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quarta-feira, 16 setembro, 2015 - 8h36

Mídia brasileira é controlada por apenas 11 famílias

Em Uberlândia, Fórum pela Democratização da Comunicação defende aprovação do projeto popular que democratiza os meios

   

Apenas onze famílias controlam os principais meios de comunicação brasileiros. Além disso, 25% dos senadores e 10% dos deputados são donos de concessões de rádio e televisão.

Todo esse quadro concentrador impõe restrições ao conteúdo transmitido, o qual expressa somente a vontade dos detentores das concessões de emissoras, deixando de lado os interesses legítimos da população.

Esse panorama foi apresentado pela secretária geral do Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Florence Poznanski. Ela participou da audiência pública, requerida pelo deputado Professor Neivaldo (PT), da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Aline Rezende / CMU
Fórum pela Democratização da Comunicação defende aprovação do projeto popular que democratiza os meios | Aline Rezende/CMU
Fórum pela Democratização da Comunicação defende aprovação do projeto popular que democratiza os meios

Para se contrapor a esse cenário, o FNDC, formado por mais de 300 entidades (universidades, escolas, ONGs etc), desenvolve iniciativas no sentido de ampliar a participação da sociedade civil na mídia, conforme explicou Florence. O fórum está lutando para obter 1,5 milhão de assinaturas de modo que comece a tramitar na Câmara dos Deputados um projeto de lei de iniciativa popular (PLIP), que propõe a regulamentação da mídia no País. “Mais liberdade, mais diversidade, mais pluralidade, esses são os objetivos contidos na Lei da Mídia Democrática”, apresentou Florence. Ela acrescentou que o fórum está incentivando a criação de comitês municipais de apoio à iniciativa.

Tratando do atual modelo brasileiro de concessões de emissoras de rádio e TV, Florence mostrou um video no qual se faz a comparação do quadro nacional com o de outras nações. Assim como nos Estados Unidos, o Brasil concedeu quase que 100% de seus canais de rádio e TV à iniciativa privada. Só que naquele país, há algumas regras que impedem que um único grupo seja detentor de emissoras de rádio, TV e jornais ao mesmo tempo, enquanto que no Brasil, a liberdade é total para os empresários da comunicação, segundo a expositora. Outros países apresentam sistemas mais bem distribuídos, como Alemanha, França e Inglaterra, nos quais o percentual de emissoras públicas chega a cerca de 40% do total.

Florence Poznanski, que também é cientista social, destacou ainda que, para completar o quadro de exclusão da imensa maioria de brasileiros de acesso aos meios, de cerca de 20 mil pedidos de rádios comunitárias feitos ao Governo Federal, 7,5 mil foram arquivados, 3,5 mil negados, e somente 3,5 mil atendidos, e o restante de pedidos está pendente. Além disso, completou a dirigente, outras 3.700 rádios foram fechadas. “A comunicação é um direito humano e direitos se conquistam”, afirma o vídeo.

Informação livre resultaria em melhores decisões

O deputado Professor Neivaldo acrescentou que, no caso da TV, cinco emissoras dominam o espectro da comunicação: Globo, SBT, Band, Record e Rede TV. “A Rede Globo esteve envolvida no golpe militar, na ditadura, e em qualquer processo político eles se intrometem. Quem perde com isso somos nós, com esse poder excessivo, essa manipulação. No entanto, todos deveriam ter acesso ao direito básico de informação, e de qualidade”, defendeu.

Aline Rezende / CMU
O deputado Professor Neivaldo destacou que a liberdade de expressão constitui uma esfera pública de debates, o que serve para aprimorar as democracias | Aline Rezende/CMU
O deputado Professor Neivaldo destacou que a liberdade de expressão constitui uma esfera pública de debates, o que serve para aprimorar as democracias

Nesse sentido, ele também propugnou como solução a regulação da mídia. “Estados nacionais têm regulado seus meios de comunicações”, disse. Para o deputado, a liberdade de expressão, direito constitucional, deve permitir que os eleitores tenham informações relevantes sobre quem se candidata. “A liberdade de expressão constitui uma esfera pública de debates, o que serve para aprimorar as democracias. Termos acesso à informação de forma livre nos dá a base para formarmos nossa opinião e tomarmos as melhores decisões”, recomendou.

Professor Neivaldo deu um exemplo de como o poder da mídia interfere no conteúdo que é veiculado. De acordo com ele, na época em que atuava no Sindicato único dos Trabalhadores da Edudação (SindUte) de Uberlândia, isso ficou claro quando a entidade queria divulgar suas ações por meio de anúncios na TV Globo. “Nós não podíamos falar que o Governo do Estado estava mentindo, mesmo pagando o anúncio. Não podíamos também divulgar nossas manifestações, falar do movimento grevista”, relatou.

Por outro lado, continuou o parlamentar, atualmente, a Globo faz campanha aberta pelo inpeachment da presidenta Dilma, além de divulgar movimentos contrários ao atual governo, chamando o povo para a rua. “Quando se propõe um projeto para regulamentar a mídia, ele é bombardeado e os donos do poder atacam dizendo que querem censurar os meios de comunicação”, lamentou.

Semana da Juventude - Já a assessora de imprensa da Prefeitura de Uberlândia, jornalista Cristiane de Paula, valorizou a realização da IV Semana da Juventude; “É muito importante este momento em que se abre a discussão sobre a mídia com a presença desses jovens” comemorou. A comunicadora falou ainda da Semana de Comunicação que acontece em Uberlândia, com atividades abertas e gratuitas. “Precisamos dar ferramentas à população, para que a comunicação aberta dos jovens seja aperfeiçoada. Quanto mais a juventude debater isso nos grêmios, nas escolas, mais vai saber a que interesses servem uma reportagem”, confirmou.

Também o vereador de Uberlândia Ismael Costa avaliou que as empresas de comunicação têm interesse claro em “ganhar dinheiro” e não vão jamais valorizar o lado dos trabalhadores. Ele citou o exemplo da cobertura atual das greves: “A imprensa só mostra o mal atendimento dos usuários em decorrência das greves e não mostra as reivindicações dos trabalhadores”. Na opinião dele, “a grande imprensa tem medo das redes sociais e a a juventude deve aprender a usá-las com inteligência, para não ser enganada”.

Estereótipos - As imagens estereotipadas trazidas pela mídia foram objeto de crítica de Ítalo Kant Alves, representante do Coletivo Kizomba. “A imagem da mídia propaga as opressões. O negro é sempre marginalizado na TV, a mulher rebaixada e a comunidade LGBT, vítima de preconceito. Essa é a mídia que representa a nós jovens, o que sentimos e queremos falar?”, questionou.

Por fim, Victor Hugo, presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), disse que os meios de comunicação retratam o jovem como marginal, como alguém que não quer nada na vida. “É uma mídia sensacionalista, que só mostra mortes e crimes. Temos que lutar muito pela sua democratização e não podemos ficar restritos às redes sociais”, finalizou.

Imprensa ALMG

Leia mais sobre esse assunto no Caderno Cidadania

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