Contribua   Assine   ou Acesse nossa campanha no Apoia-se

Nossos sites

Parceiros

Expediente

Políticas do Portal

Contribua para manter o Parque Nacional Serra da Capivara | Patrimônio Mundial pela Unesco
GERAL CADERNO 1 CADERNO 2 CADERNO 3
CADERNO 4 BLOGS LINKS ÚTEIS METEOROLOGIA

| Dengue, Zika e Chikungunya no Caderno Saúde |
A sociedade mobilizada para vencer essa luta

Cultura | Livros | Lazer | ViverBem

Ecopontos, Feiras-Livres e outros serviços em Uberlândia
quinta-feira, 25 dezembro, 2014 - 10h46

Templo budista é tombado como patrimônio histórico de Brasília

Antonio Cruz/Agência Brasil
Templo Honpa Hongwanji, ou Templo Shin Budista Terra Pura, de Brasília tornou-se nesta semana patrimônio histórico da capital

Em meio à movimentação de carros, do comércio e de pessoas praticando atividades físicas, o Templo Honpa Hongwanji, ou Templo Shin Budista Terra Pura, de Brasília - que fica em paisagem bucólica, quase escondido, apesar de grandioso - é um convite à reflexão e à meditação.

Erguido pelos primeiros imigrantes japoneses que chegaram à capital federal durante a construção, o templo está localizado em uma das áreas mais nobres da cidade, entre as quadras 315 e 316 da Asa Sul, a aproximadamente dez quilômetros do Congresso Nacional.

A arquitetura oriental, que mescla leveza e imponência, remete logo, no primeiro olhar, às casas japonesas, de telhados altos e curvilíneos. Os bambus presentes nos jardins dão ainda mais suavidade ao local. Apesar da proximidade com o comércio da quadra, o espaço é calmo e silencioso.

Parte da cultura brasiliense, o Templo Budista tornou-se nesta semana patrimônio histórico da capital. Decreto publicado no Diário Oficial do DF protege o templo de modificações na obra original, o sino Bonshô e seu campanário, além do pórtico de entrada e dos dois localizados nas laterais.

“Os templo de antigamente, em qualquer lugar do mundo, eram centros culturais. Eram escolas, dava-se aulas para as crianças, atendia-se aos idosos, era onde a comunidade se encontrava. Aos poucos, eles foram perdendo essa característica e passaram a ser locais onde se realizam cerimônias, ofícios”, disse à Agência Brasil o monge Sato, responsável pelo local.

“Patrimônio histórico, para mim, tem dois significados importantes e foi essa tese que defendi no Conselho de Cultura para que o requerimento fosse para a frente: primeiro, patrimônio não é bem material. Tudo bem que a arquitetura seja bonita e isso é um bem que faz parte de Brasília, mas há a parte histórica. Não para ficarmos com saudade, olhando para trás. Histórico é a referência que temos para olhar para o futuro. Essa missão do patrimônio histórico veio daí: um bem cultural que aponte para o futuro como dom Bosco, Juscelino [Kubitscheck] e outros pioneiros quiseram”, argumentou o monge.

Erguido pelos imigrantes japoneses para manter vivas suas raízes e a cultura, o templo hoje é um espaço aberto a toda a comunidade, com encontros de meditação (cantada, recitada, contemplativa e silenciosa), sessões de massagem e aulas de artes marciais.

“Embora a área tenha sido concedida aos japoneses para a construção de um templo, ela tem essa missão ecumênica, de servir à cidade. Hoje, a frequência dos não japoneses aqui é muito grande”, ressaltou Sato. Principalmente no mês de agosto, quando é realizada a tradicional quermesse.

De acordo com o monge Sato, foi Juscelino Kubitschek que convidou imigrantes japoneses a virem para Brasília à época da construção da cidade. “Ele queria que as pessoas não comessem apenas carne, mas também legumes, vegetais e frutas, que eram cultivados pelos japoneses. Então, os japoneses estão aqui desde o começo para servir à população”.

Na nova capital, acrescentou, os japoneses pediram ao então presidente do país uma área para a construção de um templo. “A equipe de Juscelino - Lúcio Costa e Israel Pinheiro - disse que teria que ser no Plano Piloto, sendo que a comunidade japonesa morava distante do centro. Por isso foi concedido esse lote tão nobre da cidade, porque Juscelino queria que a capital fosse ecumênica, onde todas as religiões fossem representadas”.

Antonio Cruz/Agência Brasil
De acordo com o monge Sato, foi Juscelino Kubitschek que convidou imigrantes japoneses a virem para Brasília à época da construção da cidade

Manuseando entre os dedos o Juzu, uma espécie de terço usado pelos católicos, o monge Sato explicou que o budismo convive tranquilamente com as religiões. “A primeira vez em que vim ao templo, tinha mais de 50 anos e estava vivendo uma crise política existencial. Subi os degraus por acaso e depois aprendi que no budismo não tem nada por acaso”, contou.

Segundo ele, naquele dia o monge que comanda o templo falava sobre a compaixão de Buda e isso provocou uma mudança em sua vida. “O que é a luz da compaixão?, perguntava. Deve ser algo parecido com o amor incondicional, como o da mãe. Está sempre salvando, iluminando e a gente não sabe. Isso me chamou atenção”, lembrou.

Sato contou que dali em diante se ofereceu para ajudar o monge, principalmente com a língua portuguesa, e começou a caminhada até ser ordenado em 1998. Desde então está a frente do templo brasiliense.

No último evento do ano, no próximo dia 31, haverá o tradicional ritual de passagem de ano, com a cerimônia das 108 batidas no sino Bonshô. “São 108 esperanças sobre as quais refletimos para renová-las”, disse ele.

Ivan Richard | Agência Brasil

Material jornalístico de uso livre segundo as atribuições específicas de cada fonte exceto quando especificado em contrário. Fotos e textos podem pertencer a autores diferentes, sempre devidamente identificados. Créditos das fotos devem ser preservados. Nenhuma das fontes mantém qualquer vínculo comercial ou de outra ordem conosco. Em caso de dúvida, consulte. Leia também nossos Termos de Uso e Serviço | Preços, prazos, links e demais informações podem sofrer alteração e correspondem ao dia em que o material foi publicado sendo de responsabilidade da fonte original.

Documento sem título
Considere contribuir com nosso trabalho

Últimas no FarolCom

Veja também

FarolCom no Twitter

FarolCom no Pinterest