutos depois.

Ok, ok! Eu sei que é parte também do trabalho. Mas eu admiraria muito mais nossa porta-voz se ela também falasse aqui dentro de casa. Se ela respondesse com as ações que serão tomadas, com as medidas que ela aprovou. Sei que existe aquela bendita Voz do Brasil, que muitas vezes, traz algumas dessas respostas, mas eu queria mesmo ver a presidente falando sobre estado laico e os religiosos que estão assumindo cargos... Queria ver mesmo sobre o que vai acontecer com os acusados do mensalão. Queria que, pelo menos, ela autorizasse alguém a falar sobre o sequencial caso de estupros no transporte público do Rio de Janeiro (e certamente de todo o país).

Eu queria uma porta-voz de verdade, que ao perceber como esse país está às moscas, pegasse as rédeas da situação e abraçasse os brasileiros, não só respondendo sobre o que sabemos estar errado, mas principalmente com a moral de devolver também retorno à nós, cidadãos, do que nós podemos fazer. De onde nós também erramos. Alguém que lá fora, possa dizer algo que a gente aplauda aqui de dentro. Que admire. Que queira.

O Brasil não é o lixo do planeta mas o fato de não termos alguém com voz ativa para nos falar, também não deixa nada melhor. Porque essa sensação de impunidade sobre tudo, de que tudo pode, e de que ninguém está vendo o absurdo atrás do outro que vem acontecendo, faz com que nós também percamos a força e também nos calemos. Faz com que desacreditemos e ao invés de fazer ainda mais barulho juntos, vivamos todos em um silêncio mortal.

E um povo calado não pode reclamar de um porta-voz sem voz.

Leia outros artigos de Dannie Karam
Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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