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quinta-feira, 6 junho, 2013 11:27

Suassuna e Camus: ligação pelo absurdo

Divulgação
Sísifo da mitologia grega carrega pedra até o topo da montanha. Ele é utilizado por Camus para explicar o conceito de "absurdo"

Recentemente li O Santo e a Porca, uma das mais célebres peças do dramaturgo e romancista brasileiro Ariano Suassuna. Logo percebi uma conexão direta com a corrente existencialista e, por isso, a peça merece um estudo à parte.

Isso porque O Santo e a Porca tem elementos mais importantes que a simples questão da avareza. A obra revela ligações com o absurdo, discussão filosófica presente nos livros do algeriano Albert Camus, ao lado de Jean-Paul Sartre, considerado um dos grandes pensadores do existencialismo.

A comédia armorial conta a história de Euricão Árabe, que após perder sua esposa, dedica toda sua vida ao dinheiro guardado por anos em uma porca de madeira e também à fé em Santo Antônio. No desenrolar da trama, a filha de Euricão é pretendida por um rico fazendeiro e o protagonista tenta esconder de todos a sua riqueza. Esta é descoberta por um empregado que some com a porca e faz Euricão entrar num duelo de amor e ódio ao santo achador e casamenteiro. Ao final, Euricão Árabe descobre que o dinheiro não tinha mais valor de tão antigas que eram as notas.

O sagrado e o profano são uma dicotomia bem trabalhada na história. A perda do dinheiro faz da existência de Euricão um absurdo, pois ele deixou de ter fé em detrimento de uma economia que não trouxe ganhos a ele. O absurdo provoca o vazio no homem (lê-se ser humano) porque é o momento em que o indivíduo percebe que a vida não tem sentido. Isso é visto em OSanto e a Porca através da fé em um santo que aparentemente traiu seu fiel e também em algo material que não significou nada.

Camus apresentava esse absurdo por meio dos livros O Estrangeiro e O Mito de Sísifo. As problemáticas tratadas nas duas obras revelam uma condição humana em que poucas pessoas entendem que a vida não tem sentido e se o enxergamos é porque não somos livres. Se a vida tem sentido é porque temos esperança, seja esta ligada à religião ou a algo que pretendemos obter ou melhorar em nosso futuro. Mas até isso chegar, não vivemos como queremos, logo, não somos livres.

O absurdo se encontra aí. E quando nos damos conta desse vazio, encontramos o trágico. A tragédia, a despeito do significado atual que é relacionado a um acontecimento de grande tristeza ou desastre, na verdade é aquilo que ocorre quando tomamos consciência da nossa situação e, então, vemos o vazio dentro de nós, assim como Euricão Árabe, de Suassuna, Meursault, de Camus, e Sísifo da mitologia grega. A ideia do absurdo faz o leitor confrontar a sua existência às inúmeras condições humanas. Depois de me imergir nesse universo existencialista, posso arriscar dizer que o absurdo talvez seja a melhor maneira de conhecer a si mesmo. É um impulso catártico!

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