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segunda-feira, 8 dezembro, 2014 - 8:29

Doutorando da Esalq descobre nova espécie de planta

   
Divulgação
Magnolia sanchez-vegae foi descoberta em 2012, no Peru

Um artigo recentemente publicado na revista internacional “Phytotaxa” anuncia a descoberta de uma nova espécie de planta da família Magnoliaceae Jussieu, a Magnolia sanchez-vegae.

Segundo o autor do artigo, José Luis Marcelo-Peña, que é doutorando do Departamento de Ciências Florestais, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, sua descoberta aconteceu em outubro de 2012, quando foi contratado pelo governo regional de Amazonas, no Peru, para estudar espécies de plantas das florestas montanhosas (2.200 a 2.250 metros acima do nível do mar) de Bello Horizonte, Bagua Grande e Amazonas, no norte daquele país.

Neste período, o pesquisador conseguiu amostras das folhas da planta, mas, como precisava de flores e frutos para realizar a descrição da nova espécie, retornou ao local em julho de 2013. E foi neste ano, durante seu doutorado na Esalq, que Peña iniciou a pesquisa e elaborou o artigo científico.

Extinção

O doutorando revela que as espécies dessa família de plantas estão em risco de extinção devido ao extenso desmatamento. “Se não houver um plano de recuperação florestal, pode ser que daqui a alguns anos espécies de Magnoliaceae estejam completamente extintas”, afirmou. As magnólias têm como habitat natural as florestas tropicais, por isso, apenas na América do Sul, são encontradas 50 espécies. “No entanto, com mais explorações botânicas, o número vai se incrementar”, acredita Peña.

A Magnolia sanchez-vegae é encontrada somente no Peru, pode medir de 8 a 20 metros de altura, possui flores e frutos grandes e vistosos, com sementes em um vermelho intenso e folhas dispostas em espiral. “Ela é uma planta muito rara e tem um alcance restringido, não se disseminando em grandes espaços”, explica Peña.

Foi o próprio estudante que se interessou em publicar na “Phytotaxa”. “Muitos botânicos estão interessados nela, porque a rapidez de publicação é muito boa, você encaminha o artigo e em seis meses ele está publicado. Além disso, há o fator de impacto”, ressalta. Segundo Peña, é um dever de todo pesquisador gerar conhecimento. “O país precisa de informação dos recursos florestais que possui. Se você não tem informação, não tem oportunidade de manejar ou de fazer gestão”, alerta.

Peña é pesquisador com interesse no monitoramento da biodiversidade, taxonomia e anatomia das plantas. Seu foco de pesquisa é compreender os padrões de diversidade, composição florística e estado de conservação das plantas lenhosas neotropicais. Seu trabalho atual inclui estudos da flora lenhosa das florestas estacionalmente secas e montanhosas do Peru, taxonomia de Magnoliaceae e estudos anatómicos de espécies de importância econômica.

Alessandra Postali | Comunicação da Esalq

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