Contribua   Assine   ou Acesse nossa campanha no Apoia-se

Nossos sites

Parceiros

Expediente

Políticas do Portal

Contribua para manter o Parque Nacional Serra da Capivara | Patrimônio Mundial pela Unesco
GERAL CADERNO 1 CADERNO 2 CADERNO 3
CADERNO 4 BLOGS LINKS ÚTEIS METEOROLOGIA

| Dengue, Zika e Chikungunya no Caderno Saúde |
A sociedade mobilizada para vencer essa luta

Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 30 maio, 2013 11:14

Nossa sede é de humanidade

Wilson Dias/ABr
Agricultores nordestinos pedem perdão de dívidas contraídas junto ao Banco do Nordeste, em frente ao Palácio do Planalto

Mostra-se uma reportagem na tv falando da seca do nordeste que mata milhões de animais e centenas de pessoas, deixando milhares de quilômetros de terra completamente inférteis e arrasados.

Do governo? Silêncio.

Mostra-se uma reportagem de um furacão que mata 200 pessoas, deixa uma área de alguns quilômetros devastada e destrói algumas dezenas de casas nos Estados Unidos.

O governo de lá?

Coloca o presidente da república numa coletiva de imprensa, com destaque mundial, e um programa de recuperação imediato, que começa no dia seguinte, com ajuda dos militares, dos civis e até dos anjos, se eles conseguirem contato.

Nunca achei que uma vida vale menos que a outra. Não importa se lá morreu menos gente do que morre aqui. Ainda assim é morte de cidadão, de bem, de paz. Foram dois em Boston e o Obama estava lá falando do mesmo jeito. Mas a seca daqui não interessa a ninguém. É assunto velho, mal resolvido e mal acabado, que não tem mais graça e nem dá mais Ibope. Mesmo que mate uma centena de pessoas diariamente. A diferença é exclusivamente no perfil dos presidentes? Acredito que não.

A grande verdade é que aqui no Brasil a indústria da desgraça alimenta todo o resto do sistema. E interessa ao governo ser mantida. O furacão passa e destrói comércios, mata pessoas produtivas, corrompe a cadeia americana. Não gera lucros e não traz boas imagens. Não é só o Obama que é um lindo. É o próprio sistema que é diferente. Mas enquanto isso, por aqui, a seca interessa. Para não morrer de fome, milhares de nordestinos ainda migram para as grandes capitais do sul e sudeste e aceitam condições e valores de trabalho mínimos a fim de sobreviver.

E com isso, as indústrias estrangeiras enxergam no Brasil uma excelente oportunidade de pura exploração de mão de obra, e com isso, o governo mantém as obras de transposição do São Francisco apodrecendo, ou a busca por poços artesianos paralisada. É por isso também que programas como o Bolsa Família seguem limitados, sem a combinação coerente de outros programas de longo prazo, embasados em educação e oportunidade. Isso não cria pessoas pensantes, que entendem que mesmo para os trabalhos braçais, é preciso condições, segurança e estrutura. E portanto, não é apreciado pelo governo.

Eu, que aqui mesmo já indaguei o silêncio da presidente por exemplo, hoje respondo a mim mesma. Nosso governo não se movimenta porque não vale à pena. Os milhões embolsados na exploração do nosso povo são muito maiores do que a ética, humanidade e decência que deveriam ser oferecidas. É um governo que, junto ao seu povo, tornou-se tão cego que nem imagina o quanto seu povo poderia fazer se fosse educado, investido e direcionado à cenários melhores. Talvez tenhamos o governo com menor fé em seu povo do mundo.

Infelizmente, isso não tem como saber. A única coisa que nos resta é ir seguindo com nossa boiada, que morre de sede e vira protesto na frente de um banco, alimentado do dinheiro que as indústrias ganham nas costas do povo sedento. O povo sedento de políticas de crescimento, de planos de carreiras coerentes, de investimentos em educação, em infra-estrutura, em direitos básicos como o de ter água! Um povo sedento de humanidade. E principalmente, de respostas às perguntas que infelizmente ainda nem sabem fazer.

Leia outros artigos de Dannie Karam
Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

Material jornalístico de uso livre segundo as atribuições específicas de cada fonte exceto quando especificado em contrário. Fotos e textos podem pertencer a autores diferentes, sempre devidamente identificados. Créditos das fotos devem ser preservados. Nenhuma das fontes mantém qualquer vínculo comercial ou de outra ordem conosco. Em caso de dúvida, consulte. Leia também nossos Termos de Uso e Serviço | Preços, prazos, links e demais informações podem sofrer alteração e correspondem ao dia em que o material foi publicado sendo de responsabilidade da fonte original.

Documento sem título
Considere contribuir com nosso trabalho

Últimas no FarolCom

Veja também

FarolCom no Twitter

FarolCom no Pinterest