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Instituto Eu Quero Viver
quinta-feira, 27 junho, 2013 10:01

O risco de perder o respeito e o foco

Gil Leonardi / Imprensa MG
Belo Horizonte após a partida entre Brasil e Uruguai

Que me perdoem os manifestantes que estão nas ruas, inclusive por mim e por você. Mas instalou-se no Brasil agora a indústria dos Maria-Vai-Com-As-Outras

Inflamou-se uma onda de patriotismo e cidadania que são positivas sim, porém que perderam completamente o direcionamento e o respeito. Perderam completamente o foco.

Digo isso como alguém que sempre acreditou que o país só mudaria se o seu povo fosse às ruas. Como alguém que defende demais o povo com seus direitos respeitados. Mas como alguém que procura enxergar as formas mais equilibradas e lógicas de fazê-lo. E por isso eu acho que uma confusão generalizada tem se instalado no país.

Os protestos não são ruins. Graças a eles, as tarifas baixaram ou simplesmente revogaram os aumentos. Graças a eles, a PEC 37 foi reprovada. Graças a eles, teoricamente, a educação e a saúde receberão uma das maiores fontes de renda do país. O próprio governo está até avaliando a possibilidade de considerar corrupção como crime hediondo (Passou no Senado e agora vai à Câmara), seja isso efetivo ou não. O que quero dizer é que uma série de ações foram rapidamente tomadas graças exclusivamente à manifestação popular.

O problema porém, provavelmente proveniente de uma sociedade extremamente cansada e acostumada com um bom humor como forma de suportar tudo isso, é que a coisa virou festa. Não estamos dando tempo para que o governo aja, e nem mesmo para que essas ações surtam ou não efeito. Agora, todo dia, juntamos grupos de 100, 200 pessoas e vamos às ruas transformar tudo em caos.

Caos porque agora, nas manifestações, temos reivindicação pela baixa do preço da Nutella, do Kinder Ovo e do iPhone. Temos pedidos pelo último episódio da Caverna do Dragão e pela volta do Chapolin. Queimamos carros da mídia, roubamos estabelecimentos comerciais, estouramos vidros de carro e saqueamos mercados... Estabelecemos o caos por não mostrarmos foco.

Todos fazemos isso? De forma nenhuma. São sim minorias. Mas minorias que estão se aproveitando exatamente do fato de ter virado "a moda da vez" protestar. Quantas pessoas estão no meio destes protestos e nem mesmo entendem do que ele se trata? Quantas pessoas vão para a rua sem mesmo ter trazido ainda o debate político para dentro de suas casas? E apesar de saber da necessidade de uma fiscalização maior nos quesitos que envolvem os animais por exemplo, já querem fazer passeata até contra o abandono dos animais domésticos.

Repito: o problema não é protestar. O problema é criar a agitação contra polícia até quando ela não faz nada. É incentivar o quebra-quebra de prédios públicos. É ver as pessoas sendo atropeladas e machucadas simplesmente porque não há lideranças que ajudem a organizar estes movimentos.

O problema é principalmente não saber separar o que é causa para protesto e o que é causa para se implementar. São cenários bem diferentes, inclusive. Nós que estamos reclamando dos partidos, esquecemos até que às vezes é pra isso que eles servem: ouvirem nossas ideias e tentar transformá-las em lei e em práticas. Devemos sim chegar às ruas, até que o país funcione como merecemos, mas não assim.

É importante sim ter um dia certo, para que todas as cidades sigam e o movimento ganhe força. É importante sim ser organizado para que os pais de família que precisam buscar seus filhos o possam fazer.

Necessário para que a polícia também possa ajustar o trânsito, a segurança dos bairros e dos próprios manifestantes. É importante ter liderança para que possamos ter um tema a ser pensado, para que ir à rua seja significativo. Para que entendam a nossa voz, de longe.

Apóio sim os movimentos, mas agora que o Brasil aprendeu o que eles podem fazer, está na hora de aprender como fazer. Porque é só assim que faremos realmente um país melhor. Com gente que mostra que sabe fazer o melhor.

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Dannie Karam tem cinco nomes enormes, mas espalha seus textos com um e meio. Já estudou em dezesseis escolas, morou em quase dez cidades, e já rasgou mais de trezentas poesias. Transita entre oito e oitenta, mas só costuma bater o pé por uma ou duas coisas. Criou com três amigas o Pipoca, Pimenta e Poesia. Vive mergulhada em milhares de folhas amassadas e acha que nasceu pra letras. Odeia esse negócio de números... E aceita assinantes em sua página do facebook

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