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terça-feira, 10 novembro, 2015 - 8h08

Vida marinha no Espírito Santo em risco

Milhares de quilômetros do litoral do Espírito Santo serão contaminados pelos metais tóxicos liberados pelo rompimento de duas barragens de rejeitos no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG)

   

A afirmação é do biólogo André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz, Santa Cruz, no Espirito Santo.

“Esses dejetos do Rio Doce serão sugados por uma corrente giratória, que é o criadouro marinho, exatamente onde os peixes grandes como baleias, tubarões, arraias e tartarugas se reproduzem”, afirmou.

“São alguns quilos de cada tipo de metal pesado e, com os anos, isso vai se acumulando na cadeia alimentar, pois não é eliminável pelo organismo.

O pH desse material é como se fosse uma soda cáustica. Se você cair dentro dessa lama, se queima”.

Fred Loureiro - Secom - ES/Divulgação
Governo do Espírito Santo se prepara para onda de lama decorrente do rompimento das barragens de rejeitos em Mariana (MG), operadas pela Mineradora Samarco (Fred Loureiro - Secom - ES/Divulgação)
Governo do Espírito Santo se prepara para onda de lama decorrente do rompimento das barragens de rejeitos em Mariana (MG), operadas pela Mineradora Samarco

O acidente ocorreu na quinta-feira (5) na barragem da Mineradora Samarco, que tem como principal acionista a empresa Vale. Pelo menos três pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.

De acordo com o biólogo, a lama tóxica que desce no Rio Doce atingirá cerca de 10 mil Km2 do litoral norte da região litorânea do Espírito Santo. A área compreende três unidades de Conservação Marinhas: Comboios, Área de Proteção Ambiental Costa das Algas e Refúgio da Vida Silvestre de Santa Cruz, que somam cerca de 200 mil hectares no mar.

Segundo André Ruschi, o acidente pode representar o "assassinato" da Bacia do Rio Doce, a quinta maior bacia hidrográfica do país.

“Toda a vida no rio está sendo eliminada praticamente em 100%. As espécies endêmicas desse rio estão extintas a partir de hoje”, acrescentou. A concentração dos metais na cadeia alimentar pode levar até 100 anos para se dissipar, informou o biólogo. Dos minerais mais tóxicos e que foram despejados no rio, ele citou o cádmio, arsênio, mercúrio e cromo.

Professor de geotecnia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maurício Ehrlich disse que, por terem sismicidade baixa, os tremores na região na ocasião do acidente não seriam suficientes para causar a queda da barragem.

“Infiltração de água também não é o caso, pois estamos em estiagem desde o ano passado. Se alguma falha houve, ela pode estar relacionada ao comportamento mecânico do material usado na construção da barragem. Talvez possa ter ocorrido um erro na estimativa da resistência do material. Outra possibilidade seria um alteamento mal feito da barragem."

reproduzida da Agência Brasil
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil | Edição: Armando Cardoso

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