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sexta-feira, 25 abril, 2014 0h05

Cientistas descobrem novos mecanismos de sinalização celular

Marcos Santos / USP Imagens
Descobertas poderão tratar no futuro diversas doenças

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP descobriram novos mecanismos de sinalização celular que podem no futuro contribuir para o desenvolvimento de novas formas de tratamento de diversas doenças, dentre elas a epilepsia e a atrofia muscular.

Em um dos estudos, os cientistas observaram que, numa região importante do cérebro de ratos, o hipocampo, o principal peptídeo (biomolécula resultante do processamento de proteínas) ativo é a angiotensina-(1-7), Ang-(1-7), e não a angiotensina II, AngII, que classicamente é considerado o agente mais ativo de um importante sistema de sinalização celular chamado Sistema Renina-Angiotensina, que entre outras funções participa do controle da pressão sanguínea.


Segundo o líder do grupo, o professor Claudio Miguel da Costa-Neto, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP, este sistema é responsável pela ativação dos receptores acoplados à proteína G, os GPCRs. "Esses receptores desempenham papel chave na transmissão de sinais entre o exterior e o interior das células, inclusive entre células". Como exemplo da importância dos GPCRs, o professor relata que "cerca de 40% de todos os medicamentos atualmente no mercado agem por intermédio destes tipos de receptores", fato que certamente contribuiu para que os achados do laboratório do professor Costa-Neto alcançassem grande repercussão no meio científico logo nas primeiras semanas seguintes à publicação de seu artigo na edição do final de 2013 da revista Hypertension.

Esse trabalho mostrou que a Ang-(1-7), além de ser o peptídeo ativo mais presente no hipocampo, "é produzido por meio de uma nova rota, ou seja, que a principal enzima que atua para a produção da Ang-(1-7) também é diferente daquela normalmente descrita para esse fim, e essa enzima foi encontrada em maiores quantidades no hipocampo de ratos com epilepsia", conta o professor.

Envolvimento na atrofia muscular

Outro estudo da mesma equipe foi publicado poucas semanas depois, desta vez na revista Clinical Science. Nessa pesquisa, descrevem que um GPCR de um outro importante sistema de sinalização chamado "Sistema Calicreínas-Cininas" leva à regulação específica de eventos envolvidos na atrofia do músculo esquelético.

Este trabalho mostra que a inibição da sinalização de um tipo de GPCR acarreta uma menor produção de enzimas que participam da degradação de proteínas musculares e, consequentemente, causam a atrofia muscular.

Segundo Costa-Neto, todas essas descobertas têm grande potencial de aplicação na medicina, pois abrem perspectivas para o desenvolvimento de novos medicamentos através da inibição ou bloqueio de vias de sinalização específicas.

Ainda como resultado dos estudos em GPCRs, realizados pelo grupo do professor Costa-Neto ao longo dos anos, vários dados relacionados a diferentes vias de sinalização dos GPCRs e o envolvimento desses receptores em diferentes doenças são discutidos em um artigo de revisão que acaba de ser publicado também pela Clinical Science (2014). Nele, são discutidas as participações de receptores em doenças como: câncer, diabetes, reabsorção óssea e desordens do sistema nervoso central. O artigo de revisão recebeu destaque ("spotlight") na página da revista Clinical Science e algumas das figuras deste trabalho de revisão foram selecionadas para o Banco de Imagens da revista.

Laboratório de última geração

A equipe liderada por Costa-Neto acaba de inaugurar um novo laboratório. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Ensino do Estado de São Paulo (Fapesp) por intermédio de um projeto temático, e com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP (NAP-Cisbi), o laboratório é dedicado a estudos de sinalização celular, ativação e bloqueio de GPCRs, e utiliza equipamentos de ponta com abordagens bioquímicas e celulares, permitindo investigar novas substâncias ativas desde pequena até larga escala.

O laboratório do professor Costa-Neto pode ser visitado pelo site: www.claudiocostaneto-lab.com

Por Rita Stella, de Ribeirão Preto | Agência USP

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